domingo, 31 de janeiro de 2010

PALIMPSESTOS: 1 Ano

Há exato um ano 5 intessados com outros dois que se encontravam em terras distantes da Lisboa, Portugal, iniciavam o empreendimento que do provisório nome "Amigos do Schop" iriam pouco depois junto de outras mudanças, ganhar o nome atual de Palimpsestos. Este, sem aspas e com muita propriedade de o ser a seu modo um registro vivo, de muitas camadas e conteúdos.
E cá estamos nós 365 dias depois... com desdobramentos na vida de cada um e do grupo que são à parte uns poucos, difíceis de mensurar, pois ele como outras tantas coisas na vida, inclusive daqueles em que não damos conta, são tão nós mesmos como nós próprios em corpos, pensamentos e palavras, embora aqui, inicialmente como ponto-de-encontro, termos a leitura comum de obras literárias.
Aos poucos geramos trocas, permutas, contatos, sociabilidades que por fim vão se aprofundando e expandido, multiplicando tudo e qualquer coisa que nos seja oportuno para a maturidade, aprimoramento e crescimento que, do espiritual ao material, compõe a realidade. Esta, tão imprescindível quanto a ficção e os sonhos que, equivocadamente, não podemos fixar estáticos na palavra tão viva como a vida que nutrimos nos textos, inspirando universos e projetos, atos e escolhas na saga e sina de sermos os autores de nossa felicidade e, personagens de nossas histórias.
E que se sobreponham outras tantas vidas e palavras, histórias e registros de outros tantos palimpTextos, neste nosso Palimpsestos!

Os pintores do Quixote
















Das geniais letras e inspirada história do Quixote de Miguel de Cervantes, diversos seriam os mestres de outras artes e em particular, os da pintura, interessados em retratar "o cavaleiro da triste figura".
Talvez o personagem literário que mais e melhor encarnou a palavra e a imagem, dentre os mais conhecidos está o francês Gustave Doré (1832-1883), certamente o que ilustra a maior parte das edições deste clássico publicado no Brasil em diversas edições e editoras.
O pintaram também o brasileiro Cândido Portinari (1903-1962), os espanhóis Salvador Dalí (1904-1989) e Pablo Picasso (1881-1973), nos desenhos pelas mãos do alemão Stefan Mart que entre outros, imprimiram suas marcas características ao retratarem este personagem tão fantástico que, naturalmente transcendeu o universo literário, transbordando da palavra aos outros tantos possíveis onde vigora e vale a imaginação que, como o sonho, também são a realidade.

"Animal Farm" ou "A revolução dos bichos" de George Orwell

Dos grandes clássicos literários do gênero fábula (raro na contemporaneidade) com uso metafórico e alegórico brilhantes por George Orwell (1903-1950), "A revolução dos bichos" versa com referências a personagens históricos e ao mesmo tempo como atroz crítica ideológica. E embora seja usualmente relacionada a estados totalitários, a crítica vale para todo e qualquer projeto político que em particular, pela própria natureza humana ao longo do tempo fascinada no jogo do poder, soçobra, comprometendo-se entre a contradição e o paradoxo daquilo que promete no utópico ideal, revela-se violência e opressão, redundando num contexto em que "uns são mais iguais do que os outros". É certamente das maiores obras do gênero plena de política, ideologia, história, filosofia e literatura em incríveis poucas páginas. A obra foi eleita como um dos melhores romances do século XX pela Modern Library List.

Sinopse:

"Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, 'A revolução dos bichos' é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos. Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista. Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram 'A revolução dos bichos' a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto. Depois das profundas transformações políticas que mudaram a fisionomia do planeta nas últimas décadas, a pequena obra-prima de Orwell pode ser vista sem o viés ideológico reducionista. Mais de sessenta anos depois de escrita, ela mantém o viço e o brilho de uma alegoria perene sobre as fraquezas humanas que levam à corrosão dos grandes projetos de revolução política. Escrito com perfeito domínio da narrativa, atenção às minúcias e extraordinária capacidade de criação de personagens e situações, 'A revolução dos bichos' combina de maneira feliz duas ricas tradições literárias - a das fábulas morais, que remontam a Esopo, e a da sátira política, que teve talvez em Jonathan Swift seu representante máximo."

Academia Portuguesa da História

"A ACADEMIA PORTUGUESA DA HISTÓRIA, instituição científica estatal, criada pelo Decreto-Lei n° 26611,de 19 de Maio de 1936 é a legítima herdeira da mais antiga Academia nacional – a ACADEMIA REAL PORTUGUESA DA HISTÓRIA – fundada por D. João V, conforme decreto de 8 de Dezembro de 1720. Durante dezenas de anos esta instituição desenvolveu uma actividade cultural de grande relevo, como se pode verificar nas magníficas edições, mas, por circunstâncias ainda pouco conhecidas, começou a desagregar-se na segunda metade do século XVIII, acabando por se extinguir naturalmente. Herdeira da figura da História, da divisa Restituet Omnia, para além de parte da obra literária a nova Academia Portuguesa da História começou as suas actividades a 9 de Janeiro de 1938, data da primeira reunião do Conselho Académico."
Acesse:

"Livros: Os mais roubados'

Uma matéria saída na Ilustrada do jornal Folha de São Paulo (Sábado, 16 de janeiro de 2010, E1) não deixa de ser ao mesmo e um só tempo curiosa, irônica e engraçada: os livros mais roubados das livrarias e estabelecimentos que os vendem no Brasil.

A lista do "top 10" dos alvos livrescos é integrada pelos seguintes títulos:

1) "A história da feiura" de Umberto Eco;
2) "Se abrindo para a vida" de Zíbia Gasparetto;
3) "Lua nova" de Stephenie Meyer;
4) "Além do bem e do mal" de Friedrich Nietzsche;
5) "O símbolo perdido" de Dan Brown;
6) "Atlas da anatomia humana" de Johannes Sobotta;
7) "O diário de Anne Frank" de Anne Frank;
8) "Leis penais comentadas" de Alexandre Jean Daoun e Marco Aurélio Florêncio Filho;
9) "O pequeno príncipe" de Antoine de Saint-Exupéry.

Já as seções mais visadas são:

1) Best-sellers;
2) Filosofia;
3) Autoajuda;
4) Espiritismo.

Segundo estimativas da Associação Nacional do Livro (ANL), estima-se que os furtos representem um prejuízo de até 4% para o setor, um mercado que em 2009 movimentou R$ 1,9 bilhão de reais.
Como se vê, mesmo na contravenção o público leitor é seleto e variado.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

"Better World Books"

A Better World Books é uma empresa criada em 2002, por três estudantes da Universidade de Notre Dame com o intuito de vender livros. Até aí, nenhuma novidade. A diferença é que a empresa não só comercializa livros novos como recolhe livros usados e, vendendo-os através da internet, financia projetos de alfabetização em todo o mundo, alguns inclusive no Brasil.
Mais de 1.800 universidades e 2.000 bilbiotecas dos EUA são parceiros dessa proposta, que já conseguiu transformar 25 milhões de livros doados em US$ 7,3 milhões em financiamentos para a alfabetização e a educação. Além disso, a empresa já repassou 1,5 milhão de livros doados a programas parceiros em todo o mundo.

No site é possível encontrar livros de difícil acesso, por preço às vezes inacreditáveis e por um frete de menos de 4 doláres. Tudo é excelente, encontram-se os livros, paga-se pouco e a entrega é rápida, além de apoiar iniciativas interessantes. Recomendo!

"Bartleby: Great Books"




O site www.bartleby.com disponibiliza, gratuitamente, uma boa variedade de livros de literatura, da ficção a não-ficção, incluindo antologias poéticas e a coleção Harvard Classics. Vale a pena conferir.

Os eventos literários

A experiência de partilhar leituras (e muito mais) num grupo e dinâmica como a do PALIMPSESTOS, é entre outras coisas, a de atentarmos para oportunidades como a dos eventos literários, isto é; das feiras, congressos e em particular, as bienais, as mesmas que nos últimos tempos tem se multiplicado Brasil afora.
Uma das mais significantes por seu volume e extensão, projetos e de uma programação rica que ocorre nos anos ímpares em que é promovida, é a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Contudo, igualmente o é a da cidade de São Paulo, esta, nos anos pares, e que portanto ocorrerá neste 2010, além dos anuais como a Feira Literária Internacional de Paraty (RJ) e a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo (RS).
Em Juiz de Fora (MG), temos o FESTLer que no ano passado não ocorreu "vitimado" pela crise financeira que aqui, como em outros lugares, incidiu mais sobre áreas "pouco importantes" como a cultura e a educação, FESTLer que como evento que ainda não se consolidou na cidade, e sequer possui mais de 5 edições/anos. A mesma cidade que por ser berço de autores como Murilo Mendes (1901-1975) e Pedro Nava (1903-1984) deveria há tempos, ter se consagrado com um evento do tipo, ou ser um pólo literário-cultural com um objetivo e metas efetivas neste sentido. As que para serem alcançadas, quem sabe, terão contribuições como a de grupos de leitura como o PALIMPSESTOS.

Na foto: a integrante Cíntia Marcellos marcando presença na Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, na 12ª edição em 2005.

"Meu tio" de Jacques Tati pour Jean-Claude Carrière

Num ainda raro exemplo de filme que inspirou livro, um romance no caso, "Meu tio", filme de Jacques Tati foi adaptado pelo roteirista francês Jean-Claude Carrière, e que chegará este mês nas livrarias pela editora Cosac Naify. E aqui restará saber se "o livro é tão bom quanto o filme" e não como geralmente, o contrário.
Quem ler, verá.
Assim como quem viu, lerá.
Será?

J. D. Salinger (1919-2010): e o apanhador se foi...

Faleceu ontem nos Estados Unidos, Jerome David Salinger ou J. D. Salinger (nascido em 1919) um autor marcante sobretudo pela obra "O apanhador no campo de centeio" (em livro, 1951), que em Portugal ganhou a tradução "À espera no centeio". Por seu modo de vida absolutamente recluso, o autor acabou por adquirir uma aura mítica, sempre envolta em mistérios, a qual inspirou filmes e músicas, sendo aludida em diversas passagens em ambos gêneros artísticos ao longo dos anos, coisa que, de certo modo, contribuiu para que ele nunca conseguisse efetivamente o anonimato que sempre buscou ao longo da vida. E que não conseguirá  agora, quando de sua morte. Este fato talvez o torne indissociável de sua própria obra que, como tal, permanecerá. Alguns de seus textos e livros podem ser encontrados em: www.freeweb.hu/tchl/salinger/

Colóquio: "Memória da cidade" da Universidade de Coimbra, Portugal

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

"Amigos do Livro"

"O portal Amigos do Livro foi inaugurado no dia 6 de outubro de 2001 e pertence ao Grupo Editorial Scortecci. Um endereço para estudo, pesquisa, divulgação e promoção do livro e do hábito da leitura. Tudo nele é grátis. Aqui você encontra: autores, editoras, livrarias e sebos, gráficas, bibliotecas, grupos literários e academias, prêmios e concursos, associações literárias e culturais, profissionais do livro, instituições, fundações, ONGs, casas de cultura, noticias sobre o mundo do livro e serviços. "
Acesse:

"O Príncipe" de Nicolau Maquiavel

Talvez nenhuma outra obra tenha conferido tão má fama a seu autor, Nicolau Maquiavel (1469-1527), e também, causado tanto furor ao longo da história como "O príncipe" (1513). Como último lance, tentado sem sucesso, para retornar à cena política florentina de onde fora alijado sob acusão de complô contra os Médici, acabou relegando a história um livro de incrível simplicidade por sua mensagem e propósitos, nos pequenos 26 capítulos que a compõe. A obra foi intensamente atacada e questionada, não raro até banida e proibida por instituições que iam de algumas monarquias à epoca e posteriores, além da Igreja romana, acabando por gerar mesmo um gênero particular "o anti-maquialvel", e posteriormente, ser adotado como "livro de cabeceira" por alguns. O mesmo que só reforça além do próprio predicado "maquiavélico", de caráter pejorativo, mas injusto quão impróprio, conforme se constata os que o lerem e o estudarem. O florentino versa um autêntico manual de como se deve fazer para conquistar e se manter no poder, isto claro, pode ser dito como uma obviedade redutora da obra que é muito mais, tanto quanto será a disposição e sensibilidade de quem a lê. E ao falar sobre repúblicas e principados que existem em detrimento de outros que de fato, nunca existiram, inaugura o chamado "realismo político". Contudo, a obra vai muito além evocando personagens históricos e relevantes à parte fatos e lances, muitos dos quais o autor se vale para exemplificar suas afirmações e justificá-las. O fato de impressionar ainda hoje, 500 anos depois, confirma sua vitalidade perene que o destaca desde sempre, não só pela ousadia da reflexão, mas sobretudo, pelo talento em registrar o que é, na realidade cotidiana, daquilo que parece ser e nunca o foi, isto, não necessariamente ficção, em qualquer nível, tema ou área onde a mesma incide e ocorre tomada não raro como "verdades" que o leitor "maquiavélico" ou não, deve ater-se em particular aos conceitos como virtù e fortuna, sem os quais como o próprio príncipe, não obterá êxito.

Revista Archai: n° 3

"Anunciamos o lançamento do n. 3 da
REVISTA ARCHAI: REVISTA SOBRE AS ORIGENS DO PENSAMENTO OCIDENTAL, conforme o Sumário abaixo.

A revista ARCHAI: Revista de estudos sobre as origens do pensamento ocidental é uma publicação semestral do Grupo Archai: as origens do pensamento ocidental, grupo interdisciplinar e interinstitucional que congrega pesquisadores das áreas de filosofia, história, letras, direito e arqueologia de diversas Instituições Universitárias brasileiras.
Destina-se à divulgação de artigos originais, traduções, resenhas e documentos, sobre estudos interdisciplinares (filosóficos, históricos, filológicos, antropológicos, jurídicos etc.) a respeito do pensamento antigo e de sua tradição para o pensamento moderno e contemporâneo, redigidos em qualquer língua moderna de difusão científica.

Artigos

Alice Maria de Souza: Caio Graco e sua relação com os Equites (século II a.C.): Breve análise da interpretação de Apiano de Alexandria (século II d.C.)
Américo Henrique Marquez do Couto: As representações de poder no governo de Adriano segundo Dion Cássio e a História
Ana Thereza Basílio Vieira: Origens da medicina romana na História Natural, de Plínio o velho
Cibele Elisa Viegas Aldrovandi: A Fronteira Oriental do Mundo Helenístico: as Fontes Escritas sobre o Ambiente Construído e a Sociedade nas Cidades Gregas da Região Bactro-Gandhariana
Flávio Fontenelle Loque: Notas sobre Galeno, a noção de saúde e o debate médico-filosófico sobre a causalidade
Gerson Brea: Amizade e comunicação: Aproximações entre Karl Jaspers e Aristóteles
João Vianney Cavalcanti Nuto: Mikhail Bakhtin e a cultura Grega Antiga
José Lourenço Pereira da Silva: Sócrates contra a educação sofística no Protágoras
Katsuzo Koike: Os primórdios da prosa grega
Luciano César Garcia Pinto: A Cidade Etimologizada: Os Sentidos acerca do Espaço Urbano nas Etymologiae de Isidoro de Sevilha
Regina Helena Rezende: Considerações sobre a permanência de formas clássicas em igrejas paleocristãs
Roosevelt Araújo da Rocha Júnior A imagem ambígua da música em Homero e Hesíodo
wanderson flor do nascimento Uma suspeita: acerca de uma suposta hierarquia entre política e metafísica no pensamento de Platão
Ygor Klain Belchior; Fábio Faversani O papel da clemência senequiana na narrativa dos Annales de Publius Cornelius Tacitus

Resenhas

Aláya Dullius de Souza
MARVIN MEYER. THE NAG HAMMADI SCRIPTURES: The International Edition
Lelita Oliveira Benoit
ANGELE KREMER MARIETTI (SOUS LA DIRECTION DE).
AUGUSTE COMTE. LA SCIENCE, LA SOCIETE"

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

ABHR - Associação Brasileira de História das Religiões

"A idéia de criar a Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR) surgiu durante a realização do I Simpósio sobre História das Religiões, convocado por um grupo de historiadores da linha de pesquisa Religiões e Visões de Mundo do Curso de Pós-Graduação em História da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, campus de Assis, em 1999. Nasceu do interesse de um grupo de historiadores brasileiros de contribuir para o desenvolvimento de um campo de estudos científicos sobre a religião.
O propósito da Associação é reunir estudiosos da História, Sociologia, Antropologia, Ciência Política e de outros ramos das Ciências Sociais que vêm realizando investigações sobre religião no Brasil. A ABHR quer colaborar para consolidação do campo de estudos científicos sobre religião, promovendo o intercâmbio entre investigadores e de estudantes de Mestrado e Doutorado das diferentes áreas das Ciências Sociais.
A ABHR se filiou a International Association for History of Religions (IAHR) por ocasião do XVIII Congresso Qüinqüenal da Associação Internacional de História das Religiões que se realizou em Durban, África do Sul, de 05 a 12 de agosto de 2000.
Associação Brasileira de História das Religiões está aberta para acolher tanto projetos sobre aspectos teóricos e metodológicos da História da Religião, sobre questões de crescimento do pentecostalismo, transnacioalização das religiões afro-brasileiras, expansão de novos movimentos religiosos, situação das igrejas tradicionais, quanto propostas de abordagem das diversas facetas da religiosidade popular, das religiões trazidas por grupos migrantes, da presença de novos movimentos religiosos nas populações indígenas, da expansão das crenças esotéricas e da New Age. A ABHR procura estimular o estudo comparativo das religiões, assim como a pesquisa sobre o processo de exportação e transnacionalização de variantes religiosas autóctones."
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Fundação Calouste Gulbenkian

"A Fundação Calouste Gulbenkian é uma instituição portuguesa de direito privado e utilidade pública, cujos fins estatutários são a Arte, a Beneficiência, a Ciência e a Educação. Criada por disposição testamentária de Calouste Sarkis Gulbenkian, os seus estatutos foram aprovados pelo Estado Português a 18 de Julho de 1956. A Fundação tem a sua sede em Lisboa. As instalações da Sede e Museu, projectadas pelos arquitectos Ruy Athouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa, foram inauguradas em 1969. Integram, para além das áreas reservadas à administração e aos serviços, um Grande Auditório, espaços para exposições temporárias, uma zona de congressos, dispondo de vários auditórios e salas, e um edifício próprio que alberga o Museu Calouste Gulbenkian, os serviço educativos do Museu e a Biblioteca de Arte. O complexo é envolvido pelo Parque Gulbenkian, projectado pelos arquitectos Viana Barreto e Ribeiro Telles. Em 1983, numa das extremidades do parque, foi inaugurado o Centro de Arte Moderna, construído segundo projecto do arquitecto britânico Sir Leslie Martin. Em 1993, o Centro passou a ser designado como Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão (CAMJAP), em homenagem ao primeiro presidente da Fundação. Além do museu, que exibe parte da colecção de Arte Moderna e Contemporânea, o centro dispõe de uma galeria de exposições temporárias, de uma sala polivalente e de espaços para as actividades do Sector Educativo do Centro. As actividades desenvolvidas directamente pela Fundação no campo da investigação científica e do ensino estão concentradas no Instituto Gulbenkian de Ciência. O Instituto está instalado em Oeiras, num campo científico constituído por diversos edifícios, junto ao Palácio dos Marqueses de Pombal. A Fundação tem ainda uma Delegação no Reino Unido (UK Branch) e um Centro em Paris (Centro Cultural Calouste Gulbenkian). A Fundação desenvolve uma vasta actividade em Portugal e no estrangeiro no quadro dos seus fins estatutários, através de actividades directas, subsídios e bolsas. Dispõe de uma Orquestra e de um Coro que actuam ao longo do ano no âmbito de uma temporada regular; realiza exposições individuais e colectivas de artistas portugueses e estrangeiros; promove conferências internacionais, colóquios, cursos; distribui subsídios e concede bolsas de estudo para especializações e doutoramentos em Portugal e no estrangeiro; apoia programas e projectos de natureza científica, educacional e artística; desenvolve uma intensa actividade editorial, sobretudo através do seu plano de edições de manuais universitários; promove e estimula projectos de ajuda ao desenvolvimento com os países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste; promove a cultura portuguesa no estrangeiro; desenvolve um programa de preservação dos testemunhos da presença portuguesa no mundo. Paralelamente às suas actividades em Portugal e no estrangeiro, de promoção da cultura portuguesa, a Fundação desenvolve um programa de actividades em prol da Diáspora Arménia para a disseminação da sua língua e cultura.
No plano internacional, a Fundação pertence ao European Foundation Centre (EFC) e está presente em diversos fóruns no campo artístico, de ajuda ao desenvolvimento, científico e educativo."
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

"Freud Revisitado e Público"


Apesar de algum atraso, reproduzo a reportagem sobre as novas traduções do mestre vienense.

"A entrada da obra de Sigmund Freud em domínio público em 2010 se refletirá em breve nas livrarias brasileiras, que a partir de fevereiro receberão novas traduções do pensador. No próximo mês sairão dois dos quatro títulos que a L&PM lançará este ano em sua consagrada coleção de bolso, todos com tradução do alemão: "O futuro de uma ilusão" e "Mal-estar na civilização", ambos traduzidos por Renato Zwick. Já "Totem e tabu", traduzido por Kristina Michahelles, deve chegar em abril e "Interpretação dos sonhos", novamente com tradução de Zwick, está previsto para novembro. Os livros terão revisão técnica e apresentação de especialistas na obra de Freud.
Em março é a vez de a Companhia das Letras começar a editar a obra completa de Freud, já disponível no Brasil pela Imago (cuja tradução partiu da conceituada edição standard inglesa). A tradução ca Companhia está sendo feita diretamente do alemão por Paulo César de Souza, doutor em língua alemão pela USP e autor de "As palavras de Freud", no qual ele discute as principais traduções das obras completas do pai da psicanálise (o livro terá uma edição revista publicada pela Companhia também em março). Os títulos não serão lançados em ordem cronológica, e sim por conta de sua importância no conjunto freudiano. Os primeiros a chegar serão os volumes 10, 12 e 14, que trazem "O caso Schreber", "Introdução ao narcisimo" e "História de uma neurose infantil", entre outros textos.
Enquanto isso a Imago dá continuidade ao alentado projeto de edição das obras de Freud agrupadas por eixos temáticos (e traduzidas do alemão). O primeiro volume, sobre o inconsciente, saiu em 2004. Para o segundo semestre está prevista a publicação do segundo tomo, sobre sociedade e religião"


Fonte: "No prelo", 16 de Janeiro de 2010. Caderno "Prosa e Verso", O GLOBO

Evento

C O N V O C A T O R I A

Con el objeto de conmemorar el Bicentenario de la Independencia de México, el Centenario de la Revolución Mexicana y los movimientos emancipatorios de América Latina, el Tecnológico de Monterrey, a través de la División de Humanidades y Ciencias Sociales de la Escuela de Gobierno, Ciencias Sociales y Humanidades, convoca a investigadores en las áreas de filosofía, literatura, historia, lingüística, ciencias políticas y sociales, artes visuales, semiótica, música y arquitectura al Congreso Internacional:
UTOPÍA: ESPACIOS ALTERNATIVOS Y EXPRESIONES CULTURALESEN AMÉRICA LATINA Monterrey, Nuevo León, México: 24 al 27 de agosto de 2010.

"Os Ensaios" de Michel de Montaigne

Se é impossível definir em poucas palavras numa convencional resenha a obra "Os Ensaios" (Martins Fontes, 2002, 492 págs. R$ 78,90) de Michel de Montaigne (1533-1592), não menos imprescindível é conhecê-la, esta "floresta luxuriante" qual um imenso compêndio e repositório de sabedoria que em síntese, une e aproxima milênios de história, filosofia, antropologia, religião, direito e na pleiade de temas, áreas e assuntos. Todos perpassados por uma perspectiva singular e refletida por este tão privilegiado intelecto, por uma cabeça "que mais bem formada que cheia", habilitou este notável homem que na França do século XVI produziu uma obra extemporânea, inigualável e de perene sabedoria para todos os fins, situações e a qualquer tempo. A mesma é considerada fundadora do gênero ensaístico sendo ela o ensaio por excelência.
São encontradas diversas edições em língua portuguesa, talvez nenhuma superior a editada pela Martins Fontes que, seguiu a orientação metodológica rigorosa de Pierre Villey, uma das maiores autoridades no autor e obra, baseada na edição mais completa dos Ensaios com seus 3 volumes. Válida também a edição esgotada editada pela UnB.
Sinopse:

"Montaigne repassa, sempre a partir de sua experiência pessoal, a virtude, a cólera, a presunção, a crueldade, e muitas outras questões humanas fundamentais sobre as quais todos nos questionamos."

"Fahrenheit 451" de Ray Bradbury / François Truffaut

Filme de François Truffaut e adaptação do romance homônimo de Ray Bradbury - "Farenheit 451" - (1966, GRB, Cor, 112 min) é dos que podem ser classificados como "distopia", isto é; uma concepção sobre a sociedade no futuro contrário a utopia, ao ideal em que se crê melhor ou perfeito.
Nesta distopia em questão, todos os livros e expressões escritas são proibidos por um regime autoritário sob argumento de tornar seus leitores, improdutivos e infelizes, este, que é "reeducado" se flagrado lendo e tendo sua casa ou biblioteca incendiados pelos "bombeiros".
A obra tanto literária quanto cinematográfica é rica em alusões a períodos e fatos que perpassaram a história, em particular na censura da palavra escrita e do pensamento. No filme soa irônico a inversão do papel dos "bombeiros" no uso do fogo para queimar os livros... estes, intimamente ligados pelos infortúnios queacidentais ou intencionais (Bibliotecas de Bagdá, Babilônia, Alexandria, etc), nas inquisições ao longo dos tempos medievais ou não que acabaram por vitimar muitas obras, autores e leitores. Os mesmos que após as chamas do fogo, padecerão sem as palavras na escuridão da ignorância para a qual não há ainda qualquer censura. O grau Farenheit 451 do título, seria o suposto atingindo pelos livros durante sua combustão.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

" Zaza"




Temo não conseguir precisar o que primeiro me encantou e despertou a minha curiosidade, se a figura feminina dona de um génio forte e detentora de um punhado de segredos impraticáveis ou qualquer outra particularidade literária.
Assim, julgo que o mais correcto seria recorrer á seguinte afirmação atribuída á autora; “Nós, para os outros, apenas criamos pontos de partida.” Transportada nas suas próprias palavras surgiu Beauvoir, como um ponto de partida. Ponto de partida esse, que teve a sua origem numa das suas obras biográficas intitulada “ A Cerimonia do Adeus “ . Apesar da existência de uma vasta e rica obra, primeiramente optei pelas suas memórias, que reflectidas nas suas vivências, deixam a nu todos os seus pensamentos e ideias perante a vida.
“ A Cerimonia do Adeus”, no entanto, não guarda as memórias da sua autora mas sim, de uma vida que não lhe era vedada mas da qual era inteiramente cúmplice. Jean-Paul Sartre é assim, retratado nos seus últimos anos de vida pela sua companheira que assim, dedica as suas páginas, muitas das quais embebidas em fel “àqueles que amaram Sartre, que o amam, que o amarão.”
Entre as mais árduas dificuldades e as mais espontâneas alegrias nasce uma descrição que premeia pela verdade com que é relatada. As diferentes provações passadas ao nível da saúde do filosofo bem como os seus relacionamentos com as suas inúmeras amigas, sem as quais não conseguiria aceder á mais simples alegria de viver, são alguns dos momentos presentes.
Através deste testemunho representado por Beauvoir não só é possível tocar nesta peculiar história de amor que vagueia entre alguns dos mais importantes conflitos políticos do século XX até ás maravilhosas leituras cuja função seria preencher um serão, como é também possível tocar a mulher para além de qualquer activista ou intelectual.
Não poderei dizer até que ponto a autora desejará afastar-se da sua própria narrativa, focando essencialmente os anos que antecederam a morte de Sartre no entanto, é notável a facilidade com que uma e outra se fundem conduzindo o leitor numa espécie de trilho até á mulher que culminaria em Beauvoir.
È assim, possível observar que mesmo representando dentro das suas palavras apenas e unicamente o papel de companheira do filósofo existencialista, o seu intimo é também posto a descoberto aos olhos daquele a lê.
“ A Cerimonia do Adeus”, é pela primeira vez editada em 1981, fase em que talvez por se encontrar sobre um forte abatimento devido á morte de Sartre, Beauvoir transmite uma determinada sensação de fim. Já nada haveria a esperar.
Tendo em conta todo o percurso anterior da escritora, a sua importância fundamental no movimento feminista bem como, todo o seu trabalho filosófico acerca da condição da mulher e a exploração de muitos motes existencialistas nos seus romances, o pensamento e a vida partilhada com Sartre ajudaram em muito á sua construção. Construção, essa contudo, que acredito ter tido inicio, na sua infância com a amizade entre a escritora e Zaza.
Julgo que poderá ser dito que foi com Zaza que surgiu a Beauvoir dada a conhecer através das suas memórias. O Amor, a admiração sentida por Zaza, relatada numa outra obra biográfica “ Balanço Final ( 1972)” , fizeram nascer na menina anseios inconvenientes que determinariam a mulher notável cujo reconhecimento é unânime.

MAC - Museu de Arte Contemporânea de Niterói, RJ

"Em 2006, o MAC de Niterói completou 10 anos com uma intensa programação de exposições, seminários e ocupações artísticas. Por que museu, de Nelson Leirner, e Incertae sedis, de José Rufino, inauguradas no final de 2005, foram incluídas pela crítica especializada entre as melhores daquele ano. Em março, como parte das comemorações do evento Niterói Espanha, o MAC abrigou a exposição Mirabolante Miró, de gravuras do artista catalão. Em setembro, mês de aniversário do museu, a exposição Abrigo poético – Diálogos com Lygia Clark reuniu pela primeira vez 22 obras da artista e de outros nomes pertencentes à Coleção João Sattamini. E, para encerrar a programação de aniversário e inaugurar a do centenário de Oscar Niemeyer, o MAC traz a magnífica Coleção do Museu Pergamon de Berlim, com Deuses gregos em templos contemporâneos, transformando o salão principal em um panteão –, uma clara alusão à maneira como os deuses gregos são mostrados ao público alemão. Estas e outras exposições, ações educativas e atividades do MAC podem ser conferidas no recém-lançado livro MAC de Niterói – 10 anos, belíssima publicação com textos atuais e de época, criteriosamente selecionados e organizados pela equipe do MAC, e amplamente ilustrado por imagens resgatadas nos arquivos do museu. O livro conta também com texto de Italo Campofiorito – impressionante relato de como tudo começou – e com a reprodução dos primeiros desenhos e anotações de Niemeyer para o MAC. O projeto gráfico é assinado pela Dupla Design, responsável pela criação da identidade visual do museu."
Acesse:

Odysseus Editora

"A Odysseus Editora tem como proposta editorial publicar obras relacionadas a filosofia,arqueologia, mitologia, arte e demais áreas do conhecimento ligadas ao humanismo, visando contribuir para o enriquecimento da cultura brasileira. Além disso, tem como um de seus objetivos atender aos educadores com livros paradidáticos: a Coleção Imortais da Ciência, Coleção Mitologia Helênica e nossos livros infantis."
Acesse:

"Museu da Pessoa"

"Este é um museu virtual de histórias de vida aberto à participação gratuita de toda pessoa que queira compartilhar sua história."

Acesse:

www.museudapessoa.net

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

APL - Academia Paranaense de Letras

"A Academia Paranaense de Letras foi fundada em Curitiba, em 26 de setembro de 1936, sucedendo a antiga Academia de Letras do Paraná, criada em 1922 e dissolvida por motivos políticos. A recriação de uma entidade cultural representativa da cultura do Estado, deu-se por estímulo e influência da Academia Carioca de Letras e da Federação das Academias de Letras do Brasil. Exerceu a liderança, nesse propósito, o Professor Dr. Ulysses Vieira que reagrupou intelectuais dispostos a resgatar os valores acadêmicos dispersos por força das velhas dissidências."

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"Becas" da Fundacíon Carolina

Com diversas modalidades de bolsas para pós-graduação, mestrado e doutorado, a Fundacíon Carolina da Espanha iniciou mais uma convocatória (Becas) para o período 2010-2011, contemplando todas as áreas.
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"Meditações do Quixote" de José Ortega y Gasset

"Dado um fato - um homem, um livro, um quadro, uma paisagem, um erro, uma dor - , levá-lo, pelo caminho mais curto, à plenitude do seu significado. Colocar os materiais de toda ordem, que a vida, em sua perene ressaca, arroja a nossos pés como restos inúteis de um naufrágio, em tal disposição que neles dê o Sol inumeráveis reverberações. Há dentro de toda coisa a indicação de uma possível plenitude. A alma nobre e aberta sentirá a ambição de aperfeiçoá-la, de auxiliá-la, para que alcance essa plenitude. Isso é o amor - o amor à perfeição do amado."
José Ortega y Gasset
in "Meditações do Quixote"

Às vésperas de dois encontros dedicados a obra "D0n Quixote de La Mancha" de Miguel de Cervantes, vale considerar a reflexão filosófica do espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955) no seu "Meditações do Quixote" (1914), ao afirmar que "eu sou eu e as minhas circusntâncias e se não salvo a ela não salvo também a mim". Isto é; que a minha vida se estrutura na relação com o que constitui o entorno do eu, no eu com as coisas, no eu transformando as coisas, pois viver e fazer algo, exercer e praticar escolhas nas inúmeras possibilidades que se apresentam nas circunstâncias. O que se pensado no contexto do Quixote de Cervantes, faz se não todo, faz muito sentido. Estas são parte das "meditações do Quixote" das quais em breve, iremos juntar as nossas y otras más.

A Descoberta de João Negreiros


De forma a inaugurar a minha primeira vez como novata que sou neste espaço, trago impregnado no doce gosto da partilha, o poeta e dramaturgo português João Negreiros. Esta foi uma poesia descoberta por mim através de uma rede social muitíssimo conhecida mas acabara o poeta por preencher as minhas manhãs com as suas intensas e aguçadas declamações.

Galardoado, em 2009, com inúmeros Prémios entre os quais o Prémio Professora Therezinha Dutra Megale (São Paulo) e também no mesmo ano mas, já em terras lusas vencedor do Prémio Nuno Júdice , tento crescido o merecido reconhecimento em ambos os países. João Negreiros tem já á disposição do público duas obras de Poesia intituladas “ Luto Lento”( 2008) e também “O cheiro da sombra das flores” (2007). Sendo a sua obra já vasta no que diz respeito á dramaturgia. Bem recebido pela critica, João Negreiros , é dono de uma poesia que faz a diferença no contexto nacional pela sua singularidade. Uma lufada de ar fresco nas palavras de muitos. Assim, os seus poemas podem hoje ser lidos nos autocarros de Braga no âmbito do projecto “ Uma grande leitura para uma pequena viajem” .

Recorrendo ás palavras de Joaquim Pessoa , “Negreiros rasga, fere, incomoda, impacienta. (…)” creio que estes são motivos mais que suficientes para que nos deixemos ferir com o poeta.


"Babel e Sião", Camões

No último encontro do grupo, à falta de uma poesia previamente preparada (temos sempre o costume de ler uma no início das discussões...) acabei lendo de improviso - e lendo mau, reconheço - um poema de William Blake que estava mais à mão.

Depois, no sossego do lar, remexendo meus livros, topei com uma edição dos poemas líricos de Camões (capa ao lado) e, lendo, encontrei o poema Babel e Sião. Vou postar um trecho (ele é muito extenso, ocuparia quase que a página toda do blog...) aqui. Creio que esse poema tem mais e melhores relações com o tema do mês; o Eclesiastes. O poema fala do exílio dos judeus na Babilônia (com base no Salmo 137). Espero que gostem. Para ler na íntegra, sugiro o seguinte endereço: http://www.liriodovale.com/Portuguese/poesia/babel_siao.htm


Sôbolos rios que vão
Por Babilónia, me achei,
Onde sentado chorei
As lembranças de Sião
E quanto nela passei.

Ali, o rio corrente
De meus olhos foi manado;
E, tudo bem comparado,
Babilónia ao mal presente,
Sião ao tempo passado.

Ali, lembranças contentes
Na alma se representaram;
E minhas cousas ausentes
Se fizeram tão presentes,
Como se nunca passaram.

Ali, depois de acordado,
Co'o rosto banhado em água,
Deste sonho imaginado,
Vi que todo o bem passado,
Não é gosto, mas é mágoa.

E vi que todos os danos
Se causavam das mudanças
E as mudanças dos anos;
Onde vi quantos enganos
Faz o tempo às esperanças.

Ali vi o maior bem
Quão pouco espaço que dura;
O mal que depressa vem,
E quão triste estado tem
Quem se fia da ventura.

Vi aquilo que mais vale,
Que então se entende melhor,
Quanto mais perdido for;
Vi ao bem suceder mal
E, ao mal, muito pior.

E vi com muito trabalho
Comprar arrependimento.
Vi nenhum contentamento,
E vejo-me a mim, que espalho
Tristes palavras ao vento.



(...)

Coleção Língua Cantada

Iniciativa da editora Língua Geral, a Coleção Língua Cantada tem a proposta de lançar livros que analisem álbuns da Música Popular Brasileira, sendo esta análise bastante aberta para permitir, às vezes num mesmo volume, a citação de poetas, compositores e acadêmicos da área musical.

O projeto é de Santuza Cambraia Neves (autora do volume sobre Caetano), Frederico Oliveira Coelho e Tatiana Bacal, da Universidade Cândido Mendes (RJ).

Os primeiros cinco volumes, segundo informação da Folha de São Paulo, são dedicados a obras de Chico Buarque, Caetano Veloso, Lupicínio Rodrigues, Sérgio Sampaio (capa acima) e Lenine. Já existem pelo menos mais dois volumes previstos, um sobre João Donato e o outro sobre Jards Macalé. Cada volume custa R$ 20.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

ABA - Associação Brasileira de Antropologia

"A Associação Brasileira de Antropologia é a mais antiga das associações científicas existentes no país na área das Ciências Sociais, ocupando hoje um papel de destaque na condução de questões relacionadas às políticas públicas referentes à educação, à ação social e à defesa dos direitos humanos. No decorrer de sua história, ela tem sido voz atuante em defesa das minorias étnicas, dos discriminados e posicionando-se consistentemente contra a injustiça social. Sem ter uma linha político-partidária, sua voz inquieta a todos os que não respeitam os direitos humanos. Seu código de ética exige respeito às populações estudadas e obriga o pesquisador a deixar claros seus objetivos para os grupos e populações que sejam objeto de suas análises."
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Estante Virtual

"A Estante Virtual é um portal criado para revolucionar a comercialização de livros usados pela internet, colocando todos os recursos que a tecnologia é capaz de oferecer a serviço da comunidade de livreiros e do público amante dos livros.
Apoiada em um sistema arrojado de programação que de outra forma representaria um custo insustentável para um único livreiro, a Estante Virtual foi desenvolvida como um projeto totalmente independente por uma equipe de programadores, administradores e professores que têm no objetivo do projeto também um ideal.
Reunindo em um mesmo lugar o acervo de centenas de sebos ao mesmo tempo, a Estante Virtual é uma poderosa ferramenta para você localizar aquele livro que você procura sem ter que restringir a eficácia da sua busca procurando pessoalmente nas estantes de um número de sebos que invariavelmente será bastante restrito.
Como uma alternativa aos também robustos bancos de dados de livrarias online, a Estante Virtual facilita o acesso de uma forma inédita aos livros da comunidade de sebos e livreiros, bem como aos livros de qualquer internauta - este, que imediatamente também terá seus livros expostos para a venda.
Como resultado, o portal representa uma ferramenta de comércio eletrônico bastante valiosa em um mercado em que os livros são editados a preços não raras vezes inacessíveis aos seus leitores interessados. "
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"Barca dos Livros"


Conheci a Bilbioteca Barca dos Livros em 2007, quando visitei Florianópolis. A iniciativa, criada neste mesmo ano pela Sociedade Amantes da Leitura, realiza prodígios no trabalho de formação de leitores e estímulo à leitura junto às escolas e a comunidade em geral, além de oferecer eventos literários de qualidade e bom gosto.

Regularmente apoiada por financiamentos públicos e privados, sofreu grande abalo no último ano e quase fechou as portas. Atualmente, retomaram as atividades que são mantidas a suor e ideal. Quem quiser conferir o trabalho e ajudar, encontrará maiores informações no site: http://www.amantesdaleitura.org/

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

"Arrumações para o Quixote"

Ao final do encontro de Janeiro, fizemos os últimos acertos para a discussão da obra "Dom Quixote", que será feita na companhia do grupo de leituras "Prazer da Leitura". Na foto, Aílton e Monalisa conferiam a lista de temas para discussão em nosso próximo encontro.

Fundação Estudar: bolsas de estudo

A Fundação Estudar desde último dia 4 disponibilizou processo seletivo para as bolsas de estudo da Fundação, de número pré-determinado e concedidas a cada ano, é mais uma oportunidade para aqueles que tem excelência acadêmica registrada no currículo. Estão habilitados a participar estudantes brasileiros já aprovados e/ou matriculados em cursos de Administração, Direito, Economia, Engenharia e Relações Internacionais – para graduação no Brasil - e Administração, Ciências Políticas, Ciências da Computação, Economia, Engenharia e Relações Internacionais para graduação no exterior.
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"Cine Theatro Central"

"A acústica perfeita, a grande capacidade de público e o palco projetado para receber os mais diversos espetáculos fazem do Central um espaço oprivilegiado e um dos poucos do gênero disponíveis atualmente no país. Teatro, dança, ópera, concerto, show."
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

"Estágio no exterior"

"A EF Cursos no Exterior promove o concurso Global Item 2010. O vencedor ganha um estágio de três meses na EF, em três países diferentes, com todas as despesas de viagem, acomodação e alimentação pagas pelo grupo. Para concorrer, os estudantes devem inscrever seus currículos no site www.ef.com/globalintern e enviar um vídeo de três minutos descrevendo como o estágio vai impactar no seu futuro, até 20 de abril."

Fonte: O Globo - Megazine - pág. 19 em 19 de janeiro de 2010.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Unila

Conforme nota divulgada no site da Capes no último dia 13, foi sancionada pelo presidente Lula a criação da Universidade Federal de Integração Latino-Americana (Unila). A Unila tem como proposta ser a primeira universidade com currículo inter e transdisciplinar, com aulas bilíngues em português e espanhol e voltada para a integração dos países da América Latina. A intenção é atender 10 mil alunos até 2015, com o primeiro processo seletivo já no segundo semestre deste ano.
Segundo depoimento do Ministro da Educação, Fernando Haddad, reproduzido no site da Capes, o projeto pedagógico da Unila deverá estar pronto até o final do mês e será composto por quatro eixos: integração no plano da cultura, das instituições, da biociências e da integração física. A partir dessa data, começarão as contratações.
Na visão do ministro, além de atrair alunos de todo o continente ao Brasil, a universidade pretende formar cidadãos capazes de pensar todas as áreas do conhecimento a partir da perspectiva da integração.
“A título de exemplo, queremos que o bacharel em direito não apenas domine o ordenamento jurídico nacional, mas tenha preparo para compreender o ordenamento dos países latino-americanos e saber pensar maneiras de integração entre os países. Isso vale para economia, relações internacionais, bioenergia”, exemplificou.
A instituição funcionará provisoriamente nas instalações da usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), até que suas instalações, projetadas por Oscar Niemeyer (foto ao lado), saiam do papel. Quanto à seleção dos alunos brasileiros, ela deve ocorrer a partir das notas dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), já os alunos estrangeiros passarão por avaliação semelhante a ser realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), de forma que metade dos alunos seja de brasileiros e a outra metade oriunda dos outros países da região, o que deverá acontecer também com os professores. Se isso não chega a ser um motivo de alegria para a malfadada realidade das universidades brasileiras, espera-se que seja ao menos um esforço para a constituição de uma unidade regional que ultrapasse as meras fronteiras econômicas e dificulte o descambe para os totalitarismos e ideologias demagógicas que tanto grassam no sul do continente.

Fonte:
www.capes.gov.br/servicos/sala-de-imprensa/36-noticias/3503-lula-sanciona-lei-que-cria-a-universidade-da-integracao

"Uma integrante doutros mares"

Conheci Guadalupe durante um intercâmbio em Portugal. Começava o semestre de verão de 2008 e, no quarto ao lado do meu, se instalava um barulhinho acuado, assustado numa Lisboa vistosa a ser descoberta.
Em poucos dias vim a conhecer sua autora, Guadalupe, uma portuguesa quase-mexicana, quase-francesa, vinda de Vila Nova da Barquinha e aportada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa para o mesmo curso que eu: Filosofia.
Ainda com as espinhas dos menos de 20 anos e os cabelos compridos metidos entre os parcos livros de sua estante, estava aquela que viria a ser uma constante companhia da casa, entre passeios e outras voltas. Por entre Aristóteles e Nietzsche, Kant e Schopenhauer, o semestre acabou, ficou Guadalupe e eu voltei. Por e-mails e outros modos, ganhei uma agradável e querida correspondente.
Atualmente, lê Beauvoir, Sartre, Flaubert e Baudelaire, o que não a impede de descobrir Graciliano Ramos e se comover com a cadela Baleia.
Por suas próprias palavras e direto do inverno português, inicia hoje em nosso blog Guadalupe Vieira.

"Foto (semi) oficial"


Reunidos para a leitura da obra "Eclesiastes" no último sábado, eis uma foto semi-oficial do grupo no "Boutique dos Sabores". Da esquerda para a direita: Ailton, Monalisa, eu e Fabrício. Quem a completa é Leonardo, nosso blogueiro e fotógrafo oficial.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Joaquim Nabuco: 100 anos

Um dos grandes personagens do período que compreende o Segundo Reinado e a Primeira República no Brasil, Joaquim Nabuco (1849-1910) é certamente figura destacada por sua atuação como político (deputado por Pernambuco) despotando como abolicionista, literato (co-fundador e autor do discurso inaugural na Academia Brasileira de Letras junto de Machado de Assis) autor de várias obras como biografia, livro de memorias e poesias, historiador e estadista, além de diplomata ligado ao Ministério das Relações Exteriores, na pessoa do Barão de Rio Branco (1845-1912).
E neste dia 17 em que se completam exatos 100 anos de sua morte, a ABL irá interromper seu recesso para dar início as atividades numa série de homenagens que ocorrerão no decorrer do ano, com missa na Igreja da Candelária no Rio de Janeiro e palestra proferida pelo ministro das Relações Exteriores Celso Amorin. O Congresso Nacional ano passado instituiu 2010 como Ano Nacional Joaquim Nabuco, quando também chegará as livrarias a obra com a correspondência do abolicionista, com autoria do Professor Anco Márcio Tenório Vieira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), fruto de pesquisas nos acervos da FUNDAJ - Fundação Joaquim Nabuco (www.fundaj.gov.br) e da ABL - Academia Brasileira de Letras (www.academia.org.br). Por conta do centenário, o caderno MAIS! da Folha de São Paulo de hoje é dedicada a ele com artigos assinados por renomados especialistas como o historiador e imortal José Murilo de Carvalho, além de outras matérias em destaque nas principais revistas semanais e jornais do país.
Vale destacar também o trabalho de Angela Alonso na obra "Joaquim Nabuco", lançado na série de biografias "Perfis brasileiros" pela Cia das Letras (2007, 354 págs. R$ 41,50).

"Biblioteca Municipal Murilo Mendes"

"A Biblioteca Municipal Murilo Mendes tem em seu acervo atualmente, um total de 46.997 livros, divididos entre a Sede (41.642) e a Sucursal de Benfica (5.335). Possui também um interessante acervo de jornais e revistas de circulação nacional e local. Estão ainda disponíveis livros na linguagem Braille e fitas cassete para deficientes visuais.
Todo o acervo é formado basicamente por doações da comunidade juizforana ou através de notórios intelectuais, dentre eles Affonso Romano de Sant´Anna.
Em dezembro de 2001, o Ministério da Cultura/Secretaria do Livro e da Leitura ampliou o acervo, através de expressiva doação (mais de 2.000 dois mil livros novos), abrangendo diversas áreas do conhecimento."
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sobre o Eclesiastes

“Há tempo para tudo...” vv. 1-8.

A já conhecida citação acima me parece, dentre tantas do Eclesiastes, bastante oportuna aos nossos dias, aliás, uma sugestão para outra reflexão: “o livro de nossas vidas”, o que é pertinente à leitura do livro bíblico, pois, segundo esse texto do Velho Testamento, “para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer...” Aqui, então, é o tempo para conduzir uma leitura a outra.
Escrito pelo rei Salomão, já no final de sua vida, o propósito do livro sugere que era o de remover o escândalo causado por ele com a sua idolatria e o seu afastamento de Deus, advertindo os mais jovens para que não cometessem os mesmos erros que outrora cometera. (Ec.7:29).
Então, mais do que alimentar uma variedade de superstições com vistas a um tempo que seja melhor, qual de nós está realmente comprometido com seu próprio tempo? Qual de nós conhece o sabor contínuo das horas que tem cada ciclo existencial? Talvez o desconhecimento desse ciclo faça com que tantos queiram buscar fora o que antes deve passar por dentro... Não fosse essa premente questão, o rei Salomão não teria refletido tanto sobre as vaidades...
Assim, acrescentando à sapiência de Haroldo de Campos que, em sua tradução (Editora Perspectiva, 2004 - coleção Signos n º13), procurou manter os jogos de palavras e aliterações do texto hebraico, de modo a “tornar hebraico o português", ocorre-me aqui pensar nos “jogos” de sentidos que confiro ao tempo, e um deles é o que me leva a perceber a realidade do tempo que vivo, para que assim, e consoante à sabedoria daquele rei de outrora, encontrar não outro tempo, mas sugerir o centro da realidade.

Ad Paulum