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domingo, 31 de julho de 2011

A Influência de Lessing em Goethe



A influência de Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781) na literatura alemã do século XVIII em diante é bastante grande. Sua obra, baseada nas diretrizes da Aufklärung alemã, forneceu um forte e decisivo impulso ao movimento Sturm und Drang, assim como marcou gerações posteriores, como a de Heinrich Wilhelm von Kleist (1777-1811), por exemplo. Especificamente em Goethe sua influência é notável. Um exemplo claro disso é o fato de que em uma cena final do romance de Goethe "Die Leiden des jungen Werthers"(Os sofrimentos do jovem Werther) de 1774, há uma referência direta à obra de Lessing "Emília Galotti", de 1772. De acordo com Karin Volobuef[1] o destino de Emília seria o mesmo que o de Werther na medida em que ambos têm suas expectativas pessoais frustradas e, diante da alternativa de ajustar-se às circunstâncias, optam pela libertação mais extrema.

Referência:
[1] Volobuef, K. (2010) Introdução. Em Lessing, G. E. (2010) "Emília Galloti". (Organização e tradução de Karin Volobuef. São Paulo:Hedra. (Obra originalmente publicada em 1772)

domingo, 13 de março de 2011

Emília Galotti - Gotthold Ephraim Lessing

Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781), poeta, dramaturgo, filósofo e crítico de arte alemão, é considerado um dos maiores representantes do Iluminismo (Aufklärung) na Alemanha e o fundador da dramaturgia alemã moderna.

Emília Galotti (título original: Emilia Galotti. Ein Trauerspiel in fünf Aufzügen) é uma peça trágica publicada em 1772. Apesar de se poder entender a obra como uma trágica história de amor, ela pode ainda ser vista em sua dimensão política e social, uma vez que contém uma denúncia contra a opressão e o abuso de poder, a corrupção e o sistema de privilégios, o absolutismo e a falta de liberdade que permeavam a realidade da Alemanha no século XVIII. Emília é a porta-voz da classe média (burguesia), cujos sentimentos e direitos civis são vitimados pela prepotência e luxúria dos nobres. Em conformidade com os ideais da Aufklärung, a peça defende valores como o respeito à individualidade, a igualdade entre todos, o direito à justiça. É possível também observar nesta obra uma contribuição decisiva ao estabelecimento do teatro alemão, enquanto estandarte de uma nova concepção estética. Em uma época em que a Alemanha sofria grande influência do modelo francês neoclássico, Lessing propôs-se a criar uma forma de tragédia que não fosse submissa ao modelo francês. Criou, assim, o conceito de “tragédia burguesa”, concepção que pretendia tornar o teatro um reflexo vivo do seu momento histórico e de sua realidade político-social. Ela se diferencia da tragédia da Antiguidade exatamente pela ambientação no meio social da classe burguesa e por ter em seu centro um conflito trágico marcado por esse ambiente social. As bases lançadas por Lessing forneceram impulsos decisivos aos dramaturgos do Sturm und Drang (Schiller, Goethe, Lenz) e gerações posteriores (Kleist, Hebbel, Hauptmann etc.)

Uma obra excelente, que mostra também a influência de Shakespeare – o qual Lessing admirava profundamente – sem perder, contudo, a grande originalidade.

Sinópse:

A história se desenrola em torno de Emília, cuja beleza desperta a paixão do príncipe Hetorre Gonzaga, o qual tem por hábito realizar seus desejos e caprichos sem restrições. Por conta desta paixão, o príncipe resolve interpor-se entre Emília e seu Noivo, o Conde Appiani, logo antes do matrimônio, elaborando planos, com a ajuda de seu camareiro Marinelli, para alcançar o seu objetivo.

Nota: Este texto foi elaborado a partir, principalmente, da introdução de Karin Volobuef, que traduziu a obra publicada pela Editora Hedra em 2010.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Heinrich Heine – Influências do Romantismo Alemão no Brasil


Christian Johann Heinrich Heine (1797-1856) foi um importante filósofo e poeta romântico alemão, fortemente influenciado pelo filósofo Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), sendo conhecido como “o último dos românticos.” Nascido na Alemanha, optou por passar grande parte da vida adulta na França. Ele viveu em um tempo de grandes mudanças políticas e sociais: A Revolução Francesa e as Guerras Napoleônicas, o que também influenciou seu pensamento. Era grande defensor do ateísmo, tratando a religião e Deus com jocosidade.

Depois de Johann Christoph Friedrich von Schiller e, sobretudo, de Johann Wolfgang von Goethe, foi a figura de Heine que imperou na lírica de língua alemã. Era dotado ao mesmo tempo de uma ironia natural e de talento para a lírica mais pura, quase capaz de passar por popular ou folclórica. Um de seus mais famosos poemas é “Die Lorelai”, musicada por Friedrich Silcher em 1837, e que se tornou uma das mais famosas canções alemãs. Boa parte de sua poesia lírica, especialmente a sua obra de juventude, foi musicada por vários compositores notáveis como Robert Schumann, Franz Schubert, Felix Mendelssohn, Johannes Brahms, Hugo Wolf, Richard Wagner e, já no século XX, por Hans Werner Henze e Lord Berners.

Através de sua obra, Heine exerceu profunda influência no Brasil, chegando, inclusive, a escrever sobre o tema da escravidão no país. No poema O Navio Negreiro, do original alemão Das Sklavenschiff, de 1853/54, o escritor alemão retrata a condição dos prisioneiros de um navio negreiro aportado no Rio de Janeiro. O poema foi base de inspiração para o escritor brasileiro Castro Alves, em seu poema também intitulado de O Navio Negreiro.

Heine foi admirado por diversos escritores brasileiros, entre eles Machado de Assis. Além de Machado, muitos outros também traduziram o escritor alemão, como o seu contemporâneo Gonçalves Dias e também Raul Pompéia, Alphonsus de Guimaraens, Fagundes Varela e Manuel Bandeira.

Duas publicações começam a recolocar em circulação no Brasil a obra de Heinrich Heine: O Rabi de Bacherach (tradução de Marcus Mazzari; Hedra; 128 páginas; 14 reais) traz, além da obra incompleta de ficção que lhe dá título, três artigos contra o ódio racial que o autor escreveu em 1840, por ocasião de perseguições contra a comunidade judaica de Damasco (parte, então, do Império Otomano), com o apoio direto do cônsul francês. Já Navios Negreiros (tradução de Priscila Figueiredo e Luiz Repa; SM; 80 páginas; 30 reais), além do célebre poema de Castro Alves, estampa em nova tradução a balada de Heine que, provavelmente vertida para o francês, inspirou o texto abolicionista do bardo baiano.

Você pode encontrar aqui o poema “Das Sklavenschiff “e outros poemas de Heine (em alemão, inglês e francês)

http://www.heinrich-heine.net/sklaved.htm

Vem, linda peixeirinha,
Trégua aos anzóis e aos remos.
Senta-te aqui comigo,
Mãos dadas conversemos.

Inclina a cabecinha
E não temas assim:
Não te fias do oceano?
Pois fia-te de mim.

Minh’alma, como o oceano,
Tem tufões, correntezas,
E muitas lindas pérolas
Jazem nas profundezas.

Heinrich Heine
(tradução de Manuel Bandeira)

"Orientalismo" de Edward Said

A obra reflete o brilhantismo de seu autor Edward Said (1935-2003), intelectual palestino que, radicado nos Estados Unidos, elaborou um dos estudos mais fundamentais acerca da cosmovisão que se fez e se tem do Oriente. A mesma que geralmente quando não refletida criticamente, reforça por isso estigmas e lugares-comuns, condenando-o as superficiais aparências recorrentes quando dele se trata. O mesmo Oriente que atualmente fervilha na potencial "Revolução", cujo contexto cultural onde valores e idéias como ciência, democracia, liberdade entre outros, parecem monopólio, quando não criações exclusivas do Ocidente, o que nem sempre se comprova ao conhecermos as raízes da civilização e cultura do Ocidente.
Aliás vale refletir criticamente sobre esta própria geo-bipolaridade do mundo sistematizada enquanto tal, do mesmo modo que como outras sistematizações, que deverão dar lugar a modelos mais próximos da realidade da vida porque justos e autênticos conforme às naturezas, e não as enquadradas nas tipologias entre os estigmas e imposições motivados não raro por interesses de variados tipos como revela o autor em sua primorosa análise.
A obra "Orientalismo" (2007, Cia de Letras, 528 págs, R$ 30,50) recém reenditada pela Cia das Letras na coleção Cia do Bolso, foi publicada em 1978 e se firmou como um dos texto basilares dos chamados "estudos pós-coloniais". Seu percurso abarca história, literatura, ciências políticas e sociais, as relações internacionais entre outras, e o tornou um dos clássicos indispensáveis para se entender o mundo moderno. Em particular os aspectos cruciais como a visão do outro quanto civilização e cultura, estes, cambiantes conforme as interpretações que deveriam se dar pelo que ainda carecemos: o honesto interesse em conhecer, acompanhado da corajosa abertura e disposição em diluir preconceitos ou supostas "verdades" constituídas por históricas distorções.

Sinopse:

"Neste livro de 1978, Edward W. Said mostra que o 'Oriente' não é um nome geográfico entre outros, mas uma invenção cultural e política do 'Ocidente' que reúne as várias civilizações a leste da Europa sob o mesmo signo do exotismo e da inferioridade. Recorrendo a fontes e textos diversos - descrições de viagens, tratados filológicos, poemas e peças, teses e gramáticas -, Said mostra os vínculos estreitos que uniram a construção dos impérios e a acumulação de um fantástico e problemático acervo de saberes e certezas européias. A investigação da origem e dos caminhos do Orientalismo como disciplina acadêmica, gosto literário e mentalidade dominadora, vai e volta do século XVIII aos dias de hoje, das traduções das 'Mil e uma noites' à construção do canal de Suez, das viagens de Flaubert e 'Lawrence da Arábia' às aventuras guerreiras de Napoleão no Egito ou dos Estados Unidos no golfo Pérsico."

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Shakespeare’s Globe" – London/ England


Theatre:

Shakespeare’s Globe Theatre is a faithful reconstruction of the open-air playhouse first built in 1599, where Shakespeare worked and for which he wrote many of his greatest plays. Each year audiences experience ‘the wooden O’ sitting in a gallery or standing as a groundling, just as they would have done 400 years ago. The annual theatre season runs from April to October, with 700 (£5) tickets available for every performance. Productions include work by Shakespeare as well as contemporary writers.

Theatre tours:

Throughout the year, a fascinating tour of the theatre is included in a visit to Shakespeare’s Globe Exhibition. The guiders bring this extraordinary space to life in a half-hour tour of the auditorium, with colourful stories of the 1599 Globe, the reconstruction process in the 1990s and how the auditorium works today as an maginative and experimental theatre space. During the matinee performances in the theatre visitors will be taken to the nearby site of Bankside’s first theatre: The Rose.

Exhibition:

Shakespeare’s Globe exhibition is the world´s largest and most comprehensive exhibition devoted to Shakespeare and the London in which he lived and worked. Housed beneath the Globe Theatre, the Exhibition uses modern technology and traditional crafts to bring Shakespeare’s world to life. Imagine the Globe as it would have been: the centre of what was once London’s most notorious entertainment district, surrounded by raucous taverns and bawdy-houses.

For full details about all activities at Shakespeare’s Globe visit:
http://www.shakespeares-globe.org/

sexta-feira, 18 de junho de 2010

"..."

"[...] também é deste modo que o destino costuma comportar-se connosco, já está mesmo atrás de nós, já estendeu a mão para tocar-nos o ombro [...]"
.
O Conto da Ilha Desconhecida, 1997

quinta-feira, 17 de junho de 2010

"Meditações" de Marco Aurélio

O contexto histórico do período em que o Marco Aurélio (121-180) viveu é definido, está na Roma imperial, e em condição social ímpar: é o imperador, adepto da filosofia estóica que orienta suas reflexões sobre os mais diversos temas: só desejar o que depende de si, os prazeres da boa mesa, do amor, a morte, a vida luxuosa, a glória fugidia, a aparente desordem governadora do mundo. Todos estreita e diretamente ligados à vida prática, isto é, como aplicar as lições dos sábios mestres? da filosofia?
Em "Meditações" ou "Pensamentos escritos" no grego original, (1995, Iluminuras, 120 págs., Diversas edições), Marco Aurélio expressa humildade do filósofo que contradiz a acusação costumeira feita aos estóicos, contrasta intensamente sua convicção da igualdade de todos os homens, depositários da razão divina e cidadãos do mundo, sendo ele o próprio o poderoso imperador. Na obra qualifica-se como alguém que está "avançando" a caminho da sabedoria, com impressionante e notável lucidez sem complacência de si, operando severo exame de consciência. A obra impressiona ainda mais considerando que vários de seus capítulos foram redigidos entre lutas acerbas nos campos batalhas, onde o imperador, refletia sobre a vida, raramente pensada em qualquer época com tanta profundidade e num meio tão singular. Suas idéias estóicas tornaram a obra algumas vezes próxima ou mesmo confundida com o Cristianismo (então nascente) contudo, a busca incessante pela libertação do homem das dores e prazeres do mundo material, será alcançada pela negação das emoções, assim como o homem, somente se tornará vulnerável se vítima de si mesmo, permitindo-se ser tomado pela sua própria reação. Marco Aurélio não expressa nem professa nenhuma fé religiosa particular, contudo, transparece crer numa força lógica que organiza o universo de modo que mesmo os acontecimentos danosos, estarão determinados à contribuirem para o bem do todo.
Sinopse:
"Marco Aurélio é conhecido como o 'imperador filósofo' que abraçou convictamente o estoicismo e tentou governar segundo seus preceitos. As Meditações versam sobre a brevidade da vida, o fluxo incessante do tempo, a vacuidade da fama, a proximidade e a inevitabilidade da morte e a instabilidade das coisas humanas."
Edições disponíveis de Meditações:

www.archive.org/

http://classics.mit.edu//Antoninus/meditations.html

www.slu.edu/colleges/AS/languages/classical/latin/tchmat/pedagogy/latinitas/ma/ma-index.htm

http://librivox.org/the-meditations-of-marcus-aurelius/

segunda-feira, 7 de junho de 2010

"Bellvm Civile - A Guerra Civil" de Julio Cesar

Em "Bellvm Civile - A Guerra Civil" (1999, Estação Liberdade, 312 págs., Trad. Antonio da Silveira Mendonça, R$ 49,80) de Julio Cesar (100-44 a.C.) a raríssima oportunidade de encontrarmos um autor e personagem central da história no registro dos episódios em que protagoniza. Ao registrar sua perspectiva, César atua como um "historiador militar" e ao mesmo tempo quase inaugura um gênero, um tipo de "memórias" no contexto bélico e, este, enquanto ainda se desdobra no calor dos acontecimentos.
A edição bílingue da Estação das Letras (Latim/Português) traduzida e comentada pelo primoroso trabalho de Antonio da Silveira Mendonça, fornecendo um rico material para latinistas, historiadores do período em aspectos como o antigo, militar e cultural.
Sinopse:
"Este contundente testemunho político e militar que aborda a luta dos anos de 49 e 48 a.C. pela supremacia de Roma, travada entre dois gigantes da História Antiga, Júlio César e Cneu Pompeu, apresenta uma narrativa repleta de lições preciosas sobre o uso (e desuso) da informação em notável maquiavelismo avant la lettre, como bem frisam valiosas notas de Antonio da Silveira Mendonça para esta tradução, e constitui talvez o primeiro exemplo de trabalho de marketing político visando à opinião pública no que em Roma havia de democracia direta. César (100-44 a.C.), exemplo de soldado ímpar, homem de Estado e escritor, notabilizou-se no exterior pela conquista e "pacificação" da Gália Transalpina e em Roma por uma atividade política febril apoiada nos populares, em oposição ao establishment capitaneado pela aristocracia. As posições irreconciliáveis entre os dois partidos levam à ruptura no inverno de 49 a.C., quando o Senado consegue atrair para suas hostes a figura de Pompeu, general de grande prestígio e ex-genro de César, seu antigo aliado. Uma vez conquistado o poder em Roma após a longa sucessão de confrontos dos quais este livro relata em grande parte, César introduziu reformas modernizantes de Estado, que viriam a coroar sua marca na História tanto quanto os sucessos bélicos, tornando-o detentor de imenso poder em toda a bacia mediterrânea. Mas, como a História não deixa de apreciar uma refinada ironia, o Imperator todo poderoso acabou assassinado em 44 a.C. aos pés da estátua do rival Pompeu, que sucumbira também ele sob golpes traiçoeiros aos final dos acontecimentos aqui narrados. O leitor terá a oportunidade de seguir os passos do general transformado em historiador, narrando a luta fatricida pelo poder nos quatro cantos do Mediterrâneo, na antiga Hispânia, na Gália (o famoso cerco de Marselha com sua impressionante parafernália de máquinas de guerra), na própria Itália, no Ilírico (onde Pompeu impôs dupla derrota a César), na Grécia, onde foi travada a batalha de Farsália, que entrou para a História não só porque colocou frente a frente cerca de 70 mil homens, mas porque consagrou o gênio militar de César, que teve de empregar todo seu talento estratégico e tático para derrotar um exército quase duas vezes mais numeroso. Sem esquecer o Egito da sedutora Cleópatra onde César, acuado mesmo após a morte de Pompeu, teve de provocar o trágico incêndio de Alexandria.Mas, verdadeira Fênix ressurgindo dos areais do norte da África, o campo de Pompeu ainda teria seus dias de glória, mormente numa península ibérica de ampla clientela pompeiana; lá, se não se colocasse aos berros e de espada em punho à frente de suas tropas extenuadas, dificilmente César teria revertido uma batalha quase perdida (Munda, 45 a.C.).

Mas isso já foge à abrangência deste Bellvm Civile, este revelador e ferinamente mordaz exercício de prosa de César, que seria assim avaliado por ninguém menos que Cícero em seu Brutus (75, 272): "Suas memórias (comentarii) são excelentes, despojadas, diretas, sem ornamentos, como um corpo a que se tiram as roupas. Querendo fornecer material aos futuros historiadores, agradou aos ineptos; aos sensatos, tirou a vontade de escrever."

O Editor

quinta-feira, 3 de junho de 2010

"Elogio da Loucura" de Erasmo de Rotterdam

A obra do mês é um ensaio escrito em 1501 por Erasmo de Rotterdam (1466- 1536). Conhecido como “Voltaire Latino” por suas críticas a Igreja Católica − sem, contudo, questionar a verdade desta doutrina −, Erasmo de Rotterdam objetiva promover uma “reforma” na vida religiosa, libertando-a do seu excessivo formalismo e ritualismo. Neste contexto, Elogio da loucura, satiriza as práticas rígidas e supersticiosas da vida religiosa, o desmedido racionalismo, a hipocrisia e a intolerância do comportamento humano. Na voz da loucura, que tece elogios a si mesma e se reconhece como o "motor oculto” das relações humanas, da religião, das artes e da ciência, Erasmo enaltece a emotividade da natureza humana, convidando seu leitor a observar as fraquezas e as insanidades como elementos constituintes desta natureza.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

"A cultura do Renascimento na Itália" de Jacob Burckhardt

Em "A cultura do Renascimento na Itália" (1991, Cia das Letras, Trad. Sérgio Tellaroli e Int. Peter Burke, 448 págs) do suíço Jacob Burckhardt (1818-1897), um dos melhores e mais completos ensaios que, ao mesmo tempo, possui surpreendente qualidade literária em meio a profunda e ampla análise do período. E por isso se firmou como obra de referência na História e historiografia sobre o período do Renascimento dos séculos XIV ao XVI.
A obra dividida em 6 partes (1) "O Estado como obra de arte", (2) "O desenvolvimento do indivíduo", (3) "O redespertar da antiguidade", (4) "O descobrimento do mundo e do homem", (5) "A sociabilidade e as festividades" e (6) "Moral e religião" resulta do extraordinário trabalho de Burckhardt, tornando-se obra de incontestável valor e referência-marco obrigatório a toda e qualquer outra ou trabalho ou pesquisa que trate do Renascimento italiano.

Sinopse:

"'A cultura do Renascimento na Itália', assinala um ponto crucial na historiografia moderna. Publicado em pequena tiragem em 1860, este livro viu sua importância crescer gradativamente, até se tornar, na virada do século, um texto fundamental de referência não só para historiadores, mas também para filósofos e críticos de arte. A Cultura do Renascimento na Itália, considerada a obra-prima de Burckhardt, assinala um ponto crucial na historiografia moderna. Publicado em 1860, este livro viu sua importância crescer gradativamente, até se tornar, na virada do século, um texto fundamental de referência não só para historiadores, mas também para filósofos e críticos de arte. O estilo fluente e expressivo de Burckhardt, sua concepção da historiografia como arte, sua confiança na própria intuição psicológica e estética, sua estraordinária capacidade de síntese foram decisivas para a geração que tentava se libertar das grandes tradições acadêmicas do século XIX, ou seja, o positivismo e o hegelianismo. Burckhardt recusava, da corrente positivista, a fé na coleta indiferenciada de pretensos dados objetivos; da tradição hegeliana, ainda que dela não recusasse o conceito de "espírito da época", o historiador suíço rejeitava a visão da história como progresso contínuo. Por isso, à narrativa diacrônica, Burckhardt prefere a pintura dos grandes afrescos, em que procura identificar os elementos de continuidade de períodos bastantes extensos. Neste ensaio, por exemplo, a história política, cultural e religiosa da Itália dos séculos XIV, XV e XVI é unificada por um fio condutor que nela identifica o surgimento do individualismo moderno, idéia central para muitas pesquisas posteriores, de Max Weber a Ernst Cassirer.A significativa influência de Burckhardt deveu-se também aos cursos que ele ministrou regularmente, primeiro em Zurique e depois na Basiléia, de 1855 até sua morte, em 1897. A suas aulas corriam alunos de todos os cantos da Europa - entre outros, Friedrich Nietzsche e Heinrich Wölfflin, o futuro fundador da escola crítica da "visibilidade pura".
Burckhardt foi um conferencista brilhante, tanto que Nietzsche afirma ter se entusiasmado pela primeira vez numa palestra graças a ele. A extrema vivacidade da escrita desta Cultura do Renascimento parece reter algo da fala encantatória daquelas aulas."

segunda-feira, 8 de março de 2010

"Confissões" de Santo Agostinho

Se em "Confissões" (2009, Vozes, 367 págs., R$ 51,40) Agostinho de Hipona (atual Argélia) ou Santo Agostinho (354-430) registrou reflexivamente seus desvios, erros e pecados, talvez não imaginasse com isso inaugurar o próprio "gênero confessional" com que influenciaria muitos outros pensadores, autores e escolas do pensamento na tradição ao longo ds tempos. Agostinho como pensador da Igreja do então nascente Cristianismo que lutava para se firmar ante as muitas doutrinas antigas e contemporâneas suas e, que com ele concorriam, nisto, de algum modo sincretizando e inserindo na doutrina cristã as influências e práticas que, posteriormente seriam objeto de cizânia e concílios em acerbas disputas. Aqui porém, trata-se de uma obra inteiramente de cunho pessoal ainda que sirva à fé católica apostólica romana (e a história do Cristianismo) registrando o desenvolvimento da própria Igreja quanto instituição em seu amadurecimento e pensamento filosófico. São diversos os livros-capítulos de inigualável e inestimável reflexão como o X "O encontro de Deus" e XI "O homem e o tempo" na parte II da obra.
A edição brasileira mais conhecida é feita pela Vozes num único volume (traduzido por J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina) e, dividido em duas partes, sendo a primeira com os livros I a IX e a segunda de X a XIII, é também elogiosa a editada pela Fundação Calouste Gulbenkian de Portugal.

terça-feira, 2 de março de 2010

Bíblia

Obra das mais significativas dentre as existentes por central e base de duas dentre as três grandes religiões monoteístas do mundo, o Judaísmo e o Cristianismo, a Bíblia (do grego biblo no plural livros ou, conjunto de livros, dai termos biblioteca) é talvez a obra mais editada em todos os tempos.
Até 1994 foram impressas 18 milhões de Bíblias completas, sendo 13,8 milhões de exemplares do Novo Testamento e, 48,4 milhões de trechos e 5,42 milhões de seleções de algumas passagens da obra, segundo dados oficiais, desde 1980 vende-se em média no Japão um milhão de Bíblias por ano, apesar de existirem somente 800 mil japoneses cristãos.
A Bíblia vem sendo estudada a séculos nos menores detalhes originando múltiplas interpretações (hermenêutica) das quais algumas, motivaram a cisão religiosa entre Oriente e Ocidente (séc. XI), além de no Ocidente, dissensões que levaram a Reforma Protestante (séc. XVI) na Europa.
São 1.328 os seus capítulos que possuem 40.030 versículos, suas palavras no texto original contam 773,692 e tem 3.566,480 letras. A palavra Javé (nome sagrado de Deus) aparece 6.855 vezes, já "Canaã" (nome primitivo da Terra Prometida), figura em 98 ocasiões desde o Gênese até o Apocalipse, composta ao longo de 1.100 anos sabe-se com precisão quem escreveu a maioria de seus livros e quando foram redigidos.
É também analisada por programas de computador e nisto, inspirando as mais diversas combinações e códigos que, supostamente, tentam decifrar muitas de suas passagens alegóricas e enigmáticas.
Quer seja como Escritura Sagrada, base da fé de milhões de fiéis ou, apenas um livro com profundas implicações em sua constituição de complexas estruturas onde se abrigam ciências, filosofias, culturas, línguas, culturas e tradições, a Bíblia segue como dos textos de maior perenidade.
E portanto significativa aos leitores além dos fiéis, como também estudantes, pesquisadores e cientistas não restritos ao mundo da fé e universo religioso, conferindo-lhe importância do clássico que é, influenciando outros tantos através dos tempos e culturas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

"A metamorfose" de Franz Kafka

Gregor Samsa é dos personagens da literatura moderna mais controvertidos. Para uns homem, para muitos, inseto (nisto equivocadamente tido como uma barata). Contudo o título é claro: trata-se de uma "metamorfose" do qual se deduz serem ambas as coisas ou então, nenhuma, considerando um ponto intermediário no processo de transformação do qual a indefinição, realmente, não permite situá-lo se thropos ou anthropos. Mas se em "A metamorfose" (Die Verwandlung), obra escrita em língua alemã pelo tcheco Franz Kafka (1883-1924) e, publicada em 1915, o título encerra bem a condição do personagem central da trama, esta, bem urdida em todos os aspectos e dos melhores romances do século XX. Surpreendentemente pequena como aliás são a maioria das obras de Kafka, a história acabou por ser converter num tipo de símbolo que por analogias ou metáforas, tornou-se recurso para exemplificar a condição do homem perante as agruras e absurdos do mundo às mais diversas ideologias que nele assentaram convenientes hermenêuticas para reforço de suas convicções político-panfletárias. Todavia como bem apraz a um clássico é realmente possível encontrar de tudo, além das marcas características da biografia do autor judeu, isolado numa Praga dividida, lúgubre, opressiva ainda mais pela tumultuada e conflitiva relação do autor com o próprio pai, por sua condição infeliz como advogado a quem só a "literatura interessava" e, tudo o mais, um "gerador de aborrecimentos".
Seja qual for a interpretação do leitor à parte suas motivações para lê-la, sempre me assombrou o fato de que uma tão bizarra transformação pudesse se transformar numa obra do vulto e importância tão significativa e reveladora da condição humana, incerta como a de um inseto no mundo de intensas e perenes metamorfoses.
No Brasil certamente a melhor tradução é a de Modesto Carone pela Cia das Letras.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"Declínio e queda do Império Romano" de Edward Gibbon

Se um clássico acaba por ser uma eleição pessoal de cada leitor com suas predileções, estas, nem sempre de acordo com os critérios das instituições acadêmicas ou com os números das vendagens desta ou daquela obra (o que necessariamente não a torna um clássico embora popular e sucesso editorial de vendas) o "The History of the Decline and Fall of the Roman Empire", escrito entre 1776 e 1788, pelo historiador inglês Edward Gibbon (1737-1794) com a edição brasileira de título "Declínio e queda do Império Romano" (Cia das Letras. 2003, 504 págs. Esgotado) certamente figura entre eles por várias razões. Aspectos como o uso inédito de fontes literárias e seu trato metodológico rigoroso (a arqueologia ainda não existia como tal) e em particular, pelo uso de uma argumentação lógica e racional na explicação dos eventos e fatos históricos centrados neste mundo, isto é, sem recorrer ao uso das explicações de natureza religiosa, divina. É tida por isso como a primeira obra histórica moderna. Fiel ao ceticismo crítico em sua análise, pensou o "objeto histórico" com maior isenção e cientificidade com a qual nem sempre foi favorável em suas reflexões, mesmo quando estas se voltavam para o cristianismo primitivo. O que claro, gerou controvérsias que desde então, se tornaram frequentes quando das muitas questões decorrentes dos encontros (e embates) entre as coisas da religião e da ciência. A obra que é monumental, extensa, não foi publicada completa no Brasil, o que não a torna menos interessante e "obrigatória" para os interessados em conhecer e ler um autêntico clássico.

Sinopse:

"Publicada em seis volumes, entre 1776 e 1778, esta obra, abrange três grandes períodos - da época de Trajano e dos Antoninos (c. 100 d.C.) à extinção do império romano do Ocidente, com a conquista de Roma por Alarico em 410; do reinado de Justiniano no Oriente ao estabelecimento do Sacro Império Germânico por Carlos Magno; e, por fim, do renascimento do império no Ocidente à tomada de Constantinopla. Abreviada e editada pelo especialista Dero A. Saunders, esta edição aborda principalmente o período inicial, o do progressivo enfraquecimento do império romano no Ocidente."

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

"O Príncipe" de Nicolau Maquiavel

Talvez nenhuma outra obra tenha conferido tão má fama a seu autor, Nicolau Maquiavel (1469-1527), e também, causado tanto furor ao longo da história como "O príncipe" (1513). Como último lance, tentado sem sucesso, para retornar à cena política florentina de onde fora alijado sob acusão de complô contra os Médici, acabou relegando a história um livro de incrível simplicidade por sua mensagem e propósitos, nos pequenos 26 capítulos que a compõe. A obra foi intensamente atacada e questionada, não raro até banida e proibida por instituições que iam de algumas monarquias à epoca e posteriores, além da Igreja romana, acabando por gerar mesmo um gênero particular "o anti-maquialvel", e posteriormente, ser adotado como "livro de cabeceira" por alguns. O mesmo que só reforça além do próprio predicado "maquiavélico", de caráter pejorativo, mas injusto quão impróprio, conforme se constata os que o lerem e o estudarem. O florentino versa um autêntico manual de como se deve fazer para conquistar e se manter no poder, isto claro, pode ser dito como uma obviedade redutora da obra que é muito mais, tanto quanto será a disposição e sensibilidade de quem a lê. E ao falar sobre repúblicas e principados que existem em detrimento de outros que de fato, nunca existiram, inaugura o chamado "realismo político". Contudo, a obra vai muito além evocando personagens históricos e relevantes à parte fatos e lances, muitos dos quais o autor se vale para exemplificar suas afirmações e justificá-las. O fato de impressionar ainda hoje, 500 anos depois, confirma sua vitalidade perene que o destaca desde sempre, não só pela ousadia da reflexão, mas sobretudo, pelo talento em registrar o que é, na realidade cotidiana, daquilo que parece ser e nunca o foi, isto, não necessariamente ficção, em qualquer nível, tema ou área onde a mesma incide e ocorre tomada não raro como "verdades" que o leitor "maquiavélico" ou não, deve ater-se em particular aos conceitos como virtù e fortuna, sem os quais como o próprio príncipe, não obterá êxito.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

"Os Ensaios" de Michel de Montaigne

Se é impossível definir em poucas palavras numa convencional resenha a obra "Os Ensaios" (Martins Fontes, 2002, 492 págs. R$ 78,90) de Michel de Montaigne (1533-1592), não menos imprescindível é conhecê-la, esta "floresta luxuriante" qual um imenso compêndio e repositório de sabedoria que em síntese, une e aproxima milênios de história, filosofia, antropologia, religião, direito e na pleiade de temas, áreas e assuntos. Todos perpassados por uma perspectiva singular e refletida por este tão privilegiado intelecto, por uma cabeça "que mais bem formada que cheia", habilitou este notável homem que na França do século XVI produziu uma obra extemporânea, inigualável e de perene sabedoria para todos os fins, situações e a qualquer tempo. A mesma é considerada fundadora do gênero ensaístico sendo ela o ensaio por excelência.
São encontradas diversas edições em língua portuguesa, talvez nenhuma superior a editada pela Martins Fontes que, seguiu a orientação metodológica rigorosa de Pierre Villey, uma das maiores autoridades no autor e obra, baseada na edição mais completa dos Ensaios com seus 3 volumes. Válida também a edição esgotada editada pela UnB.
Sinopse:

"Montaigne repassa, sempre a partir de sua experiência pessoal, a virtude, a cólera, a presunção, a crueldade, e muitas outras questões humanas fundamentais sobre as quais todos nos questionamos."

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

"Ilíada" de Homero



A Ilíada (do grego ΙΛΙΑΣ - ILIAS), poema épico grego que narra os acontecimentos ocorridos no período de pouco mais de 50 dias durante o décimo e último ano da Guerra de Tróia, onde estão a origem da cólera (μῆνις, mênis), de mítico Aquiles. O título da obra deriva de um outro nome grego para Tróia, ou Ílion.
A Ilíada e a Odisséia são de autoria atribuídas a Homero, ele próprio, de existência incerta como duvida-se de que seja autor de ambas obras, ele que se julga ter vivido por volta do século VIII a.c., na Jônia (atual Turquia) e constitui um dos mais antigos documentos literários gregos (e ocidentais) que chegaram nos nossos dias.
Das muitas e diferentes edições encontradas no país existem as versões adaptadas para o público infantil como "Ruth Rocha conta a Ilíada" de Ruth e Eduardo Rocha (2004, Cia das Letrinhas), José Angeli e Ivan Zigg (2002, Scipione), Bruno Berlendis de Carvalho e Andrés Sandoval (2007, Berlendis & Vertecch), as fragmentas e parciais como "Contos e lendas da Ilíada" de Jean Martin e Gilberto Miadaira (2006, WMF Martins Fontes), as integralmente traduzidas como a das primeiras e por isso rara edição dos Clássicos Jackson (1950) traduzida por Odorico Mendes com prefácio de Augusto Magne, de Frederico Lourenço (2005, Cotovia), além de comentada como a de Odorico Mendes e Salvio Nienkotter (2008, Ateliê) e edição bilígue, traduzida ou transcriada por Haroldo de Campos (1929-2003) em dois volumes (Arx, 2003).
Contudo destaca-se também a tradução integral e direta do grego feita por Carlos Alberto Nunes (1897-1990) editada e reeditada pela Ediouro, este, grande conhecedor da língua e cultura grega.
Há também algumas obras que investem na explicação e contextualização como "Ilíada e Odisséia de Homero" da série "Livros que mudaram o mundo" de Alberto Manguel e Pedro Maia Soares (2008, Jorge Zahar) e "A construção da Ilíada" de Donaldo Schüler (2004, L&PM).

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

"A Divina Comédia" de Dante Alighieri

A "Divina Comédia" (aprox. 1321) de Dante Alighieri (1265-1321) é a mais exaemplar obra que aborda e descreve a cosmologia o homem e período medieval que concebia divisão do universo em círculos concêntricos. Nascida originalmente Comédia, mais tarde acrescida do "Divina" por Boccaccio (1313-1375). Poema épico com aspectos teológico, literário, unindo o passado clássico e o mundo moderno de então, une como originalidade ímpar numa viagem espiritual narrativa imensa pleiade de ícones célebres dos tempos, a começar por Virgílio (70 a. C. -19 a. C.) guiando de Dante pelo Inferno, Purgatório até o Paraíso, mas com a presença de personagens mitológicos e de outras tantas da história. Nominada comédia não por sê-la no gênero de natureza cômica, mas pelo término feliz, contrastando em oposição ao gênero literário da tragédia, a mesma que foi pintada por pintores como Botticelli (1445-1510), Gustavé Doré (1832-1883) e Salvador Dalí (1904-1989) e celebrada direta e indiretamente em filmes, livros e canções. A obra foi concebida em dialeto toscano ou língua vulgar, à qual serviu como um padrão ao que hoje temos como língua italiana, contrariando à época o senso-comum que empregava do latim nas obras literárias. Foi um visionário e como tal, teve o exílio decretado de sua cidade, um dos muitos aspectos de sua vida tão célebre e fascinante quanto a própria obra.
A mesma que no Brasil foi estudada entre outros por Haroldo de Campos (1929-2003) em "Pedra e luz na poesia de Dante" (1998, Imago) assim o fizera em "6 cantos do Paraíso" (1976, Fontana) ganhando diversas traduções dentre as quais destacam-se a da editora Itatiaia (2006) com uma excelente introdução à obra, Cultrix (1996) e mais recentemente a bilíngue feita por Ítalo Eugênio Mauro, pela editora 34.
Há também uma versão infanto-juvenil adaptada para este público (2003, Scipione).
Vale conhecer também o "Por que ler Dante" de Eduardo Sterzi (2008, Globo), "Dante" de Hilário Franco Jr. (2000, Ateliê) e "Dante" de R. W. B. Lewis (2002, Objetiva), que ao retratarem o autor, abordam sua maior obra.
Acesse:
Domínio Público

Site dedicado a obra

www.stelle.com.br

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

"A origem das espécies" de Charles Darwin

Um dos textos clássicos da História da Ciência e não só por isso também clássico na História do pensamento e da cultura - "A Origem das espécies" ou "On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life" - (Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida) lançado em Londres, Inglaterra, em 1859, com a Teoria da Evolução, esta, base da Biologia.
Da história pessoal de seu autor Charles Robert Darwin (1809-1882) que se entrelaça com a própria obra, onde na teoria reconhece também a contribuição de Alfred Russel Wallace (1823-1913), a obra figura dentre as mais importantes da história, embora atualmente, mais pela áurea de relíquia quanto relevância histórico-científica, do que por sua cientificidade.
A obra causou imenso impacto no mundo, e talvez seja a mais revolucionária teoria pelas mudanças e alterações causadas nas diversas áreas e aspectos, que das ciências naturais, as humanas e sociais, alterou profundamente a compreensão do próprio homem e de seu lugar na História.
No Brasil, foi editada pela Ediouro (2004) e pode ser encontrada também por outras editoras.