

Referência:
[1] Volobuef, K. (2010) Introdução. Em Lessing, G. E. (2010) "Emília Galloti". (Organização e tradução de Karin Volobuef. São Paulo:Hedra. (Obra originalmente publicada em 1772)


Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781), poeta, dramaturgo, filósofo e crítico de arte alemão, é considerado um dos maiores representantes do Iluminismo (Aufklärung) na Alemanha e o fundador da dramaturgia alemã moderna.
Christian Johann Heinrich Heine (1797-1856) foi um importante filósofo e poeta romântico alemão, fortemente influenciado pelo filósofo Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), sendo conhecido como “o último dos românticos.” Nascido na Alemanha, optou por passar grande parte da vida adulta na França. Ele viveu em um tempo de grandes mudanças políticas e sociais: A Revolução Francesa e as Guerras Napoleônicas, o que também influenciou seu pensamento. Era grande defensor do ateísmo, tratando a religião e Deus com jocosidade.
Depois de Johann Christoph Friedrich von Schiller e, sobretudo, de Johann Wolfgang von Goethe, foi a figura de Heine que imperou na lírica de língua alemã. Era dotado ao mesmo tempo de uma ironia natural e de talento para a lírica mais pura, quase capaz de passar por popular ou folclórica. Um de seus mais famosos poemas é “Die Lorelai”, musicada por Friedrich Silcher em 1837, e que se tornou uma das mais famosas canções alemãs. Boa parte de sua poesia lírica, especialmente a sua obra de juventude, foi musicada por vários compositores notáveis como Robert Schumann, Franz Schubert, Felix Mendelssohn, Johannes Brahms, Hugo Wolf, Richard Wagner e, já no século XX, por Hans Werner Henze e Lord Berners.
Através de sua obra, Heine exerceu profunda influência no Brasil, chegando, inclusive, a escrever sobre o tema da escravidão no país. No poema O Navio Negreiro, do original alemão Das Sklavenschiff, de 1853/54, o escritor alemão retrata a condição dos prisioneiros de um navio negreiro aportado no Rio de Janeiro. O poema foi base de inspiração para o escritor brasileiro Castro Alves, em seu poema também intitulado de O Navio Negreiro.
Heine foi admirado por diversos escritores brasileiros, entre eles Machado de Assis. Além de Machado, muitos outros também traduziram o escritor alemão, como o seu contemporâneo Gonçalves Dias e também Raul Pompéia, Alphonsus de Guimaraens, Fagundes Varela e Manuel Bandeira.
Duas publicações começam a recolocar em circulação no Brasil a obra de Heinrich Heine: O Rabi de Bacherach (tradução de Marcus Mazzari; Hedra; 128 páginas; 14 reais) traz, além da obra incompleta de ficção que lhe dá título, três artigos contra o ódio racial que o autor escreveu em 1840, por ocasião de perseguições contra a comunidade judaica de Damasco (parte, então, do Império Otomano), com o apoio direto do cônsul francês. Já Navios Negreiros (tradução de Priscila Figueiredo e Luiz Repa; SM; 80 páginas; 30 reais), além do célebre poema de Castro Alves, estampa em nova tradução a balada de Heine que, provavelmente vertida para o francês, inspirou o texto abolicionista do bardo baiano.
Você pode encontrar aqui o poema “Das Sklavenschiff “e outros poemas de Heine (em alemão, inglês e francês)
http://www.heinrich-heine.net/sklaved.htm
Vem, linda peixeirinha,
Trégua aos anzóis e aos remos.
Senta-te aqui comigo,
Mãos dadas conversemos.
Inclina a cabecinha
E não temas assim:
Não te fias do oceano?
Pois fia-te de mim.
Minh’alma, como o oceano,
Tem tufões, correntezas,
E muitas lindas pérolas
Jazem nas profundezas.
Heinrich Heine
(tradução de Manuel Bandeira)
A obra reflete o brilhantismo de seu autor Edward Said (1935-2003), intelectual palestino que, radicado nos Estados Unidos, elaborou um dos estudos mais fundamentais acerca da cosmovisão que se fez e se tem do Oriente. A mesma que geralmente quando não refletida criticamente, reforça por isso estigmas e lugares-comuns, condenando-o as superficiais aparências recorrentes quando dele se trata. O mesmo Oriente que atualmente fervilha na potencial "Revolução", cujo contexto cultural onde valores e idéias como ciência, democracia, liberdade entre outros, parecem monopólio, quando não criações exclusivas do Ocidente, o que nem sempre se comprova ao conhecermos as raízes da civilização e cultura do Ocidente.
O contexto histórico do período em que o Marco Aurélio (121-180) viveu é definido, está na Roma imperial, e em condição social ímpar: é o imperador, adepto da filosofia estóica que orienta suas reflexões sobre os mais diversos temas: só desejar o que depende de si, os prazeres da boa mesa, do amor, a morte, a vida luxuosa, a glória fugidia, a aparente desordem governadora do mundo. Todos estreita e diretamente ligados à vida prática, isto é, como aplicar as lições dos sábios mestres? da filosofia?http://classics.mit.edu//Antoninus/meditations.html
www.slu.edu/colleges/AS/languages/classical/latin/tchmat/pedagogy/latinitas/ma/ma-index.htm
Em "Bellvm Civile - A Guerra Civil" (1999, Estação Liberdade, 312 págs., Trad. Antonio da Silveira Mendonça, R$ 49,80) de Julio Cesar (100-44 a.C.) a raríssima oportunidade de encontrarmos um autor e personagem central da história no registro dos episódios em que protagoniza. Ao registrar sua perspectiva, César atua como um "historiador militar" e ao mesmo tempo quase inaugura um gênero, um tipo de "memórias" no contexto bélico e, este, enquanto ainda se desdobra no calor dos acontecimentos.Mas isso já foge à abrangência deste Bellvm Civile, este revelador e ferinamente mordaz exercício de prosa de César, que seria assim avaliado por ninguém menos que Cícero em seu Brutus (75, 272): "Suas memórias (comentarii) são excelentes, despojadas, diretas, sem ornamentos, como um corpo a que se tiram as roupas. Querendo fornecer material aos futuros historiadores, agradou aos ineptos; aos sensatos, tirou a vontade de escrever."
O Editor
Em "A cultura do Renascimento na Itália" (1991, Cia das Letras, Trad. Sérgio Tellaroli e Int. Peter Burke, 448 págs) do suíço Jacob Burckhardt (1818-1897), um dos melhores e mais completos ensaios que, ao mesmo tempo, possui surpreendente qualidade literária em meio a profunda e ampla análise do período. E por isso se firmou como obra de referência na História e historiografia sobre o período do Renascimento dos séculos XIV ao XVI.
Se em "Confissões" (2009, Vozes, 367 págs., R$ 51,40) Agostinho de Hipona (atual Argélia) ou Santo Agostinho (354-430) registrou reflexivamente seus desvios, erros e pecados, talvez não imaginasse com isso inaugurar o próprio "gênero confessional" com que influenciaria muitos outros pensadores, autores e escolas do pensamento na tradição ao longo ds tempos. Agostinho como pensador da Igreja do então nascente Cristianismo que lutava para se firmar ante as muitas doutrinas antigas e contemporâneas suas e, que com ele concorriam, nisto, de algum modo sincretizando e inserindo na doutrina cristã as influências e práticas que, posteriormente seriam objeto de cizânia e concílios em acerbas disputas. Aqui porém, trata-se de uma obra inteiramente de cunho pessoal ainda que sirva à fé católica apostólica romana (e a história do Cristianismo) registrando o desenvolvimento da própria Igreja quanto instituição em seu amadurecimento e pensamento filosófico. São diversos os livros-capítulos de inigualável e inestimável reflexão como o X "O encontro de Deus" e XI "O homem e o tempo" na parte II da obra.
Obra das mais significativas dentre as existentes por central e base de duas dentre as três grandes religiões monoteístas do mundo, o Judaísmo e o Cristianismo, a Bíblia (do grego biblo no plural livros ou, conjunto de livros, dai termos biblioteca) é talvez a obra mais editada em todos os tempos.
Gregor Samsa é dos personagens da literatura moderna mais controvertidos. Para uns homem, para muitos, inseto (nisto equivocadamente tido como uma barata). Contudo o título é claro: trata-se de uma "metamorfose" do qual se deduz serem ambas as coisas ou então, nenhuma, considerando um ponto intermediário no processo de transformação do qual a indefinição, realmente, não permite situá-lo se thropos ou anthropos. Mas se em "A metamorfose" (Die Verwandlung), obra escrita em língua alemã pelo tcheco Franz Kafka (1883-1924) e, publicada em 1915, o título encerra bem a condição do personagem central da trama, esta, bem urdida em todos os aspectos e dos melhores romances do século XX. Surpreendentemente pequena como aliás são a maioria das obras de Kafka, a história acabou por ser converter num tipo de símbolo que por analogias ou metáforas, tornou-se recurso para exemplificar a condição do homem perante as agruras e absurdos do mundo às mais diversas ideologias que nele assentaram convenientes hermenêuticas para reforço de suas convicções político-panfletárias. Todavia como bem apraz a um clássico é realmente possível encontrar de tudo, além das marcas características da biografia do autor judeu, isolado numa Praga dividida, lúgubre, opressiva ainda mais pela tumultuada e conflitiva relação do autor com o próprio pai, por sua condição infeliz como advogado a quem só a "literatura interessava" e, tudo o mais, um "gerador de aborrecimentos".
Se um clássico acaba por ser uma eleição pessoal de cada leitor com suas predileções, estas, nem sempre de acordo com os critérios das instituições acadêmicas ou com os números das vendagens desta ou daquela obra (o que necessariamente não a torna um clássico embora popular e sucesso editorial de vendas) o "The History of the Decline and Fall of the Roman Empire", escrito entre 1776 e 1788, pelo historiador inglês Edward Gibbon (1737-1794) com a edição brasileira de título "Declínio e queda do Império Romano" (Cia das Letras. 2003, 504 págs. Esgotado) certamente figura entre eles por várias razões. Aspectos como o uso inédito de fontes literárias e seu trato metodológico rigoroso (a arqueologia ainda não existia como tal) e em particular, pelo uso de uma argumentação lógica e racional na explicação dos eventos e fatos históricos centrados neste mundo, isto é, sem recorrer ao uso das explicações de natureza religiosa, divina. É tida por isso como a primeira obra histórica moderna. Fiel ao ceticismo crítico em sua análise, pensou o "objeto histórico" com maior isenção e cientificidade com a qual nem sempre foi favorável em suas reflexões, mesmo quando estas se voltavam para o cristianismo primitivo. O que claro, gerou controvérsias que desde então, se tornaram frequentes quando das muitas questões decorrentes dos encontros (e embates) entre as coisas da religião e da ciência. A obra que é monumental, extensa, não foi publicada completa no Brasil, o que não a torna menos interessante e "obrigatória" para os interessados em conhecer e ler um autêntico clássico.
Sinopse:
"Publicada em seis volumes, entre 1776 e 1778, esta obra, abrange três grandes períodos - da época de Trajano e dos Antoninos (c. 100 d.C.) à extinção do império romano do Ocidente, com a conquista de Roma por Alarico em 410; do reinado de Justiniano no Oriente ao estabelecimento do Sacro Império Germânico por Carlos Magno; e, por fim, do renascimento do império no Ocidente à tomada de Constantinopla. Abreviada e editada pelo especialista Dero A. Saunders, esta edição aborda principalmente o período inicial, o do progressivo enfraquecimento do império romano no Ocidente."
Talvez nenhuma outra obra tenha conferido tão má fama a seu autor, Nicolau Maquiavel (1469-1527), e também, causado tanto furor ao longo da história como "O príncipe" (1513). Como último lance, tentado sem sucesso, para retornar à cena política florentina de onde fora alijado sob acusão de complô contra os Médici, acabou relegando a história um livro de incrível simplicidade por sua mensagem e propósitos, nos pequenos 26 capítulos que a compõe. A obra foi intensamente atacada e questionada, não raro até banida e proibida por instituições que iam de algumas monarquias à epoca e posteriores, além da Igreja romana, acabando por gerar mesmo um gênero particular "o anti-maquialvel", e posteriormente, ser adotado como "livro de cabeceira" por alguns. O mesmo que só reforça além do próprio predicado "maquiavélico", de caráter pejorativo, mas injusto quão impróprio, conforme se constata os que o lerem e o estudarem. O florentino versa um autêntico manual de como se deve fazer para conquistar e se manter no poder, isto claro, pode ser dito como uma obviedade redutora da obra que é muito mais, tanto quanto será a disposição e sensibilidade de quem a lê. E ao falar sobre repúblicas e principados que existem em detrimento de outros que de fato, nunca existiram, inaugura o chamado "realismo político". Contudo, a obra vai muito além evocando personagens históricos e relevantes à parte fatos e lances, muitos dos quais o autor se vale para exemplificar suas afirmações e justificá-las. O fato de impressionar ainda hoje, 500 anos depois, confirma sua vitalidade perene que o destaca desde sempre, não só pela ousadia da reflexão, mas sobretudo, pelo talento em registrar o que é, na realidade cotidiana, daquilo que parece ser e nunca o foi, isto, não necessariamente ficção, em qualquer nível, tema ou área onde a mesma incide e ocorre tomada não raro como "verdades" que o leitor "maquiavélico" ou não, deve ater-se em particular aos conceitos como virtù e fortuna, sem os quais como o próprio príncipe, não obterá êxito.
Se é impossível definir em poucas palavras numa convencional resenha a obra "Os Ensaios" (Martins Fontes, 2002, 492 págs. R$ 78,90) de Michel de Montaigne (1533-1592), não menos imprescindível é conhecê-la, esta "floresta luxuriante" qual um imenso compêndio e repositório de sabedoria que em síntese, une e aproxima milênios de história, filosofia, antropologia, religião, direito e na pleiade de temas, áreas e assuntos. Todos perpassados por uma perspectiva singular e refletida por este tão privilegiado intelecto, por uma cabeça "que mais bem formada que cheia", habilitou este notável homem que na França do século XVI produziu uma obra extemporânea, inigualável e de perene sabedoria para todos os fins, situações e a qualquer tempo. A mesma é considerada fundadora do gênero ensaístico sendo ela o ensaio por excelência.
A Ilíada (do grego ΙΛΙΑΣ - ILIAS), poema épico grego que narra os acontecimentos ocorridos no período de pouco mais de 50 dias durante o décimo e último ano da Guerra de Tróia, onde estão a origem da cólera (μῆνις, mênis), de mítico Aquiles. O título da obra deriva de um outro nome grego para Tróia, ou Ílion.
A "Divina Comédia" (aprox. 1321) de Dante Alighieri (1265-1321) é a mais exaemplar obra que aborda e descreve a cosmologia o homem e período medieval que concebia divisão do universo em círculos concêntricos. Nascida originalmente Comédia, mais tarde acrescida do "Divina" por Boccaccio (1313-1375). Poema épico com aspectos teológico, literário, unindo o passado clássico e o mundo moderno de então, une como originalidade ímpar numa viagem espiritual narrativa imensa pleiade de ícones célebres dos tempos, a começar por Virgílio (70 a. C. -19 a. C.) guiando de Dante pelo Inferno, Purgatório até o Paraíso, mas com a presença de personagens mitológicos e de outras tantas da história. Nominada comédia não por sê-la no gênero de natureza cômica, mas pelo término feliz, contrastando em oposição ao gênero literário da tragédia, a mesma que foi pintada por pintores como Botticelli (1445-1510), Gustavé Doré (1832-1883) e Salvador Dalí (1904-1989) e celebrada direta e indiretamente em filmes, livros e canções. A obra foi concebida em dialeto toscano ou língua vulgar, à qual serviu como um padrão ao que hoje temos como língua italiana, contrariando à época o senso-comum que empregava do latim nas obras literárias. Foi um visionário e como tal, teve o exílio decretado de sua cidade, um dos muitos aspectos de sua vida tão célebre e fascinante quanto a própria obra.Site dedicado a obra
Um dos textos clássicos da História da Ciência e não só por isso também clássico na História do pensamento e da cultura - "A Origem das espécies" ou "On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life" - (Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida) lançado em Londres, Inglaterra, em 1859, com a Teoria da Evolução, esta, base da Biologia.Palimpsesto (do grego antigo παλίμψηστος / "palímpsêstos", πάλιν, "de novo" e ψάω, "riscar", ou seja, "riscar de novo") designa um pergaminho ou papiro cujo texto foi eliminado para permitir a reutilização. Esta prática foi adoptada na Idade Média, sobretudo entre os séculos VII e XII, devido ao elevado custo do pergaminho. A eliminação do texto era feita através de lavagem ou, mais tarde, de raspagem com pedra-pomes. A reutilização do suporte de escrita conduziu à perda de inúmeros textos antigos, desde normas jurídicas em desuso a obras de pensadores gregos pré-cristãos. A recuperação dos textos eliminados tem sido possível em muitos casos, através do recurso a tecnologias modernas. (Fonte: Wikipédia)