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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ernest Hemingway (1899-1961)


Abro o jornal [1] e me vejo na obrigação de postar sobre outro cinquentenário de falecimento, desta vez o do escritor norte-americano Ernest Hemingway, comemorado hoje. Ao contrário de Céline, porém, a quem me referi em postagem feita ontem, Hemingway não se inclui entre os escritores malditos, sendo mesmo considerado um "modelo de escritor moral" [2]. 

Tendo viajado por Europa e África atrás de aventuras, o escritor estadunidense foi testemunha ocular das duas Guerras Mundiais e da Guerra Civil Espanhola. As atrocidades desta última motivaram a publicação do prestigiado romance Por quem os sinos dobram (de 1940) que chegou a ser adaptado para o cinema e tem sido interpretado como o relato de um escritor comprometido/engajado.

O autor foi um dos grandes escritores dos Estados Unidos, com uma obra prolífica, sobretudo contos, que lhe rendeu prêmios de grande valor, destacando-se o Pulitzer de 1953 - pela novela O velho e o mar - e o Prêmio Nobel recebido em 1954. A popularidade de Hemingway pode ser medida, por exemplo, pela comemoração chamada "Hemingway Days", uma série de eventos que ocorre no final do mês de julho - a partir do dia 21, data de nascimento do escritor.

Aqui no país, a obra de Hemingway é editada pela Bertrand Brasil, selo do grupo editorial Record, que mantém em seu catálogo, entre outros, os seguintes títulos: Do outro lado do rio, entre as árvores (336p., R$ 43,00); O sol também se levanta (272p., R$ 39,00) e Adeus às armas (352p., R$ 43,00). 

Referências:

[1] Victor, Fabio. (2011, 2 de julho). Caçada a Hemingway. Folha de São Paulo. Ilustrada, p. E6. 

[2] Fernandez, Alfonso. (2011, 1 de julho). Há meio século morria o escritor Ernest Hemingway.  O Estado de São Paulo [versão eletrônica]. Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,ha-meio-seculo-morria-o-escritor-ernest-hemingway,739405,0.htm

Observação: Postagem feita, originalmente, em 02/07/2011

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

"Silogismos da amargura", de Emil Cioran

Publicado originalmente em 1952, Silogismos da amargura é hoje um dos títulos mais traduzidos de Emil Cioran, ao contrário do que se poderia esperar diante da reação fria que suscitou inicialmente. 

Trata-se de obra que se debruça sobre diversos temas: a linguagem., o tempo, o Ocidente, a religião e a história, entre outros. Apesar do título, não se pode dizer que Cioran tenha escrito silogismos "puros" ou categóricos, visto que falta a boa parte das frases enfeixadas no volume aquela precisão de raciocínio que se espera deste tipo de argumento lógico. Algumas dessas frases, por exemplo, chegam a flertar com a poesia: "Entediar-se é mascar tempo" ou "Todas as águas são cor de afogamento".

Para finalizar, vale destacar o que diz o próprio autor sobre a obra em carta enviada ao tradutor brasileiro [1]: "Estes Silogismos, publicados em 1952, passaram durante muito tempo despercebidos. Desde que apareceram em edição de bolso, seduziram os jovens. Só uma geração desiludida poderia se entusiasmar por uma visão tão negativa da história. Só da história? Da existência em geral. É preciso ter a coragem de reconhecer que a vida não resiste a uma interrogação séria e que é difícil, e mesmo impossível, atribuir um sentido ao que visivelmente não comporta um".

[1] CIORAN, E. Carta ao tradutor, In: CIORAN, E. Silogismos da amargura. Tradução de José Thomaz Brum. Rio de Janeiro: Rocco, 2011

Emil Cioran (1911-1995)


A seguir apresentamos um resumo biográfico sobre o  pensador romeno Emil Cioran, autor da obra do mês. O texto foi retirado do site oficial do filósofo - http://www.cioran.eu/ (site multilíngue)

"O romeno Emil Cioran nasceu no pequeno vilarejo de Rasinari, situado na região da Transilvânia, em 8 de abril de 1911. Segundo filho de um casal de religiosos (seu pai era um cura Ortodoxo e sua mãe, líder da comunidade de religiosas locais), teve uma infância feliz e pacata pelos bosques e campos da região, ao qual, na sua maturidade iria se referir como sendo o "paraíso", e o qual foi forçado a abandonar, logo cedo, para iniciar os estudos em um Liceu na cidade próxima de Sibiu-Hermannstadt. Anos depois, transfere-se para Bucareste, onde ingressa na Faculdade para estudar Filosofia e Letras.

Sua juventude foi marcada basicamente por dois fatos, que repercutiram profundamente em sua vida e obra posteriores. Por um lado, a intensa crise de insônia que o consumiu durante anos a fio, quase chegando a levá-lo ao suicídio - e da qual resultou sua primeira obra, escrita ainda em romeno, Pe Culmile Disperarii ("Nos Cumes do Desespero"). Por outro, seu envolvimento com a Guarda de Ferro, movimento político de extrema direita que defendia a libertação da Romênia e possuía caráter fortemente anti-semita, pelo qual Cioran veio posteriormente a se arrepender de ter-se deixado seduzir.

Em 1937, decide mudar-se para Paris com a intenção inicial de desenvolver uma tese sobre Bergson (que nunca terminou), e acaba por instalar-se lá definitivamente. Após seis livros escritos em romeno e publicados em seu país de origem, Cioran adota então o francês como língua oficial: o Précis de Decomposition ("Breviário de Decomposição"), publicado em 1949 pela Gallimard e marco inaugural de sua conversão lingüística, rende-lhe, dois anos depois, o prêmio Rivarol (tendo no júri nomes ilustres como André Gide e André Maurois), o primeiro e último que aceitou.

Considerado por alguns o maior prosador da língua francesa desde Paul Valéry, e chamado pela crítica, entre outras coisas, de 'pensador crepuscular', 'arauto do pessimismo', 'cínico fervente', 'cavaleiro do mau-humor', Cioran se dedicou a falar sobre os temas que o preocuparam e atormentaram ao longo da vida: a solidão, o tédio, a morte, o sofrimento, o ceticismo e a fé, Deus e o problema do mal. Caminhando nas fronteiras entre a filosofia, a religião, a literatura e a história, deixou uma contundente obra que está em fina sintonia com o itinerário de sua vida, marcada pelo trágico e o irônico, o incompleto e o fragmentário, o paradoxal e o absurdo. Alguns de seus títulos são: Syllogismes de L´amertume ("Silogismos da Amargura"), L´inconvénient D´Être Né ("O Inconveniente de Ter Nascido"), La Chute Dans Le Temps ("A Queda no Tempo"), La Tentation D´Exister ("A Tentação de Existir"), Histoire et Utopie ("História e Utopia") e Ecartèlement ("Despedaçamento"). Cioran faleceu em Paris, no dia 20 de junho de 1995, acometido de Alzheimer."

Além do pequeno resumo acima, recomendamos ainda uma série de cinco pequenos vídeos que estão no Youtube e que formam parte de um documentário dedicado a Cioran, cujos links apresentamos a seguir: 

sábado, 31 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011

Ao longo de 2011 o grupo seguiu com os encontros mensais para discussão das obras lidas. Embora o predomínio continue sendo de prosadores ocidentais, tivemos a oportunidade de velejar por outros mares, lendo autores russos e um indiano e um clássico romano. A lista completa das obras lidas está abaixo. Na medida do possível, incluí informações adicionais, como quem indicou a obra para leitura:


"Contos Exemplares", de Sophia de Mello Breyner Andresen - 15/01/2011, por indicação de Guadalupe Vieira

"Pais e Filhos", de Ivan Turgeniev - 19/02/2011, por indicação de Paulo Tostes

"A invenção de Morel", de Adolfo Bioy Casares - 19/03/2011, por indicação de Fabrício Tavares

Obra do Ano - 1° encontro: "Crime e Castigo", de Fiódor Dostoiévski - 16/04/2011

Obra do ano - 2° encontro: "Crime e Castigo", de Fiódor Dostoiéviski - 21/05/2011

"Livro e Liberdade", de Luciano Cânfora - 18/06/2011, por indicação de Leonardo Rosa

"Correspondência Goethe / Schiller" - 16/07/2011

"Os sofrimentos do jovem Werther", de Goethe - 20/08/2011

"O Gitanjali", de Rabindranath Tagore - 24/09/2011, por indicação de Ailton Augusto

"Bartebly", de Herman Melville - 22/10/2011, por indicação de Fabrício Tavares

"O alienista", de Machado de Assis - 19/11/2011, por indicação de Ailton Augusto

"Meditações", de Marco Aurélio - 17/12/2011, por indicação de Paulo Tostes

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Marco Aurélio (121-180)


"Marco Aurélio nasceu em 121 A.D., filho de Ânio Vero e Domícia Lucila. A família, de raízes espanholas, dera ilustres magistrados a Roma. Educado em casa, por um preceptor, estudou Homero, Hesíodo e os trágicos; aprendeu a música e a dança; recebeu lições de pintura de Diogneto, adepto do estoicismo, e de retórica do erudito Frontão, a quem se ligou por uma afeição respeitosa e duradoura. Aos quinze anos, celebrou noivado com a filha de Cômodo; o casamento, porém não se realizou. Em fevereiro de 138, o imperador Trajano adotou Antonino como filho; a esposa deste, Faustina, era tia de Marco Aurélio, que, ao completar 18 anos, foi nomeado questor e, sendo órfão de pai, foi adotado por Antonino. Trajano faleceu pouco depois e Antonino Pio ascendeu ao trono. No ano seguinte, Marco Aurélio Vero foi eleito cônsul; aos 24 anos desposou Faustina, filha de Antonino, passando, aos poucos, a assumir as responsabilidades do governo, que o sogro lhe ia transferindo. Morrendo Antonino em 161, sucedeu-o no trono, aos 40 anos, com o nome de Marco Aurélio Antonino; adotou, por sua vez, a Lúcio Vero, a quem deu a mão de sua filha Ânia Lucila. Morto o genro, associou ao governo, em 177, seu próprio filho Cômodo, vindo a falecer três anos depois.

Seu reinado não foi tranquilo; perturbaram-no os bárbaros fronteiriços, os partas invadindo a Armênia, os germanos a Récia, o Nórico, a Panônia e chegando até Aquiléia. Enquanto isso, grassava peste na Itália. Seguem-se penosas campanhas para pacificação das fronteiras, contra os marcomanos, os quados, os sármatas, os iáziges. Entrementes, em 175, o legado da Síria, Avídio Cássio, apoiado por Antioquia e Alexandria, proclamou-se imperador, pretextando a morte de Marco Aurélio. Suas próprias legiões o destruíram ao certificar-se do logro. Para demonstrar que não guardava ressentimentos contra quem dera apoio ao impostor, Marco Aurélio empreendeu uma viagem ao Oriente, onde lhe faleceu a esposa; em seguida, visitou a Grécia. Teve, depois, de reprimir novo surto de expansão do cristianismo, em 177, e teve distúrbios na Germânia. No acampamento à margem do Savo, na Panônia, contraiu o tifo e morreu.

A despeito de tantas dificuldades, desenvolvera atividade benéfica na administração, amparara os pobres e protegera os intelectuais.

Carecia, evidentemente, de lazeres para a literatura; cultivava, contudo, o hábito pitagórico do exame de consciência diário e o de meditar constantemente os dogmas do catecismo de Epicteto. O fruto dessas reflexões, bem como o registro de fatos e princípios para ulterior meditação, constituem o seu livro, composto em Grego com o título Tá eis Heautón, As Notas de Uso Próprio, que os tradutores preferem substituir por Pensamentos, Máximas, Reflexões, Meditações, Solilóquios etc., todos nomes que servem, mas nenhum que satisfaça plenamente."

BRUNA, Jaime. Introdução. In: MARCO AURÉLIO. Meditações. Introdução, tradução e notas de Jaime Bruna. São Paulo: Cultrix, 1989.

* Crédito da imagem: http://ucrj.com.br/2011/03/marco-aurelio-o-imperador-filosofo/, acesso em 09/12/2011