sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010

Nesta postagem agrupamos as obras lidas pelo grupo no ano de 2010. Em seu segundo ano de vida, o grupo avançou em leituras de outros gêneros, ao mesmo tempo que manteve as linhas gerais de 2009, valorizando prosadores ocidentais.

Como na postagem referente a 2009, também incluímos o nome de quem indicou as obras e as editoras que as publicaram. Houve casos em que foram lidas edições de editoras diferentes e/ou em mais de uma língua. Isso também está indicado, mas a recuperação de todos os dados ainda deve levar algum tempo, pelo que pedimos antecipadas desculpas.

16/01/2010

Obra lida: Eclesiastes, atribuído a Salomão, no Antigo Testamento. Indicação de Leonardo Rosa.

Este encontro merece uma descrição mais detalhada: foi a primeira vez que o grupo se reuniu em um lugar público (até então os encontros tinham acontecido só nas casas dos integrantes) e também foi a primeira vez que se discutiu uma obra classificada como “religiosa”, fato que abriu espaço para uma fecunda troca de ideias entre os participantes, inclusive depois do encontro.

20/02/2010

Obra lida: Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes Saavedra. Indicação de Ivan Bilheiro em março de 2009 como obra do ano.

Este encontro teve a participação dos membros do grupo de leituras Prazer da Leitura, também de Juiz de Fora. Para este encontro, foi usada uma quantidade considerável de edições, sendo que a maioria delas está indicada no blog. Em português a mais utilizada foi a da Editora 34 (em dois volumes) e a da Real Academia Española foi a escolhida por aqueles que quiseram ler o original em castelhano.

20/03/2010

Obra lida: Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes Saavedra. Indicação de Ivan Bilheiro em março de 2009 como obra do ano. Como no encontro anterior, participaram os membros do grupo de leituras Prazer da Leitura.

17/04/2010

Obra lida: Uma breve introdução à Filosofia, de Thomas Nagel (Martins Fontes) – indicada por Monalisa Lauro.

15/05/2010

Obra lida: O cavaleiro inexistente, de Ítalo Calvino (Companhia das Letras, selo Companhia de Bolso) – indicada por Cíntia Marcellos.

19/06/2010

Obra lida: Elogio da Loucura, de Erasmo de Roterdam (L&PM, Martins Fontes) – indicada por Monalisa Lauro.

Neste encontro também foi comunicado o afastamento de dois dos membros do grupo (Ailton Augusto e Diego Leite) por motivo de participação em intercâmbio estudantil. O grupo não fez nenhuma exigência específica para a manutenção do vínculo durante a ausência, mas os “membros em missão internacional” mantiveram-se ativos através de postagens no blog, as quais podem ser lidas no marcador Relatos de Viagem. O pedido de afastamento também colocou para o grupo a questão da participação via internet.

17/07/2010

Obra lida: A metamorfose, de Franz Kafka (Cia. das Letras) e sua adaptação para quadrinhos por Peter Kuper – indicadas por Leonardo Rosa.

21/08/2010

Obra lida: Frankenstein, de Mary Shelley (L&PM) – indicada por Monalisa Lauro.

18/09/2010

Obra lida: A dama do cachorrinho (conto), de Anton Tchekov (editado no volume A dama do cachorrinho e outros contos, editado pela Editora 34) – indicada por Cíntia Marcellos

16/10/2010

Obra lida: neste mês o grupo optou por ler um corpus de obras de Anton Tchekov, seguindo indicação de Monalisa Lauro. Foi interessante a intenção do grupo de aprofundar na obra de um autor, indicando obras suas para dois encontros seguidos, fato que aponta para a possibilidade futura de fazer blocos de encontros temáticos.

20/11/2010

Obra lida: Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke (L&PM) – indicada por Cíntia Marcellos.

18/12/2010

Configurando o início de uma tradição, também neste segundo ano de trabalhos o grupo optou por produzir um texto escrito. A proposta em 2010 era de que cada um escrevesse um texto de até duas páginas no qual os autores e/ou personagens das obras lidas até agora interagissem com os participantes do grupo. Algumas das produções estão publicadas aqui no blog.

Para que ninguém se esqueça

Para que as aspirações de um ano novo não se percam nos votos trocados nestes dias, é bom lembrar das promessas feitas pela presidente eleita, Dilma Rousseff, para as áreas de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia. Dentre elas, está o aumento dos investimentos públicos em educação (7% do PIB), a erradicação do analfabetismo, um piso salarial nacional para os professores, além da concessão de diversas bolsas de estudo. Na área da Cultura, a implantação do polêmico Vale Cultura, o fortalecimento da indústria do audiovisual e o aperfeiçoamento dos mecanismos de financiamento da área. Quanto à Ciência e Tecnologia, pode-se esperar pela inclusão digital a partir da implantação de redes de banda larga em todo o país, além da transformação do Brasil em potência científica e tecnológica, a expanção de recursos para pesquisa e ampliação das bolsas Capes e CNPq.

Não me perguntem como isso será possível com esse orçamento, mas a acreditar na onda do "nunca antes na história deste país", vale a pena estar atento para cobrar pelo prometido.

A lista completa das promessas de campanha está no jornal O GLOBO.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

"Google Zeitgeist 2010"

"Zeitgeist" (espírito do tempo em idioma germânico) é também um serviço do Google que lista os termos mais buscados a cada ano, tanto por países específicos quanto a nível mundial.
E neste 2010, eles foram os seguintes no ranking mundial:

1) ChatRoulette (site de bate-papo randônico por vídeo);
2) O termo "IPad" (tablet da Apple);
3) Justin Bieber (o cantor).

Os termos mais procurados no Brasil foram:

1) Larissa Riquelme (musa paraguaia que se destacou durante a última Copa do Mundo da FIFA;
2) Formspring;
3) Justin Bieber;
4) BBB2010,
5) Enem 2010.

A novidade deste ano fica por conta da categorização de interesses sociais emergentes.
Na ordem destes, os cinco primeiros termos mais buscados são:

1) BBB2010;
2) Justin Bieber;
3) tabela da Copa;
4) eleições 2010;
5) Enem 2010 inscrições.

Também é possível acompanhar as tendências das pesquisas regional e globalmente no site.
Acesse:

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

"Minirrevista Literária Contando e Poetizando"

Escrevo este texto após receber pelo Correio a décima sétima edição da "Minirrevista literária contando e poetizando", na qual publico por segunda vez um dos meus (pseudo)poemas.

A intenção não é promover a minha produção literária, mas antes indicar a existência desta minirrevista. Idealizada pelo advogado paulistano-carioca Marcos Toledo, a Contando e Poetizando recebe trabalhos de todo o Brasil, sem nenhum ônus para quem queira publicar o texto. A única exigência é a de que os autores se atenham ao tema sugerido para a edição na qual pretendem publicar.

Após a edição da minirrevista, Marcos envia um exemplar para seus amigos e para os colaboradores e o envio também é gratuito, fato que chama a atenção para a ausência da intenção de lucro. A característica mais marcante e que, creio, é o norte deste projeto é a de constituir um espaço onde os autores que estão surgindo possam fazer a divulgação de seu trabalho, já que as grandes editoras ainda estão longe de dedicar atenção aos escritores amadores.

Para os que desejem publicar na minirrevista, o contato de Marcos Toledo é: mcatoledo@ig.com.br

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

"O Carossel", de Rainer Maria Rilke

Cada vez há menos motivos para reclamar de falta de opção de boa literatura para crianças. Saiu há pouco pela Berlendis & Vertecchia Editores o livro de poesias O Carrossel (1907), de Rainer Maria Rilke, que inaugura a coleção Prima Rima. O objetivo da coleção é levar alguns poetas fundamentais para o público infanto-juvenil, em edições bilíngues, com traduções de qualidade e ilustrações atrativas. Em O carrossel, Rilke brinca com as palavras, cores, movimentos e sensações, e leva o leitor a vivenciar a passagem do tempo em um carrossel. Passa animal, passa gente e, a cada nova volta, aparece o elefante branco, mostrando que mais uma volta se completou. A obra foi traduzida por Juliana P. Perez, com o apoio do Goethe-Institut, e conta com ilustrações da francesa Isabel Pin. Também está no forno da editora uma tradução de A Fiança, de F. Schiller.

Clarice na cabeceira

Receber um presente é muito bom, mas receber um presente inesperado é melhor ainda... E, foi com esse misto de surpresa e imprevisto que me chegou às mãos como presente de aniversário atrasado, um exemplar de “Clarice na cabeceira”. O livro traz vinte crônicas de Clarice Lispector comentadas por personalidades do cenário cultural como estudiosos, escritores e artistas.
De leitura fácil e agradável, o livro é para ser lido de um fôlego só e traz verdadeiros achados. Crônicas deliciosas que só uma escritora do seu quilate poderia escrever, em um misto da profundidade de sua obra, com a rapidez que a crônica requer. Ferreira Gullar comenta uma crônica no livro, definindo a escritora de maneira primorosa: “ (...) o que Clarice efetivamente foi, o que fazia dela uma pessoa única e exasperada, era sua patética entrega ao insondável da existência – e a necessidade de escrever, de tentar incansavelmente dizer o indizível, mas certa de que, ao torná-la dizível, o dissiparia.”
Confesso que Clarice me toca. E, como ela mesma afirmava a relação com a literatura passava por essa emoção de ser tocada por um texto, um parágrafo ou mesmo uma frase que vinha de sua imaginação. Desde a faculdade, quando conheci mais de perto esse universo, identifiquei-me com sua escrita, sendo capaz de eleger “Uma aprendizagem ou livro dos prazeres” um dos melhores livros que já li. Enigmático e surpreendente, assim como a própria autora.
Ter Clarice na minha cabeceira tem sido dormir embalada por alguma coisa muito boa, que não consigo definir exatamente... Ainda mais quando leio crônicas tão deliciosas como “Das vantagens de ser bobo”, da qual deixo apenas um pequeno trecho, para que entendam do que estou falando: “Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás, não se importam que saibam que eles sabem. Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!”
E, como boba que sou, continuo amando Clarice.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Para nossos caros leitores (2)

Na primeira postagem, colocamos uma seleção de músicas e nesta uma seleção de textos.
Com nossos melhores votos para este 25/12, esperamos que vocês gostem.

1. http://www.casadobruxo.com.br/poesia/c/prosa16.htm

2. http://www.releituras.com/cmeireles_compras.asp

La alegoría y el relato histórico en la prosa paraguaya contemporánea: "General, General", de Lincoln Silva

Uma das matérias mais interessantes que fiz no intercâmbio foi o Seminario de Lecturas de Literaturas Latinoamericanas. Sendo optativa, essa disciplina podia receber alunos de outras carreiras, alunos de diferentes períodos do professorado em Língua e Literatura e, de quebra, enfocar autores e literaturas que normalmente não formam parte do programa de estudos destes alunos como, por exemplo, a literatura brasileira, fato que já foi comentado aqui no blog. Embora eu conheça razoavelmente a literatura brasileira, as outras unidades trabalhadas foram instâncias de descobrimento para mim. A seguir coloco uma resenha que escrevi (em castelhano) sobre uma obra de literatura paraguaia: General, General, de Lincoln Silva (foto).

           Uno de los rasgos principales de la literatura paraguaya es el hecho de volcarse sobre los acontecimientos históricos del país y General General no es una excepción a esa regla. Lo que sí distingue esta novela es la técnica de composición utilizada por el autor, que busca ocultar tras una escritura alegórica una contundente crítica al gobierno dictatorial del general Stroessner. Cabe aclarar que esa novela se la publicó por primera vez en 1975 y que Paraguay vivió bajo una dictadura entre los años de 1955 y 1989.
La disimulación de la crítica es lograda a través del uso del elemento mítico, el cual configura una alegoría y, a través de ella, no sólo sostiene la narración sino también cuenta la Historia de Paraguay desde una perspectiva crítica.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

"O táxi do conhecimento" *

No Cairo uma iniciativa interessante de promoção da leitura começou a ser implementada. Chamada de "táxi do conhecimento", ela é bastante simples: colocar livros nos bancos traseiros dos táxis para incentivar a leitura como maneira dos passageiros "se distraírem" dos engarrafamento da caótica capital egípcia e que leva as pessoas a perder até duas horas diárias dentro de um táxi. É um projeto audacioso em um país onde 58% dos adultos sabem ler e escrever e o analfabetismo ainda atinge parcela considerável da população.

No automóvel de Abdel Ghany, de 58 anos, os primeiros exemplares desta biblioteca ambulante são dois livros do jornalista egípcio Omar Taher, que recorre à sátira para denunciar a política nacional e retratar o desejo de liberdade da nova geração. Para o taxista, a iniciativa já é "um sucesso" que o levou a solicitar à livraria contos infantis para as famílias que entram em seu táxi, além de guias e mapas em inglês para os turistas.

Será que essa idéia poderia ser reproduzida nas grandes cidades brasileiras, onde os cidadãos também enfrentam grandes engarrafamentos e, além disso, não possuem hábito de leitura, apesar de um índice de analfabetismo mais baixo que o egípcio? Na eventualidade da idéia ser copiada, que livros os táxis poderiam levar?

* Texto escrito com informações da Agência EFE, divulgada pelo Yahoo Notícias, no link: http://br.noticias.yahoo.com/s/09122010/40/entretenimento-taxis-egipcios-oferecem-biblioteca-ambulante.html

Para nossos caros leitores

Caros leitores,

nós do Palimpsestos escolhemos algumas músicas de nossa preferência e gostaríamos de dedicá-las a vocês, leitores do nosso Blog, e também desejar-lhes um feliz natal e um ano novo repleto de felicidades e sucessos.




Um grande abraço a todos vocês,
Palimpsestos

"British Museum" - London/ England

Founded in 1753, the British Museum's remarkable collection spans over two million years of human history. Visitors can travel the world and experience the collections from Africa, Asia, Europe, the Americas and the Ancient World, including iconic objects such as the Rosetta Stone, the Parthenon sculptures, the Lewis Chessmen and Egyptian mummies. Enjoy you visit.

www.britishmuseum.org

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

"Cartas a Margarita e Jorge Camacho", de Reinaldo Arenas

A editora Point de Lunettes publica agora em espanhol um conjunto de cartas trocadas pelo escritor e dissidente cubano Reinaldo Arenas (1943-1990) sob o título de Cartas a Margarita e Jorge Camacho. Enviadas entre 1967 e 1990 é a primeira vez que são publicadas em espanhol. Os destinatários das cartas foram um casal de pintores - os Camacho - que o escritor conheceu em Havana, em 1967.

Arenas, que se suicidou em 7 de dezembro de 1990, deixa entrever em suas cartas o sofrimento por que passou por desistir do apoio ao regime castrista e, somada a isto, sua condição de homossexual. Também é possível ler sua preocupação com o destino de seus escritos, por causa da repressão da polícia cubana.

Também por causa dos vinte anos de falecimento do autor, a editora Tusquets voltou a publicar seu romance autobiográfico Antes Que Anoiteça.

Revista Manuscrítica

A Revista Manuscrítica, publicada desde 1990, é o principal periódico do Brasil, em crítica genética. Ela se ocupa dos estudos sobre os processos de criação e é editada pela Humanitas. Está aberta a chamada para contribuições para os números 20 e 21 da revista, que dialoguem ou trabalhem diretamente com a crítica genética, com a criação artística ou científica, ou com análise de documentos de processo nas mais diversas linguagens. A próxima contribuição será para o dossiê sobre “Tradução” – nº 20 e para o dossiê “Teatro” – nº 21. A revista aceita também artigos, resenhas e entrevistas com temática livre. Os textos devem ser enviados exclusivamente por e-mail para o endereço manuscritica@gmail.com
Atenção para as datas: recebimento até dia 21 de março de 2011 (para o nº 20) e 13 de junho de 2011 (para o nº 21).

Oportunidade para um pequeno desespero


Sai agora em dezembro o livro "Oportunidade para um pequeno desespero" (Martins Fontes), que é constituído de 26 histórias recolhidas de fragmentos dos romances, contos e diários de Kafka e ilustrados por Nikolaus Heidelbach. No entanto, o ilustrador alemão não se envereda pelas já comuns ilustrações dos pesadelos labirínticos e burocráticos do escritor, mas cria, através de suas belas ilustrações, um clima de irrealidade sutil: bela e insólita ao mesmo tempo.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Promoção "Dê livros de presente e ganhe o seu livro brinde!"

Antes que alguém especule, não estou ganhando nada para fazer propaganda, mas gostei bastante das opções do catálogo da Editora Hedra e fiquei ainda mais satisfeita ao descobrir essa promoção.
É bem simples, a cada R$ 50,00 em compras pelo site você escolhe um livro brinde dentre as opções disponíveis. Simples assim!
Como não faltam amigos-oculto por aí nessa época, acho que a dica é boa.

sábado, 18 de dezembro de 2010

"Entrevista com Edgar Allan Poe"

Entrevista com Edgar Alan Poe, sobre O corvo, publicada no Graham’s Magazine em 1848, por Peter Button Baudelaire.

1- O que inspirou o senhor a escrever O corvo?

Primeiro foi um corvo que vi voando junto à varanda da minha casa, quando eu tinha uns 20 anos... Só 15 anos depois, numa noite fria de dezembro, do ano de 1848, me veio novamente a lembrança daquele corvo...

2- Mas, tanto tempo depois, a cena continuou tão viva assim?

- Sim, como ainda o vejo agora, à sua direita.

3- É mesmo? (risos). Bom, parece que o corvo sempre viveu por aqui... Mas, enfim, como o senhor qualifica o texto O corvo? Trata-se de um conto ficcional, ou, melhor dizendo, da descrição literária de um momento de sua vida? O que é?

- O editor se referiu ao texto como um poema gótico; então, quem conhece meus textos pode considerá-lo assim. O que existe de instigante no texto é que se pode partir em várias direções como um corvo: ele percorre o mundo. Não vejo um gênero que deva ser enquadrado, como habitualmente. Ele é a matéria do mundo e ampliada por mim.

4 – Aproveitando o que o senhor disse, num trecho do poema ou conto ou como queira, está escrito: “[...] E a sossegá-lo eu repetia: É um visitante e pede abrigo. Chegando tarde, algum amigo está a bater e pede abrigo. É apenas isso e nada mais”. Então é isso? É o mundo como um amigo que lhe bate a porta e lhe pede um abrigo?

Um encontro inusitado


Decerto que aquela, era a experiência mais surreal pela qual eu tinha passado, mas o fato é que o grupo de leituras Palimpsestos recebia a visita de um ilustre escritor, que se candidatava ao posto de membro efetivo do grupo. E, naquela tarde fria de primavera em Juiz de Fora, reunidos na casa de Fabrício, todos os membros do grupo discutiam antes da chegada do candidato, como se daria esse processo. 
- Como é de conhecimento geral, o citado escritor precisa passar pelo estágio probatório! bradava Leonardo.
- Mas mesmo que o escritor em questão seja esse do qual estamos falando? eu retrucava.
- Não me importo, que seja até o Papa, mas as regras são claras e estão no Regimento Interno. Por falar nisso, você já leu o Regimento? Porque as regras ali servem para ser aplicadas! dizia Leonardo. 
Enquanto eu e Leonardo discutíamos acerca da natureza e da necessidade da entrevista, Fabrício, Ailton, Diego e Paulo davam suas opiniões e todos tentavam chegar a um acordo sobre a melhor forma de entrevistar o famoso escritor. Mas eram Cíntia e Monalisa que lembravam do inusitado da situação. 

Sobre niilistas e panteístas





   Estava concluída afinal a construção daquele prédio. Adornado com ogivas góticas, colunas jônicas e vitrais românicos. Para quem olhasse de relance, aquele bloco maciço de pedra se assemelharia com uma sinagoga. No entanto, afiando um pouco mais o olhar, o observador contemplaria uma catedral de influência jesuítica. E por fim, aos mais curiosos e ousados que adentrassem naqueles umbrais mestiços, o interior da construção se revelaria um panteão que esplende no frio e inerte mármore o vulcão canalizado das sensuais formas divinas.
  Observando, anestesiado, aquela miscelânea arquitetônica, o jovem Wasprício se virou e perguntou ao dono daquela obra que cosia em um só corpo diversos movimentos estéticos:
- Léocifer, até entendo que queiras encontrar a paz morando como um eremita nesses prados solitários, no entanto, não compreendo o motivo de mesclar formas arquitetônicas tão distintas em um só bloco.
- Tu não entendes jovem Wasprício, pois é muito novo e ainda não foste calejado pelos nocautes que a vida nos dá. Mas a pureza que tu persegues só conduz ao nada. Se querer encontrar o Absoluto como eu, deves procurar todas as experiências humanas e espirituais que puderes: só assim encontrarás a face divina.
- Tudo bem, mas consegues enxergar aquele amontoado de ruínas do outro lado daquela montanha?
 - Não.

Die Reise/ A Viagem


Die Reise

Einst gab es einen Jungen, dessen Name war Diego. Der aber wollte wissen was der Mensch ist. Viele befragte er dazu, doch niemand konnte ihm eine treffende Antwort geben. So entschied sich Diego dazu, eine Reise zu machen, um die Antwort auf seine Frage zu finden. Also ging er aus dem Süden in die Richtung der Heißländer. Dort traf er auf eine sehr schöne und nette Frau. Ihr Name war Verrücktheit. Diese wunderbare Frau war wirklich froh über die Ankunft des Jungen, und so befahl sie fünf Kühe zu opfern, um diesen besonderen Moment mit einer großen Grillparty und vielen alkoholischen Getränken zu feiern. Danach sagte sie ihm, obwohl sie betrunken war, was er von ihr hören wollte: „Der Mensch, mein Junge, braucht einen Wunsch in seinem Leben, sowie Lust und vor allem Leidenschaft“. Dies sprach sie zu ihm und noch ein paar ähnliche Dinge. Diese Antwort fand Diego interessant, aber er war nicht wirklich zufrieden mit ihr. Es war ihm nicht genug. Er dachte, dass die Menschen heute etwas wollen können, heute etwas mögen können oder sich heute in etwas verlieben können und den darauf folgenden Tag schon anders wollen, mögen oder lieben können. Diego fand diese Antwort nicht ausreichend, weil er sich nicht auf etwas Unbeständiges verlassen kann. Deswegen fuhr er nach den Kälteländern des Nordens. Als er dort ankam, traf er den Nicht Existierenden Reiter. Das Treffen war dem Reiter eine große Überraschung, jedoch zeigte er kein Gefühl der Überraschung. Eigentlich zeigte er keine Gefühle im allgemeinen. Man konnte nicht behaupten, dass er froh war, aber er war wirklich sehr höflich und hilfreich. Der Reiter antwortete also vorsichtig: „Der Mensch braucht Mathematik, Logik und Berechnung in seinem Leben“. „Aber wirklich nur das?“ fragte Diego. „Ja, natürlich, genau das und sonst nichts“. Diego aber war dies auch nicht genug. Der Mensch war für ihn viel mehr als das. Also ging er weiter seines Weges, um eine Antwort auf seine Frage zu finden...

A Viagem

Outrora havia um jovem, cujo nome era Diego. Ele queria muito saber o que é o homem. Ele perguntou para muitas pessoas, mas ninguém pode lhe dar uma resposta precisa. Então, Diego decidiu fazer uma viagem com a finalidade de descobrir a resposta para sua pergunta. Dessa forma, ele foi para o sul, na direção das terras quentes. Lá ele encontrou uma bela e simpática mulher, seu nome era Loucura. Essa mulher maravilhosa ficou realmente feliz por causa da chegada do jovem e então mandou sacrificar cinco vacas para comemorar esse momento especial, com um grande churrasco e muitas bebidas alcoólicas. Depois disso, ela lhe disse, apesar de estar bêbada, o que ele queria ouvir: “O Homem, meu jovem, precisa de desejo em sua vida, assim como prazer e, sobretudo, paixão” disse ela junto com algumas outras coisas semelhantes. Essa resposta Diego achou interessante, mas ele não ficou realmente contente com ela. Isso não foi o bastante para ele. Ele pensou que um homem poderia desejar algo hoje, poderia gostar de algo hoje ou poderia se apaixonar por algo hoje, e no dia seguinte poderia já desejar, gostar ou se apaixonar por algo diferente. E Diego não achou essa resposta suficiente, porque ele não podia confiar em algo que está sempre mudando. Por isso, ele partiu para as terras frias do norte. Quando ele chegou lá, encontrou o Cavaleiro Inexistente. O encontro foi uma grande surpresa para o cavaleiro, contudo ele não demonstrou nenhum sentimento de surpresa, na verdade, nenhum sentimento em geral. Não se pode dizer que ele estava feliz, mas ele foi realmente muito educado e solícito. O cavaleiro então respondeu prudentemente: “O homem precisa apenas de matemática, lógica e cálculo em sua vida”. “Mas realmente apenas isso?” perguntou Diego. “Sim, claro, exatamente, e nada mais”. Diego não ficou, contudo, satisfeito com isso também. O homem para ele era muito mais do que isso. Então ele continuou seu caminho, com a finalidade de encontrar uma resposta para sua pergunta...


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Ein besonderer Dank an Steffen Achenbach. Er korrigierte den Text für mich.

Um agradecimento especial a Steffen Achenbach. Ele corrigiu o texto para mim.

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Steffen Achenbach schreibt auf der folgenden Website:

Steffen Achenbach escreve no seguinte Website:

http://www.steffen-achenbach.de/

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*Nota: O texto foi escrito originalmente em alemão e depois feita a tradução para o português.

Carta ao Palimpsestos

Estimado Palimpsestos,
pelo sincero esforço dos senhores em colocardes-vos a serviço de vossos próprios pensamentos, tomo a liberdade de encaminhar-vos minhas saudações e algumas recomendações.
Agrada-me saber que meus escritos tenham sido dignos da atenção de vossas senhorias e causado grande impacto em vossos espíritos a ponto de cogitardes a possibilidade de serdes proclamados amigos do Schop. A favorável impressão que expressais acerca da temática de meu pequeno livro é uma prova de que formardes uma boa opinião da sinceridade de meu caráter e da relevância do que me aflige. Essa harmonia de pensamentos, contudo, leva-me a concluir que entre vós também se observa uma literatura decadente, essencialmente orientada para o consumo apressado e sumario de novidades e impulsionada pela busca de beneficio próprio, reconhecimento social e necessidades financeira.
Por acreditar que o estilo ambíguo, prolixo, desleal também se tornou predominante em vossa terra, e no intuito de alertar-vos quanto às armadilhas desse estilo, gostaria de deixar aqui alguns conselhos. Sejais, antes de tudo, intolerantes às obras ruins. Desmerecer o que é ruim é uma obrigação, pois não podemos destinar nosso escasso tempo de leitura a obras que definham o espírito humano. O tempo de leitura é curto e precioso, portanto, deve ser cuidadosamente reservado para o que é bom. É justamente isto que quero dizer em Sobre a leitura e os livros, quando afirmo que para ler o que é bom uma condição é não ler o que é ruim. Mas não os esqueçais de que um livro é apenas a impressão do pensamento de um autor. A leitura sempre impõe ao espírito pensamentos que lhe são alheios, por isso não subordinais vossos próprios pensamentos à leitura. Estou longe de querer dizer com isto que não se deve ler, mas sim que não se deve simplesmente ler. É preciso conquistar e incorporar ao espírito o que é lido, fazendo a leitura um encontro harmonioso das ocasiões externas e internas. Não esqueçais, portanto, de dedicar um tempo ao cultivo de seus próprios caminhos e à vivência da leitura a partir dos seus próprios olhos.
Com estes conselhos em mente, finalmente não temais a vossa ingenuidade em assuntos, pois ela reflete vossa autenticidade, espontaneidade e vosso esforço em pensar de forma clara e concisa.
de vosso Schopenhauer.

Um encontro literalmente literário

Já está se tornando uma tradição no grupo a realização de produções escritas para os encontros do mês de dezembro. No ano passado tínhamos de escrever para um autor, lido ou não pelo grupo e alguns de nós publicaram aqui no blog. Em 2010 tínhamos a tarefa de imaginar um encontro do grupo com participação ou de personagens ou de autores de obras lidas até aqui. Foi um prazer dificultoso escolher quem incluir no texto, mas o resultado o vão avaliar os leitores. Espero que gostem.


É o último encontro do ano. O grupo chega ao final de 2010 com uma bagagem razoável de leituras e com projetos para o ano que vai começar. Saio de casa curioso pela revelação dos nomes do amigo oculto, mas o voo rasante de uma ave agourenta prenuncia que este encontro terá algo diferente.

Carta a alguns jovens leitores


Prezados Senhores,
 
       Foi com surpreendente alegria e em meio a dias de esquecimento que soube de uma pequena reunião de leitores que dedicara algum tempo a minha despretensiosa obra. E, curiosamente, começando por minhas cartas, trocadas ao longo de uns poucos anos com o Sr. Kappus – um bom rapaz, afligido simultaneamente pelas tolices da juventude e pelas profundezas de uma sincera reflexão. Inspirou-me por muitas vezes com suas dúvidas e com sua atitude sincera frente àquilo que muitos ditos poetas já esqueceram ou quiçá souberam – o verdadeiro valor da poesia em vidas tão breves como as nossas.



     

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

"WikiLeaks"

Enquanto o mundo acompanha os desdobramentos constrangedores decorrente das divulgações feitas pelo portal WikiLeaks, que tem entre seus idealizadores o australiano Julian Assange, vale ir além do mero noticiário e conhecer esta organização destinada a divulgação de informações e conteúdos que muitos governos e Estados gostariam de manter longe do conhecimento público.
É igualmente válido refletir sobre o status da democracia no mundo e, em particular, nos países que pretensamente a defendem com ênfase no "direito da liberdade de expressão", ainda que naturalmente existam limites éticos que não podem ser confundidos com interesses particulares ou específicos.
Estes, muitas vezes mais usados para acobertar fatos nada éticos e, menos ainda democráticos, do que os princípios da liberdade e outros valores que o mundo civilizado reconhece como imprescindíveis.
Acesse (enquanto ainda é possível):

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ENTREVISTA: "Crianças estão mais 'antenadas', mas não perderam gosto pela fantasia"

Marcelo Manhães, autor de literatura infanto-juvenil, acredita que é mais difícil escrever pra crianças do que para adultos. Isso porque em sua opinião, a criança percebe quando há algo forçado, sendo necessário “entrar” no universo infantil. Fio condutor de suas obras, a ecologia é tema recorrente presente nos livros “O Jequitibá”, “O Peixe”, “Ladrão de Nuvens”, “Tartaruga Verde da Cara Rosada” e “O Urso Polar”. Além de escrever, Manhães também ilustra suas histórias, que possibilitam a conscientização em relação à preservação do meio ambiente, sem deixar de lado a fantasia, a imaginação e o inusitado. O blog Palimpsestos entrevistou esse juizforano para saber mais do seu fazer literário.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

"Natal sem fome de leitura"

Por iniciativa da Estante Virtualinstituições que se trabalham com incentivo à leitura receberão doações de livros. Essa doação está vinculada às vendas dos livreiros cadastrados no site: para cada livro comprado, com pagamento digital, nos dias 16 e 17 de dezembro, a Estante Virtual enviará um livro para uma instituição.

Para conhecer as instituições que serão beneficiadas e saber mais sobre este projeto, acesse o blog da Estante

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

"Tate" - London / England


Tate Modern is the national gallery of international modern and contemporary art from 1900. The turbine hall on Level 1 is a great place to start your visit. You can buy tickets for special exhibitions at the Ticketing and Information Centre.

www.tate.org.uk

sábado, 11 de dezembro de 2010

Seleção de livros legais da Editora Hedra

Procurando um presente para um amigo oculto, achei vários livrinhos legais do catálogo da Editora Hedra. O primeiro deles é a coletânea "Contos Húngaros", que reúne dez contos de nomes expressivos da literatura húngara como Gyula Krúdy (1878-1933), Dezsö Kosztolányi (1885-1936), Géza Csáth (1887-1919) e Frigyes Karinthy (1887-1938), e fornece um panorama muito interessante da prosa húngara do início do século XX. Talvez eu não devesse dizer, mas a introdução do livro, escrita por Nelson Asher, está disponível na internet...
O outro livro que chamou minha atenção foi "A saga dos Volsungos", uma obra anônima islandesa do séc. XIII que apresenta, em linhas gerais, a mesma lenda que se encontra no épico alemão medieval Canção dos Nibelungos. Traduzido pela primeira vez para o português e direto do islandês por Théo de Borba Moosburger, o livro influenciou e inspirou escritores e artistas como Blake, Walter Scott, Stevenson, William Morris, o compositor Wagner, J. L. Borges e J. R. R. Tolkien. Como já faz um tempo que tenho vontade de ler a Canção dos Nibelungos, gostei automaticamente deste livro.
Um outro que me agradou foi "Viagem em volta do meu quarto", de Xavier de Maistre. O livro foi publicado pela primeira vez no final do século XVIII e é uma versão irônica e reflexiva da prisão domiciliar vivida pelo autor, que resolve fazer da escrita do texto uma oportunidade de viagem. Segundo a sinopse, de uma forma especulativa, bem humorada, a antiépica, a história oferece um passeio pela alma do narrador, deixando entrever algumas questões da época, como o individualismo nascente, as imposições políticas da Revolução Francesa e algumas discussões filosóficas. Ainda compõe o livro "Expedição noturna em volta do meu quarto", que foi publicado no começo do século XIX, agregando-se ao primeiro texto e continuando a proposta com o mesmo tom irônico.
O último dos que encontrei e gostei foi "Gente de Hemsö, de August Strindberg, mais um autor que eu ignorava completamente. O livro é considerado uma das obras-primas do autor sueco e foi escrito em sua maior parte quando ele se encontrava num exílio autoimposto e publicado pela primeira vez em 1887. A obra traça um quadro da natureza física e humana dos arquipélagos suecos e é considerada um dos escritos mais característicos daquele país escandinavo. O livro traz um retrato psicológico de diversas personagens cativantes, alianado humor e lirismo. Embora já tivesse sido adaptado para teatro, cinema e TV e traduzido para diversos idiomas, esta tradução de Carlos Rabelo e Leon Rabelo é a primeira integral para o português, direto do sueco.
Todos os quatro livros foram lançados entre 2009 e este ano e custam, na Editora, entre R$ 19,00 e R$ 21,00.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

"Nunca antes na história deste país"

E antes que as luzes se apaguem e possamos nos despedir (?) do "cumpanhero" que esteve, para o bem ou para mal,  a frente do país durante esses oito anos, vale a pena fazer uma retrospectiva e passar os olhos sobre o livro de Marcelo Tas, Nunca antes na história deste país - As frases mais engraçadas e polêmicas do presidente Lula (2009).
O jargão presidencial que nos divertiu, entristeceu ou envergonhou é título do livro que reúne as frases mais retumbantes do presidente Lula, ditas até o ano passado, e organizadas conforme as habilidades do nosso líder: há o Lula advogado, o Lula Turista, o Lula Filósofo e muito mais, tudo devidamente ilustrado por Ricardo Gimenes.
Foi difícil escolher alguma para ilustrar a postagem e animá-los a ler o livro, mas acho que essa, dita num momento filosófico do nosso grande líder, expressa bem nosso país surreal:

"Muitas pessoas, se tivessem controle emocional e consciência que seu corpo é mais leve do que a água, certamente não morreriam afogadas"

(03/06/03 - dirigindo-se àqueles que reclamavam a baixa dos juros, num congresso da CUT)

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Editora: Panda Books
167 páginas
Preço: entre R$ 26,00 e R$ 40,00

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

ENTREVISTA: “Devemos estar mais próximos das pessoas com a arte”

Autor dos livros “Diálogos Possíveis” (2008) e “Deus sabe de tudo e não é dedo duro e outras histórias” (2010), Juliano Nery afirma que seu principal objetivo é escrever de forma leve e fácil para que as pessoas mais simples possam entendê-lo. Influenciado pela sua formação jornalística, o escritor se vale da crônica para atingir esse objetivo e, para tanto, seu olhar crítico e sua sensibilidade aguçada são armas eficazes para dar vazão a essa inquietude por escrever. Sem se restringir a fronteiras linguísticas, estão entre seus projetos futuros o lançamento de um romance, um livro de poesias e um livro infantil. Durante um bate-papo bem humorado, o blog Palimpsestos conheceu um pouco mais da vida e da trajetória desse mineiro de São Lourenço.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Casa Museo Alberto Moravia


De acordo com notícia divulgada pelo Yahoo, desde ontem se abriu ao público o apartamento onde viveu o escritor Alberto Moravia (1907-1990). Situado na Lungotevere della Vittoria, 1-00195, em Roma, o imóvel abriga desde 1991 a fundação que conserva os manuscritos e a biblioteca pessoal do autor. Agora se permitirá o acesso a este material no primeiro sábado de cada mês, mediante reserva pelo telefone: +39 06 06 08.

Para mais informação, acesse o site:
http://www.museiincomuneroma.it/ne_fanno_parte/casa_museo_alberto_moravia (em italiano)

"Poemóbiles", de Augusto de Campos e Julio Plaza

A Editora Annablume, em seu selo Demônio Negro, re-publica o livro Poemóbiles, do escritor Augusto de Campos e do artista plástico Julio Plaza. Publicado originalmente em 1974, o livro é a materialização do projeto da poesia concretista, o qual concebe o poema não só como constructo lingüístico, mas também como objeto. O valor de venda girará em torno dos R$ 120,00 - embora nestes momentos o site da editora indique o valor de R$ 90,00.

O lançamento da obra ocorrerá, hoje, 02 de dezembro, às 19h na Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura (Av. Paulista, 37 - Bela Vista, São Paulo/SP)

Para mais informação: (11) 3285.6986 / 3288.9447 ou através do site: http://www.casadasrosas-sp.org.br/

terça-feira, 30 de novembro de 2010

"Concurso Folha Memória"

"A Folha e a Pfizer darão bolsas de pesquisa em História do Jornalismo."
O premiado terá o trabalho publicado em livro e ganhará um laptop.
Veja o regulamento e inscreva seu projeto no site:

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Culturas populares e culturas contemporâneas na América Latina

Entre os dias 13 e 15 de dezembro, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFJF recebe um convidado internacional. O professor Dr. Jorge A. González Sánchez vai ministrar curso sobre o tema “Culturas Populares e Culturas Contemporâneas na América Latina: das metáforas aos conceitos e das inspirações aos métodos de pesquisa”. O curso será ministrado das 14h às 17h, na Casa de Cultura da UFJF (AvRio Branco, 3372 – centro).
Jorge González é coordenador do Laboratorio de Investigación y Comunicación Compleja, do Programa de Epistemología de la Ciencia y Cibercultur@ e do Centro de Investigaciones Interdisciplinarias en Ciencias y Humanidades (CEIIH). O professor integra o corpo docente da Universidad Nacional Autónoma de México, localizada na Cidade do México.
Para o evento, serão oferecidas 30 vagas para inscrições de interessados que não façam parte do quadro docente ou discente do PPGCOM/UFJF (cujas vagas já são garantidas mediante inscrição prévia). As inscrições podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 14h às 17h, na secretaria do programa, ou pelo telefone (32) 2102-3603.

domingo, 28 de novembro de 2010

"Prêmio Benvirá de Literatura"

Encerra na próxima terça, dia 30, as incrições para o "Prêmio Benvirá de Literatura".
Confira o regulmento e participe!

Acesse:

sábado, 27 de novembro de 2010

Rio de Janeiro/ Brasil




Rio de janeiro. Cidade brasileira de belezas exuberantes. Onde se encontram coisas fascinantes: Pão de Açúcar; Estátua do Cristo Redentor , Praias de Copacabana, Ipanema e Barra da Tijuca, Estádio do Maracanã, Estádio Olímpico João Havelange, Floresta da Tijuca, a Quinta da Boa Vista, a ilha de Paquetá, o Réveillon de Copacabana e o Carnaval.


*É sobre esse Rio de Janeiro que eu gostaria de poder sempre falar. Quem sabe um dia...

Jens Peter Jacobsen (1847-1885)

Uma das referências mais marcantes na obra de Rilke é Jens Peter Jacobsen. Citado pelo autor nas "Cartas a um jovem poeta" como um dos melhores escritores de seu tempo, o autor dinamarquês permaneceu, contudo, pouco conhecido no Brasil.
Nascido em 1847, na cidade de Thistedt, é considerado o maior romancista dinamarquês do século XIX e fundador do movimento naturalista na literatura dinamarquesa. Estudou botânica e ciências naturais na Universidade de Copenhague e escreveu diversos artigos sobre ciência. Na universidade, tornou-se adepto das teorias evolucionistas de Charles Darwin e traduziu para o dinamarquês duas de suas mais conhecidas obras: On the Origin of Species (1871-1873) e The Descent of Man (1874). Era também admirador das idéias naturalistas e ateístas de Georg Brandes. Sua tese em botânica Aperçu systématique et critique sur les desmidiacées du Danemark foi aprovada pela Universidade de Copenhague (1872) e premiada com uma medalha de ouro pela Academia Nacional de Ciências.

Dentre suas obras literárias estão a novela histórica Fru Marie Grubbe (1876), que foi traduzida em 1917 para o inglês como Marie Grubbe - A Lady of the Seventeenth Century, e Niels Lyhne (1880, traduzido para o inglês em 1919), um romance lírico que narra a infância do menino Niels Lyhne, que passa os dias sonhando ser poeta, até as reviravoltas de sua vida adulta, incluindo temas caros à época, como o matrimônio e o ateísmo. Escreveu ainda Mogens og andre Noveller (1882, traduzido como Mogens and Other Tales, em 1921, e Mogens and Other Stories, 1994), que trata da vida de um jovem sonhador e seu amor durante a maturidade;  Et Skud i Taagen (A Shot in the Fog), cuja história trata da esterilidade do ódio e da vingança; Pesten i Bergamo (The Plague of Bergamo), que apresenta o apego humano à religião face às convocações da liberdade e Fru Fønss (1882), que conta a triste história familiar de uma viúva e seus filhos. 
Em 1873, aos 24 anos, o autor adoece e, em 30 de Abril de 1885, vivendo em condições humildes, morre de tuberculose em sua cidade natal. Além de Rainer Maria Rilke, suas obras influenciaram e foram comentadas por diversos autores ao longo do século XX, como Thomas Mann, D. H. Lawrence, Henrik Ibsen, Sigmund Freud, Hermann Hesse, Stefan Zweig e T. E. Lawrence. Suas obras também foram tema para composições musicais escritas por Schönberg e Delius.
No Brasil, é possível encontrar um ótimo ensaio sobre Jacobsen feito Otto Maria Carpeaux, chamado As nuanças de Jens Peter Jacobsen, além de estarem disponíveis na internet duas traduções para o inglês de Niels Lyhne.

Retrato do autor (1879), Ernest Josephson (1851-1906) 

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

"II Seminário de Pós Graduação em Ciências Sociais e I Seminário de Cátedra Werneck Vianna"

Tem início no próximo dia 29, na UFJF, o "II Seminário de Pós Graduação em Ciências Sociais (PPGCSO)" e o "I Seminário de Cátedra Werneck Vianna". Dentre os conferencistas da semana está o professor José Murilo de Carvalho, membro da Acadêmica Brasileira de Letras e autor de diversas obras premiadas; Francisco Weffort, ex-ministro da Cultura e autor de livros sobre democracia e política; e o sociólogo Luiz Werneck Vianna (foto acima), professor titular do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e coordenador do Centro de Centro de Estudos Direito e Sociedade (CEDES), além de outros nomes importantes da área, como Sergio Miceli (USP), Lilia Schwarcz (USP), Maria Arminda do Nascimento Arruda (USP), André Botelho (UFRJ), Ricardo Benzaquen (PUC-Rio e IESP-UERJ), Lúcia Lippi (CPDOC/FGV), Marcelo Jasmin (PUC-Rio e IESP-UERJ) e Maria Emilia Prado (UERJ). Além das conferências e mesas redondas, haverá apresentação de trabalhos de mestrado e doutorado de estudantes de várias instituições.

Para ver a programação completa

"III Seminário Dimensões da Política na História"

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

4º Festival de Literatura de São João Del-Rei

A escritora Ana Maria Machado é a autora homenageada na quarta edição do FELIT – Festival de Literatura de São João del-Rei, marcado para o período de 25 a 28 de novembro desse ano. Com uma vasta obra voltada principalmente para a literatura infanto-juvenil, não há aluno ou professor que não a conheça ou que não tenha lido pelo menos um de seus livros. Ela tem mais de 100 títulos publicados no Brasil e em mais de 17 países, somando mais de 18 milhões de exemplares vendidos.
Ana Maria Machado é o que se pode chamar de uma escritora de peso. Entre as premiações recebidas ao longo de mais de 33 anos de carreira estão o prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da Literatura Infanto-Juvenil mundial, concedido à autora em 2000, e o prêmio Machado de Assis, conferido em 2001, pela Academia Brasileira de Letras. Ela, inclusive, foi eleita em 2003 para esta academia, na sucessão de Evandro Lins e Silva, onde ocupa a cadeira número 1, cujo patrono é o poeta Adelino Fontoura.

Programação completa: http://www.felit.com.br

"O Brasil não existe"

Estava buscando outra informação e descobri no site da Livraria da Folha um livro cujo título me chamou a atenção: "O Brasil não existe: Ficções e Canções" (Publifolha, 2010, 192p.).

A proposta parece interessante: oito artistas criaram contos a partir de oito músicas que foram definidas como fundamentais na história cultural do país. Entre as canções, estão: Alegria, alegria, de Caetano Veloso, Construção, de Chico Buarque e Chega de saudade, de Tom e Vinícius.

Acompanha o volume um cd com essas canções em novos arranjos criados pelo pianista André Mehmari. Se eu já não tivesse definido meus pedidos de Natal, com certeza incluiria esse volume, porque me interessa conhecer as relações entre literatura e música no Brasil.

sábado, 20 de novembro de 2010

Museu Afro Brasil


Em meio às notícias sobre o dia da Consciência Negra, descobri o Museu Afro Brasil. Situado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega (Parque do Ibirapuera/São Paulo), o museu dedica-se "à pesquisa, conservação e exposição de objetos relacionados ao universo cultural do negro no Brasil".

Essa impronta fica evidente nos nomes da biblioteca e do teatro que o espaço do museu abriga e que são, respectivamente, Carolina Maria de Jesus (escritora que causou frenesi nos anos de 1960 com seu "Quarto de despejo") e Ruth de Souza (atriz que, diga-se de passagem, interpretou Carolina em um filme pelo que me lembro de minhas leituras).

Confesso que me causou um pouco de estranheza o fato do museu estar em São Paulo, quando temos outros estados (Minas e Bahia, para citar apenas dois) onde a influência negra foi, digamos, mais sensível. No site da instituição eles explicam o porquê e também há muito mais informação, sendo possível inclusive agendar visitas guiadas para estudantes. Vale a pena conferir: http://www.museuafrobrasil.org.br/

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Hino à Bandeira


Hoje, 19 de novembro, comemora-se o Dia Nacional da Bandeira. Desconheço se existe no Brasil algum Monumento à Bandeira como aqui na Argentina (na cidade de Rosário); mas o que sim sei que existe é um hino.

Com uma linguagem bastante grandiloquente, esse hino foi escrito por Olavo Bilac (1865-1918), dito "príncipe dos poetas brasileiros", razão pela qual o resgato para colocar neste espaço. Normalmente criticado pelo excesso de rigor formal que caracterizava a escola parnasiana, Bilac foi um autor que foi "jogado para escanteio" depois do advento do modernismo. Não obstante, acredito que existem facetas da sua obra que precisam ser estudadas, como essa da autoria do Hino à Bandeira e da militância pelo serviço militar obrigatório.

Confira a letra:

Hino à Bandeira Nacional

Letra: Olavo Bilac
Música: Francisco Braga

Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil, por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da Justiça e do Amor!

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

A quem queira escutar:


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

"O outono da Idade Média" de Johan Huizinha

Finalmente chega ao país numa primorosa edição pela Cosac Naify, traduzida diretamente do holandês por Francis Petra Janssen, o clássico da História e historiografia medieval: "O outono da Idade Média", de Johan Huizinga (1872-1945).
Apesar do preço salgadíssimo (R$ 140,00) a obra é uma caprichada edição com 320 ilustrações primorosas ao longo de suas 656 páginas com anexos, o que compensa o investimento, quer seja pela importância no contexto do pensamento e reflexão da história da cultura, quer pelas inaugurais perspectivas em aspectos até então impensados pela ciência histórica. Isto, a partir do próprio autor, um homem avesso a seu tempo e modernidade, possuidor de vasta cultura e conhecimento eruditos.
Até então os leitores de língua portuguesa contavam com uma edição vertida da inglesa pela editora Ulisseia (Lisboa-Rio de Janeiro), traduzida por Augusto Abelaira, na série "Pelican Books", da consagrada e recém chegada ao Brasil Penguin Books, porém, com o título "O Declínio da Idade Média".
Sinopse:
"Publicado em 1919, este livro é uma obra de Johan Huizinga (1872-1945), sendo publicado em mais de vinte línguas. Traduzido para o português a partir do original holandês, esta edição é resultado de pesquisas que reestabeleceram o texto original. Aqui, a Idade Média é vista na plenitude de seus contrastes, distante do lugar-comum segundo o qual ela não passaria de uma transição, longa e letárgica, entre o brilho da Antiguidade e do Renascimento. O autor mostra as formas de vida e de pensamento medievais, tal como se expressaram na cultura, na arte, na religião e no pensamento, e também nos modos de expressão da felicidade, do sofrimento, do amor e do medo da morte no dia-a-dia das pessoas. Combinando a crença no poder revelador da obra de arte e um olhar muito semelhante ao de um antropólogo, Huizinga se tornou um pioneiro do que mais tarde se denominou história das mentalidades. Com 320 ilustrações, o volume inclui ainda uma entrevista com Jacques Le Goff e um ensaio biográfico de Peter Burke."

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Shakespeare’s Globe" – London/ England


Theatre:

Shakespeare’s Globe Theatre is a faithful reconstruction of the open-air playhouse first built in 1599, where Shakespeare worked and for which he wrote many of his greatest plays. Each year audiences experience ‘the wooden O’ sitting in a gallery or standing as a groundling, just as they would have done 400 years ago. The annual theatre season runs from April to October, with 700 (£5) tickets available for every performance. Productions include work by Shakespeare as well as contemporary writers.

Theatre tours:

Throughout the year, a fascinating tour of the theatre is included in a visit to Shakespeare’s Globe Exhibition. The guiders bring this extraordinary space to life in a half-hour tour of the auditorium, with colourful stories of the 1599 Globe, the reconstruction process in the 1990s and how the auditorium works today as an maginative and experimental theatre space. During the matinee performances in the theatre visitors will be taken to the nearby site of Bankside’s first theatre: The Rose.

Exhibition:

Shakespeare’s Globe exhibition is the world´s largest and most comprehensive exhibition devoted to Shakespeare and the London in which he lived and worked. Housed beneath the Globe Theatre, the Exhibition uses modern technology and traditional crafts to bring Shakespeare’s world to life. Imagine the Globe as it would have been: the centre of what was once London’s most notorious entertainment district, surrounded by raucous taverns and bawdy-houses.

For full details about all activities at Shakespeare’s Globe visit:
http://www.shakespeares-globe.org/