domingo, 31 de outubro de 2010

"Coleção Brasiliana Itaú"

Vista do Rio de Janeiro c. 1855 Hagedorn
Está em exposição, até dia 21 de Novembro, no Museu Nacional de Belas Artes (RJ), a Coleção Brasiliana Itaú. Organizada desde 2000 por iniciativa de Olavo Setubal, a coleção é inteiramente dedicada à história, à arte e à literatura do Brasil. Montada inicialmente na Pinacoteca do Estado de São Paulo e no Palácio das Artes, em BH, a exposição é dividida em seis núcleos: o primeiro, chamado Terra Brasilis, é dedicado ao Brasil dos séculos XVI e XVII e reúne mapas e os primeiros livros que tratam das terras recém-descobertas. O núcleo seguinte, Brasil Holandês, apresenta as obras dos pintores Albert Eckhout e Frans Post, trazidos ao Nordeste por Maurício de Nassau, além dos livros editados após o retorno à Holanda. Os dois núcleos seguintes, Brasil dos Naturalistas e Brasil dos Viajantes, abrangem gravuras individuais e albuns dos principais naturalistas europeus que chegaram ao Brasil no início do século XIX. Dentre as obras mais marcantes estão as de J. B. Debret e J. M. Rugendas. O quinto núcleo é o Rio de Janeiro, dedicado à iconografia da cidade e de seus habitantes no século XIX. O Memória da Cultura, último dos núcleos da exposição, traz o acervo de documentos, impressos e livros reunidos ao longo dos oito anos de constituição da Brasiliana. Constam primeiras edições de grandes autores da literatura nacional, os primeiros livros impressos no Brasil, uma coletânea dedicada a documentos e iconografia do período escravocrata e documentos originais de todos os governantes do país. Além disso, é possível encontrar uma conjunto dedicado a Santos Dumont e as vitrines chamadas Livros de Artistas, que exibem edições artesanais nas quais obras originais são inseridas como ilustração para os livros ou textos. Dentre elas está o manuscrito "Profundamente", de Manuel Bandeira (c. 1940), acompanhando por uma aquarela do próprio autor.

A mostra tem curadoria de Pedro Corrêa do Lago. Maiores informações podem ser conferidas pelo telefone (21) 2219-8474 ramal 23 e 29

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Museu Nacional de Belas Artes
Av. Rio Branco, 199 - Rio de Janeiro

3 comentários:

Ailton Augusto (in Argentina) disse...

"Profundamente" é um dos poemas mais lindos de Bandeira. Deu vontade de ver.

Abraços!

Cíntia Marcellos disse...

Sim, Aílton, é realmente um poema muito bonito! E a aquarela que o completa em nada fica atrás.
Para que outros também se interessem a ver a exposição, segue o poema:

"Profundamente

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes

Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.

*

Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?

— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.


Texto extraído do livro "Antologia Poética - Manuel Bandeira", Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 2001, pág. 81.

Un saludo mui cordial,
Cíntia

Ailton Augusto (in Argentina) disse...

Gracias, Cíntia, por compartilhar o poema conosco.

Abraços!