sábado, 2 de janeiro de 2010

"Qohelet/O-Que Sabe: Eclesiastes - Poema Sapiencial" de Haroldo de Campos

De seu inigualável brilhantismo como tradutor, ou "transcriador", como preferia pela consciência de que toda experiência de tradução, também o é de interpretação, e por isto, criação, Haroldo de Campos (1929-2003) surpreende com mais esta incursão, agora, na língua hebraica, onde transcria e renova os versos do livro do Eclesiastes, tão poético quanto sapiencial.
Confira em "Qohelet/O-Que Sabe: Eclesiastes - Poema Sapiencial" (2004, Perspectiva, 247 págs., R$ 42,00).

Sinopse:
"Haroldo de Campos, buscando na fonte original do hebraico a locução do verso bíblico, com os recursos da estética e da crítica de vanguarda, comunica, na plenitude da invenção poética, a complexa gama da meditação quase nietzcheana do homem às voltas consigo mesmo e com o seu destino. Meditação esta que se inscreveu, como um pergaminho de fogo do desgarramento existencial, nos versículos sapienciais que gemem e cantam a perplexidade e a angústia daquele que sabe que não sabe - Qohelet."

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Qohélet, ou Eclesiastes do Antigo Testamento

O Eclesiastes (em hebraico Kohelet) é parte dos livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento, este da Bíblia cristã e dela o nome do livro é oriundo da Septuaginta. Na Torá judaica, simplesmente Kohelet. De significado considerado incerto, usualmente tem sido traduzida para a língua portuguesa como "o pregador", e tradicionalmente atribuído a Salomão (? - 932 a. C.). Isto particularmente por nela se encontrar muitos fatos coincidentes com os de sua vida.
A obra, primeira leitura do grupo em 2010, possui presença marcante na literatura universal por muito citada direta e indiretamente além de inspirar autores tão diferentes em época, gênero, estilos, línguas e culturas como Kafka, Falkner, Joyce, Becket e Machado de Assis. Talvez a mais referendada quando se trata dos livros do Antigo Testamento, parte dos quais são conhecidos com "os livros sapienciais", isto é; "da sabedoria de Salomão".
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Bíblias on line nas versões católica e protestante

História Viva: "A vida em tempos de guerra"

Nas bancas a edição nº 75 de História Viva traz em destaque a matéria: "A vida em tempos de guerra". Como viveram os civis em meios ao conflito na Segunda Grande Guerra na Alemanha, Grã-Bretanha, França, Rússia e Japão, este, com particular destaque pelo evento do bombardeio atômico. A revista traz ainda os artigos "Feiticeiros - A dura vida dos intérpretes do além", "Irã - Quando o país era um modelo de tolerância", a biografia de Ivã - o terrível, entre outros.
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Bolsas de estudos do Governo espanhol




O Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha (MAEC), por meio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), lança convocatória de bolsas de estudos para pós-graduação com duração de 1 mês na Espanha.
Trata-se dos Programas de Bolsas MAEC-AECID.
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Michel de Montaigne (1533-1592)

Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592) natural da região de Périgord, França. Nascido numa família tradicional cujo ascensão social se deu em parte pela espada (cavalaria), em parte pela toga (judiciário). De seu pai teve singular educação, a começar pela "língua materna" o latim, o que tornava proibido se lhe dirigir em qualquer outra até que o dominasse com o fito de ler os clássicos antigos, valor em voga no período auge do Renascimento europeu e nele, a educação humanista que teve por excelência. Tal particularidade marcaria sua vida e determinaria seu pensamento como arguto observador e intérprete da alma humana, da subjetividade e do indivíduo, então desconhecidos como tal, nisto, sempre recorrendo aos clássicos antigos, e ao mesmo tempo, aos acontecimentos de sua época.
Na célebre obra "Os Ensaios" examina com riqueza inigualável detalhes e aspectos das biografias de grandes homens, fatos históricos, da política, das instituições e costumes, filosofias e opiniões, religiões e sociedades, fazendo desta obra uma síntese única sobre o humano, e marco inaugural do gênero literário - ensaios. O mesmo que da filosofia à história, perpassa uma série de outras áreas (estas contemporâneas) e que em todas contribui positivamente, como no ensaio "Dos canibais" (Livro I, Cap. 31), considerado um dos textos fundadores da Antropologia. Como profundo conhecedor da Filosofia e de sua tradição, é marcado pelo pensamento de Pirro de Élis (360 a. C. - 270 a. C.), dai um ceticismo que lúcido e crítico, consciente e atento de raro equilíbrio com sua profunda cultura e erudição, se põe a analisar e refletir sobre a vida. Por influência do pai enveredou no direito exercendo a magistratura em Périgoux, depois Bordéus, quando constitui amizade com Étienne de la Boétie (1530-1563), tendo ainda participado da vida na corte quando em Paris, num período turbulento da história da França, quando se encontrava envolta nas chamadas "guerras de religião", disputada e dividida entre católicos e "huguenotes" protestantes da crescente Reforma que se expandia pela Europa.
Por volta dos 34 anos, retira-se da vida pública para dedicar-se exclusivamente à reflexão e redigir sua obra, os primeiros dois tomos que o tornariam célebre, pouco depois viaja pela Europa e na Itália faz a parte do trajeto que muito o marca e tomaria como uma "viagem filosófica", assim como anos depois fariam outros como Göethe, no qual ao retornar, descreve na obra "Journal de Voyage" publicada somente em 1774.
A obra "Os Ensaios" ganharia três versões: 1580 (com dois volumes) e 1588 quando aparece o terceiro volume, contudo, somente em 1595 aparece a edição póstuma, com acréscimos e correções feitas por Montaigne, considerada desde então a edição definitiva.
Se estes Ensaios tratam do auto-retrato de seu autor, como afirma o próprio, nos impressiona como em sua reflexão, instrospecção para registrar a si mesmo no que possui de mais singular, Montaigne acabe por retratar o homem em sua complexidade e natureza mais universal.
Uma obra e pensador imprescindíveis como o próprio e imperioso esforço de auto-conhecimento que cabe a todos, leitores ou não dos Ensaios, mas autores dos próprios na vida que nem sempre providos deste exercício, que tão bem realizado Michel de Montaigne de si mesmo, é por isso também de todos nós.