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terça-feira, 24 de maio de 2011

"Journal of the History of Philosophy"

"The Journal of the History of Philosophy (JHP) is an international journal that publishes articles, notes, discussions, and reviews about the history of Western philosophy, broadly conceived. JHP takes its mandate from a motion passed by the Eastern Division of the American Philosophical Association in December 1957 approving 'the establishment of a journal devoted to the history of philosophy'. Each issue includes refereed articles on topics ranging from ancient and medieval to nineteenth- and twentieth-century philosophy as well as book reviews. The Journal publishes material in English, German, and French".

http://philosophy.wisc.edu/jhp/

http://www.press.jhu.edu/journals/journal_of_the_history_of_philosophy/

sábado, 21 de maio de 2011

O ventre dos filósofos


Em sua obra "O ventre dos filósofos - Crítica da razão dietética", Michel Onfray afirma que "a história da alimentação é a essência da própria história". Sendo assim, o autor realiza um percurso através da vida e obra de grandes filósofos, como Fourier, Nietzsche, Sartre, Kant e Rosseau, recolhendo diversas reflexões sobre a gastronomia e sua influência sobre o espírito e pensamento humanos. Argumentando que "os filósofos geralmente esquecem de refletir sobre os próprios corpos e no que acumulam enquanto comem", Onfray defende a ideia de que "entre pensamento e estômago existe uma complexa rede de afinidades e confissões que a reflexão não deveria negligenciar". Existe uma edição da obra  disponibilizada pela Editora Rocco que pode ser encontrada nos sebos sem muita dificuldade.


sexta-feira, 6 de maio de 2011

"Kant-Studien"

O periódico Kant-Studien, organizado pela Sociedade Kant internacional (Kant-Gesellschaft) é a maior referência mundial em relação aos estudos da filosofia de Immanuel Kant. Foi fundado em 1896 e publica anualmente aproximadamente 25 artigos científicos filosóficos-históricos nas linguas alemã, inglesa e francesa. O foco é, primero, contribuir para esclarecer questões de interpretação, de história, e editoriais sobre a filosofia de Kant. Segundo, contribuir para os debates sobre a filosofia transcendental. Terceiro, realizar uma investigação sobre os precursores de Kant e os efeitos que eles tiveram em sua filosofia.

É publicado pela editora científica Walter de Gruyter, a qual atua com exigência e sofisticação no campo da literatura científica. São publicados por ela anualmente 500 novos títulos nas áreas de ciencias humanas, medicina, ciencia natural, ciência do direito, matemática e outros, além disso, publica também anualmente cerca de 100 períodicos em campos específicos e também mídias digitais.

Para mais informações:

http://www.degruyter.de/journals/ks/

http://www.kant-gesellschaft.de/de/ks/

domingo, 17 de abril de 2011

Sobre o primeiro encontro "Crime e Castigo" de Dostoiéviski: Eduardo Armaroli Noguchi

No encontro do último sábado (16 de abril), o primeiro de dois que dedicaremos à obra Crime e Castigo de Fiódor Dostoiéviski (1821-1881), contamos pela primeira vez com a presença de um convidado especialista na área, tema, obra e autor.


Eduardo Armaroli Noguchi, 32 anos, é graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Mestre em Ciência da Religião com a tese "Niilismo ou Religião: Os Caminhos da Liberdade no Romance "Os Demônios" de Dostoiévski" (2008).
Atualmente é doutorando pelo mesmo programa e instituição com a tese: "Revolta, niilismo e religiosidade: a ontologia da liberdade em Dostoiévski" (término previsto para 2012), inspirada na obra "Crime e Castigo" do mesmo autor, e ambas, com ênfase no diálogo entre Filosofia e Literatura.

sábado, 2 de abril de 2011

"O Niilismo" de Franco Volpi

Em O niilismo de Franco Volpi (1999, Loyola, Tradução Aldo Vannucchi, 166 págs, R$ 21,70), filósofo italiano e professor nas Universidades de Pádua e Witten/Herdecke, além de professor visitante de outras universidades americanas e européias, temos uma obra chave para a compreensão do conceito central do século XIX - o niilismo - e naturalmente, para toda a literatura e pensamento do período.
Este conceito fundamental também se fez presente no debate da obra Pais e filhos de Ivan Turgueniêv (Fevereiro, 2011) no Palimpsestos, e que retornará à baila no próximo encontro dedicado a Fiódor Dostoiéviski, talvez um dos autores ícones do século XIX em sua expressão e dimensão niilista.

Sinopse:"Agruras e incertezas ameaçam e desorientam o homem contemporâneo. A causa essencial dessa situação precária e perigosa tem sido atribuída pelos filósofos ao niilismo. E o que é niilismo? De onde surge esse "hóspede perturbador" que nos ronda tão perto, obrigando-nos à sua convivência? Franco Volpi vai às raízes desse fenômeno e esclarece seu desenvolvimento no século passado (XIX), apontando as bases para a compreensão e a superação do niilismo."

terça-feira, 29 de março de 2011

"Os filósofos e as máquinas" de Paolo Rossi

A leitura de A invenção de Morel de Adolfo Bioy Casares, sucitou-me no encontro do último dia 19 de março muitas questões... algumas não puderam ser aprofundadas, o que aliás sempre acontece. No caso a questão da relação entre o homem e as máquinas... relação que pode ser considerada, conforme perspectiva ou interpretação, tão antiga quanto o próprio homem. Isto, se compreendermos o conceito de homo faber paralelo ou mesmo anterior ao de homo sapiens que se sapiens era, o era por dominar técnicas, ferramentas e recursos em que pouco à pouco, o situaram à parte no conjunto da natureza, inaugurando seu mundo próprio: o da cultura. O mesmo onde supostamente se crê e afirma-se "superior" ao da própria natureza de onde é originário, e acredito, radicalmente pertencente como um ser e criatura como outra qualquer. Uma obra interessante para pensar essa relação, em particular a partir do período moderno, é a de Paolo Rossi, professor de História da Universidade de Florença: Os filósofos e as máquinas (1989, Cia das Letras, Tradução de Federico Carotti, 183 págs, Esgotado). Leitura valiosa para os interessados nas relações entre disciplinas e áreas na síntese do conhecimento que enquanto tal, não separa teoria e prática, mas o interage e articula em perene dinâmica como é o próprio pensamento humano, às vezes divino.

Sinopse: "O método experimental que caracteriza a ciência moderna não nasce das discussões dos filósofos, mas da prática dos artesãos renascentistas, das observações dos navegadores que descobriram o Novo Mundo, dos tratados que ensinavam a construir fortes militares, extrair e fundir metais, fabricar fogos de artifício, telescópios, bombas hidráulicas. Dos ateliês dos artistas florentinos aos triunfos da Enciclopédia, bíblia iluminista do novo saber científico, Paolo Rossi - um dos mais importantes especialistas da história do pensamento científico da Idade Moderna - reconstrói a ascenção das "artes mecânicas", um saber em eterna disputa seja com o conhecimento livresco seja com as práticas mágicas dos alquimistas. Leonardo da Vinci, Galileu Galilei, Giordano Bruno, Francis Bacon, Pascal, Descartes e Diderot são algumas das personagens desse embate entre o antigo e o moderno, momento de profunda mudança das ideologias."

terça-feira, 31 de agosto de 2010

"História do corpo" de Jean-Jacques Courtine, Alain Corbin e Georges Vigarello

Em "História do corpo" de Jean-Jacques Courtine, Alain Corbin e Georges Vigarello (Org) 1° vol. 664 págs, "Da Renascença as Luzes" (2008), 2° vol. 512 págs, "Da Revolução a Grande Guerra" (2008) e 3° vol. 616 págs, "As mutações do olhar - O século XX" (2008), editora Vozes, organizam vasta obra inteiramente dedicada ao corpo sob quase todos os aspectos nos últimos 500 anos de História.
Sinopse:

"O primeiro volume descreve como a história do corpo passa pelo universo religioso e pela maneira como a Igreja, pela palavra e pelo texto escrito ou a imagem, influenciam os comportamentos, propõem modelos que se impõem aos fiéis que vivem seu corpo em relação com o religioso e o sagrado. O corpo exaltado em sua materialidade e em sua concepção alegórica, o corpo político, a concepção religiosa do corpo, a medicina antiga e os saberes populares contrapostos à ciência moderna que recorre ao imaginário da mecânica, da física e da química da época, que investiga o interior do corpo, a circulação, a estrutura e a força das fibras. "

"O segundo volume de 'História do corpo' traz uma abordagem em torno do religioso, do medicinal e do corpo trabalhado e modelado. Evocando as representações do onanismo, da homossexualidade, das perversões, o imaginário erótico colonial, Alain Corbin distingue as novas representações que marcam o fim do século XIX e anunciam o século XX - por um lado, o surgimento de uma ciência do sexo que precede a difusão das obras de Freud; por outro lado, a ameaça venérea, das doenças hereditárias e da degeneração que envolve a união física com a consciência de que 'o prazer traz consigo a morte'. "

"O terceiro volume de 'História do corpo' aborda o século XX com as diferentes mutações do olhar sobre o corpo, suas representações, seu uso e seu desgaste, sua exploração e seu culto, a estética e o espetáculo. Essas mutações profundas, sentidas na carne, constituem igualmente mutações no olhar que se depositou sobre o corpo. O deslocamento das relações entre saúde e doença, entre corpo normal e corpo deformado; a vida e a morte em uma sociedade medicalizada cada vez mais especializada; a legitimidade atribuída ao prazer ao mesmo tempo em que a emergência de novas normas e novos poderes biológicos e políticos; a busca do bem-estar individual e a extrema violência da massa, o contato da pele na vida íntima e a saturação do espaço público pela frieza dos simulacros sexuais; estes são alguns dos paradoxos e dos contrastes no centro dos quais se constituiu a relação do indivíduo contemporâneo com seu corpo."

domingo, 20 de junho de 2010

"Método da intuição em Bergson e sua intuição ética e pedagógica" de Tarcísio Jorge Santos Pinto

Chega as livrarias o livro de Tarcísio Jorge Santos Pinto "Método da intuição em Bergson e sua intuição ética e pedagógica" (2010, Loyola, 240 págs., R$ 34,00). Orientado por Franklin Leopoldo e Silva (USP) dedicado ao pensamento do filósofo francês Henri Bergson (1859-1941) a obra resulta de tese doutoral agora publicada em livro.
Sinopse:
"Neste trabalho buscamos pesquisar como Henri Bergson constrói sua concepção de intuição como método filosófico e apontar alguns desdobramentos desta concepção em suas reflexões de ordem ética e pedagógica. Nossa análise parte da constatação de que, para Bergson, a intuição deve ser tomada como o meio de conhecimento primordial da realidade, uma vez que só ela pode apreender seu movimento de duração. No desdobramento e aprofundamento desta idéia bergsoniana, a intuição converte-se no próprio método que possibilita à Filosofia refletir verdadeiramente o real e sua temporalidade inerente, e, além disso, posicionar-se de forma crítica diante de uma tradição que consolida uma análise excessivamente racional e distante da realidade, geradora de uma série de “falsos problemas”. Acompanhamos o itinerário criativo de Bergson, do Essai sur les donnés immédiates de la conscience a Les Deux Sources de la Morale et de la Religion, para justamente determinar como essa concepção de intuição vai se construindo ao longo de sua obra. Tal pesquisa acaba chegando à conclusão de que, além de um método de conhecimento filosófico rigoroso, a intuição pode converter-se no princípio de uma ação transformadora capaz de promover a elevação moral do homem e, assim, não só ampliar o seu campo de especulação como também lhe dar “mais força para agir e para viver”. Nesse sentido, conforme defende Bergson, a intuição deve ser cultivada, até pedagogicamente, como um complemento fundamental à inteligência ou razão, imprescindível até mesmo para lhe apontar os limites."

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Tarcísio Jorge Santos Pinto é licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora, mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Atualmente atua como professor em faculdades particulares de Juiz de Fora e na UFJF. É membro do GT de Filosofia Francesa Contemporânea da ANPOF.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

"Meditações" de Marco Aurélio

O contexto histórico do período em que o Marco Aurélio (121-180) viveu é definido, está na Roma imperial, e em condição social ímpar: é o imperador, adepto da filosofia estóica que orienta suas reflexões sobre os mais diversos temas: só desejar o que depende de si, os prazeres da boa mesa, do amor, a morte, a vida luxuosa, a glória fugidia, a aparente desordem governadora do mundo. Todos estreita e diretamente ligados à vida prática, isto é, como aplicar as lições dos sábios mestres? da filosofia?
Em "Meditações" ou "Pensamentos escritos" no grego original, (1995, Iluminuras, 120 págs., Diversas edições), Marco Aurélio expressa humildade do filósofo que contradiz a acusação costumeira feita aos estóicos, contrasta intensamente sua convicção da igualdade de todos os homens, depositários da razão divina e cidadãos do mundo, sendo ele o próprio o poderoso imperador. Na obra qualifica-se como alguém que está "avançando" a caminho da sabedoria, com impressionante e notável lucidez sem complacência de si, operando severo exame de consciência. A obra impressiona ainda mais considerando que vários de seus capítulos foram redigidos entre lutas acerbas nos campos batalhas, onde o imperador, refletia sobre a vida, raramente pensada em qualquer época com tanta profundidade e num meio tão singular. Suas idéias estóicas tornaram a obra algumas vezes próxima ou mesmo confundida com o Cristianismo (então nascente) contudo, a busca incessante pela libertação do homem das dores e prazeres do mundo material, será alcançada pela negação das emoções, assim como o homem, somente se tornará vulnerável se vítima de si mesmo, permitindo-se ser tomado pela sua própria reação. Marco Aurélio não expressa nem professa nenhuma fé religiosa particular, contudo, transparece crer numa força lógica que organiza o universo de modo que mesmo os acontecimentos danosos, estarão determinados à contribuirem para o bem do todo.
Sinopse:
"Marco Aurélio é conhecido como o 'imperador filósofo' que abraçou convictamente o estoicismo e tentou governar segundo seus preceitos. As Meditações versam sobre a brevidade da vida, o fluxo incessante do tempo, a vacuidade da fama, a proximidade e a inevitabilidade da morte e a instabilidade das coisas humanas."
Edições disponíveis de Meditações:

www.archive.org/

http://classics.mit.edu//Antoninus/meditations.html

www.slu.edu/colleges/AS/languages/classical/latin/tchmat/pedagogy/latinitas/ma/ma-index.htm

http://librivox.org/the-meditations-of-marcus-aurelius/

segunda-feira, 8 de março de 2010

"Confissões" de Santo Agostinho

Se em "Confissões" (2009, Vozes, 367 págs., R$ 51,40) Agostinho de Hipona (atual Argélia) ou Santo Agostinho (354-430) registrou reflexivamente seus desvios, erros e pecados, talvez não imaginasse com isso inaugurar o próprio "gênero confessional" com que influenciaria muitos outros pensadores, autores e escolas do pensamento na tradição ao longo ds tempos. Agostinho como pensador da Igreja do então nascente Cristianismo que lutava para se firmar ante as muitas doutrinas antigas e contemporâneas suas e, que com ele concorriam, nisto, de algum modo sincretizando e inserindo na doutrina cristã as influências e práticas que, posteriormente seriam objeto de cizânia e concílios em acerbas disputas. Aqui porém, trata-se de uma obra inteiramente de cunho pessoal ainda que sirva à fé católica apostólica romana (e a história do Cristianismo) registrando o desenvolvimento da própria Igreja quanto instituição em seu amadurecimento e pensamento filosófico. São diversos os livros-capítulos de inigualável e inestimável reflexão como o X "O encontro de Deus" e XI "O homem e o tempo" na parte II da obra.
A edição brasileira mais conhecida é feita pela Vozes num único volume (traduzido por J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina) e, dividido em duas partes, sendo a primeira com os livros I a IX e a segunda de X a XIII, é também elogiosa a editada pela Fundação Calouste Gulbenkian de Portugal.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

"O Príncipe" de Nicolau Maquiavel

Talvez nenhuma outra obra tenha conferido tão má fama a seu autor, Nicolau Maquiavel (1469-1527), e também, causado tanto furor ao longo da história como "O príncipe" (1513). Como último lance, tentado sem sucesso, para retornar à cena política florentina de onde fora alijado sob acusão de complô contra os Médici, acabou relegando a história um livro de incrível simplicidade por sua mensagem e propósitos, nos pequenos 26 capítulos que a compõe. A obra foi intensamente atacada e questionada, não raro até banida e proibida por instituições que iam de algumas monarquias à epoca e posteriores, além da Igreja romana, acabando por gerar mesmo um gênero particular "o anti-maquialvel", e posteriormente, ser adotado como "livro de cabeceira" por alguns. O mesmo que só reforça além do próprio predicado "maquiavélico", de caráter pejorativo, mas injusto quão impróprio, conforme se constata os que o lerem e o estudarem. O florentino versa um autêntico manual de como se deve fazer para conquistar e se manter no poder, isto claro, pode ser dito como uma obviedade redutora da obra que é muito mais, tanto quanto será a disposição e sensibilidade de quem a lê. E ao falar sobre repúblicas e principados que existem em detrimento de outros que de fato, nunca existiram, inaugura o chamado "realismo político". Contudo, a obra vai muito além evocando personagens históricos e relevantes à parte fatos e lances, muitos dos quais o autor se vale para exemplificar suas afirmações e justificá-las. O fato de impressionar ainda hoje, 500 anos depois, confirma sua vitalidade perene que o destaca desde sempre, não só pela ousadia da reflexão, mas sobretudo, pelo talento em registrar o que é, na realidade cotidiana, daquilo que parece ser e nunca o foi, isto, não necessariamente ficção, em qualquer nível, tema ou área onde a mesma incide e ocorre tomada não raro como "verdades" que o leitor "maquiavélico" ou não, deve ater-se em particular aos conceitos como virtù e fortuna, sem os quais como o próprio príncipe, não obterá êxito.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

"Os Ensaios" de Michel de Montaigne

Se é impossível definir em poucas palavras numa convencional resenha a obra "Os Ensaios" (Martins Fontes, 2002, 492 págs. R$ 78,90) de Michel de Montaigne (1533-1592), não menos imprescindível é conhecê-la, esta "floresta luxuriante" qual um imenso compêndio e repositório de sabedoria que em síntese, une e aproxima milênios de história, filosofia, antropologia, religião, direito e na pleiade de temas, áreas e assuntos. Todos perpassados por uma perspectiva singular e refletida por este tão privilegiado intelecto, por uma cabeça "que mais bem formada que cheia", habilitou este notável homem que na França do século XVI produziu uma obra extemporânea, inigualável e de perene sabedoria para todos os fins, situações e a qualquer tempo. A mesma é considerada fundadora do gênero ensaístico sendo ela o ensaio por excelência.
São encontradas diversas edições em língua portuguesa, talvez nenhuma superior a editada pela Martins Fontes que, seguiu a orientação metodológica rigorosa de Pierre Villey, uma das maiores autoridades no autor e obra, baseada na edição mais completa dos Ensaios com seus 3 volumes. Válida também a edição esgotada editada pela UnB.
Sinopse:

"Montaigne repassa, sempre a partir de sua experiência pessoal, a virtude, a cólera, a presunção, a crueldade, e muitas outras questões humanas fundamentais sobre as quais todos nos questionamos."

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

"Meditações do Quixote" de José Ortega y Gasset

"Dado um fato - um homem, um livro, um quadro, uma paisagem, um erro, uma dor - , levá-lo, pelo caminho mais curto, à plenitude do seu significado. Colocar os materiais de toda ordem, que a vida, em sua perene ressaca, arroja a nossos pés como restos inúteis de um naufrágio, em tal disposição que neles dê o Sol inumeráveis reverberações. Há dentro de toda coisa a indicação de uma possível plenitude. A alma nobre e aberta sentirá a ambição de aperfeiçoá-la, de auxiliá-la, para que alcance essa plenitude. Isso é o amor - o amor à perfeição do amado."
José Ortega y Gasset
in "Meditações do Quixote"

Às vésperas de dois encontros dedicados a obra "D0n Quixote de La Mancha" de Miguel de Cervantes, vale considerar a reflexão filosófica do espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955) no seu "Meditações do Quixote" (1914), ao afirmar que "eu sou eu e as minhas circusntâncias e se não salvo a ela não salvo também a mim". Isto é; que a minha vida se estrutura na relação com o que constitui o entorno do eu, no eu com as coisas, no eu transformando as coisas, pois viver e fazer algo, exercer e praticar escolhas nas inúmeras possibilidades que se apresentam nas circunstâncias. O que se pensado no contexto do Quixote de Cervantes, faz se não todo, faz muito sentido. Estas são parte das "meditações do Quixote" das quais em breve, iremos juntar as nossas y otras más.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

"A Escada dos Fundos da Filosofia" de Wilhelm Weischedel

A filosofia muitas vezes se apresenta sisuda e com seus muitos pensadores, autores e textos, áridos, difíceis, alguns mais particularmente ao leitor e interessado brasileiro - em geral pouco afeito a um texto ou obra mais densos - e que encontrará nesta uma boa fonte introdutória a história da filosofia. Apresentada em capítulos curtos - A Escada dos Fundos da Filosofia - comentando biograficamente a vida de 34 filósofos onde despontam as considerações oportunas ao esclarescimento de seu pensamento - Wilhelm Weischedel - uma das grandes autoridades da academia alemã do século passado, apresenta-os de modo leve, irônico, engraçado e didático, despertando o interesse para o conhecimento dos filósofos tanto quanto da filosofia.
A seguir a sinopse da obra:

"Muitos são os caminhos pelos quais se pode chegar à mansão dos filósofos. Um deles, tão eficiente quanto pouco convencional, consiste em subir até ela pela 'escada dos fundos'. Ou seja, por meio dos episódios da vida cotidiana, dos traços característicos e das pequenas manias dos filósofos. Nas praças de Atenas ou nas ruas de Paris, na tranqüilidades da oficina de Espinosa ou no tormento do quarto de Kierkegaard, o autor dá voz ao 'escândalo' perene que é a filosofia; um perguntar sem trégua sobre Deus, sobre o mundo e sobre nós mesmos."

A obra é editada pela Angra numa parceria com o Instituto de Ciência e Filosofia Raimundo Lulio.

domingo, 12 de abril de 2009

"O mundo de Sofia" de Jostein Gaarder

Antes que consiga prosseguir na resposta sobre a formação em filosofia, quase sempre sou interrompido ou depois indagado acerca da opinião sobre a obra "O mundo de Sofia" de Jostein Gaarder (1995, ed. Cia das Letras).
E para decepção de alguns colegas e desespero de meus mestres, considero boa a obra e interessante o modo como o autor a concebe no processo literário (sendo ele próprio formado e professor universitário de filosofia) em lições epistolares da mesma. Creio que a informação rumo a formação do conhecimento, um elemento inicial onde apesar das muitas críticas que se possa fazer quanto a forma e conteúdo, importante, e a iniciativa da obra que o autor empreende, me parece ser fundamental e mais que tendência nos próximos tempos: a do intenso diálogo entre as áreas (academicamente ou não) e a máxima democratização possível do saber, ainda que ao custo inicial do rigor ou profundidade que a honestidade da obra em questão quanto ao que propõe, não nega ou se exime. Válida portanto e ainda melhor se acompanhada dos bons volumes de História da Filosofia existentes e disponíveis nas prateleiras de bibliotecas e livrarias.