Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de setembro de 2011

René Char (1907-1988)


René Char nasceu em L'Isle-sur-Sorgue, no ano de 1907 e faleceu em 1988, em Paris. Inicialmente filiou-se ao grupo surrealista, época na qual manteve ligações com André Breton e Paul Éluad. Entretanto, a poesia de Char tomou o seu próprio rumo, mas sempre mantendo alguns aspectos do surrealismo. Publica, em 1934, Le marteau sans maître, sua primeira obra individual. Mas alguns apontam como suas obras-primas os livros Fureur et mystère (1948), Le Nu perdu (1971) e La Parole en archipel (1962). Para o famoso crítico francês Maurice Blanchot, os escritos  de Char são uma espécie de "revelação poética". Os versos de Char, muitas vezes em forma de prosa, expõe o mundo da terra, dos rios e dos animais. Entretanto, sua poética não é de fácil leitura. Por causa de suas metáforas enigmáticas, alguns críticos o acusavam de abusar do hermetismo para seduzir leitores universitários ciosos de vanguardismos e mistérios. Char também foi amigo próximo de Albert Camus, Georges Bataille, Pablo Picasso e Joan Miró e - fato interessante - chegou a receber a Medalha da Resistência e a Cruz de Guerra devido à sua ativa participação na Resistência antinazista. No Brasil, há uma edição bilíngue, traduzida por Augusto Contador Borges e publicada pela Iluminuras. Abaixo o poema "Antecessor" retirado da citada edição da Iluminuras:

         
         Reconheci numa rocha a morte fugada e mensurável, o leito aberto de seus pequenos comparsas sob o retiro de uma figueira. Nenhum sinal de podador: cada manhã da terra abria suas asas sob as escadas da noite. 
               Sem redito, alijado do medo dos homens, cavo no ar meu túmulo e meu retorno.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Once upon a midnight dreary...



Já é bem conhecida a iniciativa de muitos grupos em disponibilizar poemas em áudio, o que permite ao leitor-ouvinte saborear o ritmo e a melodia do poema. No entanto, alguns grupos foram além: disponibilizaram não só o poema em áudio, mas também realizaram animações dos poetas lendo seus próprios textos. Podemos ver e ouvir autores como Whitman, Lewis Carrol e Poe - a quem esta postagem é dedicada - recitando suas obras-primas. Eis abaixo o link do famoso poema "The Raven", declamado por ninguém menos que Edgar Allan Poe:

Poe - The Raven

segunda-feira, 25 de julho de 2011

"The Journey of the Magi", lido por seu autor, T.S. Eliot


Thomas Stearns Eliot, mais conhecido como T.S. Eliot, dispensa apresentações. Nascido nos Estados Unidos em 1888, mas naturalizado inglês, o grande poeta foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1948. Além disso, seu poema mais conhecido, "The Waste Land" (1922), é considerado por muitos críticos como o mais perfeito poema do século XX. O objetivo dessa postagem, portanto, é disponibilizar o link abaixo que direciona para uma página na qual se pode ouvir o próprio poeta lendo seu poema "The Journey of the Magi" para um programa de rádio da BBC, durante a segunda grande guerra. Eliot, além de um grande poeta, é também - diferentemente de muitos outros grandes nomes - um excelente leitor de poemas.

The Journey of the Magi - T.S. Eliot

quarta-feira, 6 de julho de 2011

9ª FLIP


Começa hoje em Paraty a 9ª edição da FLIP, que homenageia o escritor Oswald de Andrade (foto acima), de quem reproduzo abaixo os poemas 3 de Maio e Escapulário[1]. Para inteirar-se do dia a dia do evento, acompanhe as notícias divulgadas em: http://www.flip.org.br/noticias_2011.php  

3 DE MAIO
Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi

ESCAPULÁRIO
No Pão de Açúcar
De Cada Dia
Dai-nos Senhor
A Poesia
De Cada Dia



[1] Poemas retirados de: http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet171.htm

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Poetas recitando poesia



Está disponível no site da Companhia das Letras este vídeo que é uma delícia de ouvir. São poetas que compõem o catálogo de poesia contemporânea da Editora e que recitam poemas que os inspiram. Uma idéia simples e muito agradável.
Aí estão Zulmira Ribeiro Tavares e o poema "Liquidação", de Augusto Massi; José Almino recitando "Irmão, irmãos", de Carlos Drummond de Andrade; Fernando Moreira Salles e "A noite", de Paulo Leminski; Fabrício Corsaletti recitando Rimbaud, com "Castelos, Estações"; Antonio Fernando de Franceschi e o poema "Os limões", de Eugenio Montale e Ferreira Gullar e seu poema "Visita", recitado por Alberto Martins. Além da qualidade da coletânea recitada, as imagens, a edição e a trilha sonora completam a boa idéia.

domingo, 15 de maio de 2011

Seamus Heaney


Agraciado com o prêmio Nobel em 1995, o poeta irlandês Seamus Heaney possui uma vastíssima obra poética e crítica na qual apenas uma pequena parcela chegou ao público brasileiro. No ano de 2000, a Companhia das Letras lançou uma antologia das composições poéticas de Heaney sob o título de "Poemas" (tradução e introdução de José Antonio Arantes), cujas notas explicativas e apêndice são realmente esclarecedores e instigantes. A poesia de Heaney ao mesmo tempo que trabalha com lirisimo as paragens rurais do interior irlandês e com o cotidiano dos trabalhadores dessa área, também tematiza os grandes dramas humanos e religiosos da Irlanda do Norte. O resultado, como afirma o próprio José Antonio Arantes, "são poemas enxutos, ao mesmo tempo toscos e sofisticados, que aliam o registro miúdo do dia-a-dia a poderosas incursões pela história, pela política, pela natureza ou pela mitologia, sem perderem jamais a atmosfera de proximidade com o mistério que caracteriza toda a grande poesia". Abaixo, a tradução de Arantes do poema "The Spoonbait" do livro "Haw Lantern".

A Isca

Assim nova similitude nos é dada
E dizemos: a alma é comparável

A uma isca que uma criança descobre
Sob a tampa corrediça de um porta-lápis,

Vislumbrada uma vez e imaginada a vida toda
À tona e livre e enrolando-se de parte alguma -

Uma estrela cadente voltando às trevas.
Escapa dele e o queima sem prévio aviso

Como a gota simples que o Rico implorou
Precipitando-se num grande abismo.

A seguir sai, o elmo polido de herói
Exposto a meia-nau sobre as águas agitadas.

Sai, alternativamente, luz de brinquedo
Puxada através dele rio acima, a prender nada.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

"Poemas de ausência", de Luciana Tonelli

Num dos exemplares do "Suplemento Literário", um periódico editado pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais (que sempre recebo atrasado e dessa vez veio grafado "Suplemgnto Literário"...), encontrei os poemas de Luciana Tonelli e gostei. Dela conheço apenas algumas linhas publicadas sob o título de "Poemas de ausência" e o fato de ter nascido em BH, ser jornalista, morar em São Paulo e já ter publicado dois livros, "Flagrantes do poço" (Coleção Poesia Orbital. Belo Horizonte: Associação Cultural Pandora, 1997) e "Flagrantes do tempo - Poema-reportagem na Paulicéia (Ed. Peirópolis), de onde esses versos foram extraídos.
Escolhi alguns pra ilustrar essa postagem:


[1]

se existia hora errada, era aquela
se existia palavra errada, foi dita

se existia lugar errado
nenhum outro mais que aquele

se existia a pessoa errada
era eu


[5]

a falta de lugar
ocupa todos os cantos
o não estar estando viva
é a causa do meu espanto


[6]

reclamei do vazio
ele me abandonou
cada metro do dia
encheu-se de ninharias
mais ou menos ocupantes

até que nas entrelinhas ele voltou
ele, o vazio, fiel companheiro
parceiro das linhas tortas
noites amarrotadas
e dias sonolentos

senhor das horas inteiras
culpado pelos piores momentos
o vazio é hoje o espaço que me sobra

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Salgado Maranhão e a cor da palavra

Iniciando sua carreira literária com sua participação da antologia "Ebulição da Escrivatura", obra que reunia vários jovens autores da chamada "poesia marginal" da década de 1970, Salgado Maranhão (Caxias, 1953-), além de poeta e jornalista, é ainda letrista, tendo parcerias com grandes nomes da música popular brasileira, tais como Ivan Lins, Ney Matogrosso, Paulinho da Viola e Elba Ramalho. Em 1999, recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, juntamente com os escritores Haroldo de Campos e Gerardo de Mello Mourão.
Chega aos leitores agora, através da Editora Imago juntamente com a Biblioteca Nacional, o volume "A Cor da Palavra" que reúne em ordem cronológica toda a sua produção poética. Trabalhando com esmero a palavra, a poesia de Salgado é, como bem definiu Ferreira Gullar, "uma poesia da palavra, muito embora não ignore o real, pois o traduz em fonemas e aliterações. Que não hesita em ir além da lógica e do discurso (ou do enlace com o plausível) se o resultado é o impacto vocabular e o inusitado da fala". Abaixo o poema "Do mar" presente na antologia acima citada:

Do mar

Para onde segue 
esse rei convulso?

Para quem trabalha 
esse deus de sal?


Que abismos velam 
seus navegantes?


Por que não se gasta?
Por que não se cansa?


Que rei é esse 
feito de humores?


Para quem despe 
todo esse azul?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Heinrich Heine – Influências do Romantismo Alemão no Brasil


Christian Johann Heinrich Heine (1797-1856) foi um importante filósofo e poeta romântico alemão, fortemente influenciado pelo filósofo Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), sendo conhecido como “o último dos românticos.” Nascido na Alemanha, optou por passar grande parte da vida adulta na França. Ele viveu em um tempo de grandes mudanças políticas e sociais: A Revolução Francesa e as Guerras Napoleônicas, o que também influenciou seu pensamento. Era grande defensor do ateísmo, tratando a religião e Deus com jocosidade.

Depois de Johann Christoph Friedrich von Schiller e, sobretudo, de Johann Wolfgang von Goethe, foi a figura de Heine que imperou na lírica de língua alemã. Era dotado ao mesmo tempo de uma ironia natural e de talento para a lírica mais pura, quase capaz de passar por popular ou folclórica. Um de seus mais famosos poemas é “Die Lorelai”, musicada por Friedrich Silcher em 1837, e que se tornou uma das mais famosas canções alemãs. Boa parte de sua poesia lírica, especialmente a sua obra de juventude, foi musicada por vários compositores notáveis como Robert Schumann, Franz Schubert, Felix Mendelssohn, Johannes Brahms, Hugo Wolf, Richard Wagner e, já no século XX, por Hans Werner Henze e Lord Berners.

Através de sua obra, Heine exerceu profunda influência no Brasil, chegando, inclusive, a escrever sobre o tema da escravidão no país. No poema O Navio Negreiro, do original alemão Das Sklavenschiff, de 1853/54, o escritor alemão retrata a condição dos prisioneiros de um navio negreiro aportado no Rio de Janeiro. O poema foi base de inspiração para o escritor brasileiro Castro Alves, em seu poema também intitulado de O Navio Negreiro.

Heine foi admirado por diversos escritores brasileiros, entre eles Machado de Assis. Além de Machado, muitos outros também traduziram o escritor alemão, como o seu contemporâneo Gonçalves Dias e também Raul Pompéia, Alphonsus de Guimaraens, Fagundes Varela e Manuel Bandeira.

Duas publicações começam a recolocar em circulação no Brasil a obra de Heinrich Heine: O Rabi de Bacherach (tradução de Marcus Mazzari; Hedra; 128 páginas; 14 reais) traz, além da obra incompleta de ficção que lhe dá título, três artigos contra o ódio racial que o autor escreveu em 1840, por ocasião de perseguições contra a comunidade judaica de Damasco (parte, então, do Império Otomano), com o apoio direto do cônsul francês. Já Navios Negreiros (tradução de Priscila Figueiredo e Luiz Repa; SM; 80 páginas; 30 reais), além do célebre poema de Castro Alves, estampa em nova tradução a balada de Heine que, provavelmente vertida para o francês, inspirou o texto abolicionista do bardo baiano.

Você pode encontrar aqui o poema “Das Sklavenschiff “e outros poemas de Heine (em alemão, inglês e francês)

http://www.heinrich-heine.net/sklaved.htm

Vem, linda peixeirinha,
Trégua aos anzóis e aos remos.
Senta-te aqui comigo,
Mãos dadas conversemos.

Inclina a cabecinha
E não temas assim:
Não te fias do oceano?
Pois fia-te de mim.

Minh’alma, como o oceano,
Tem tufões, correntezas,
E muitas lindas pérolas
Jazem nas profundezas.

Heinrich Heine
(tradução de Manuel Bandeira)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"Lisbonne", Sophia de Mello Breyner Andresen

O poema "Lisbonne", de Sophia de Mello Breyner Andresen, grafado num banco do Castelo de São Jorge, em Lisboa.
Aqui, a versão completa, em português.

LISBOA

Digo: "Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu próprio nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas -
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
- Digo para ver

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

"Minirrevista Literária Contando e Poetizando"

Escrevo este texto após receber pelo Correio a décima sétima edição da "Minirrevista literária contando e poetizando", na qual publico por segunda vez um dos meus (pseudo)poemas.

A intenção não é promover a minha produção literária, mas antes indicar a existência desta minirrevista. Idealizada pelo advogado paulistano-carioca Marcos Toledo, a Contando e Poetizando recebe trabalhos de todo o Brasil, sem nenhum ônus para quem queira publicar o texto. A única exigência é a de que os autores se atenham ao tema sugerido para a edição na qual pretendem publicar.

Após a edição da minirrevista, Marcos envia um exemplar para seus amigos e para os colaboradores e o envio também é gratuito, fato que chama a atenção para a ausência da intenção de lucro. A característica mais marcante e que, creio, é o norte deste projeto é a de constituir um espaço onde os autores que estão surgindo possam fazer a divulgação de seu trabalho, já que as grandes editoras ainda estão longe de dedicar atenção aos escritores amadores.

Para os que desejem publicar na minirrevista, o contato de Marcos Toledo é: mcatoledo@ig.com.br

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Roberto Piva, recordações.

Quando alguém de nossa afeição ou simpatia parte, reforça de algum modo um vínculo que por mais tênue e discreto estabelecemos e, isto, quando de natureza poética, estética ou literária, parece ser ainda mais peculiar e vivo, como não seria menos se afetivo familiar.
Sabia que Roberto Piva há tempos estava doente... não por acaso isto apressou a sempre urgente demanda pela aquisição de suas obras que, com agradável surpresa numa dela, contei com sua voz narrando alguns de seus próprios poemas ("Estranhos sinais de Saturno", 2008, Globo).
Dias depois na Ilustríssima da Folha de São Paulo na seção "Arquivo Aberto - Memórias que viram histórias" (domingo, 20 de junho de 2010) lendo artigo da autoria de Sergio Cohn, "O capitão da loucura. São Paulo, 1996" me reavivou ainda mais a presença do poeta.
Particularmente quando recorda as palavras de Piva no tocante a escola: "A escola se coagulou em Galinheiro onde se chocam a histeria, o torcicolo & a repressão sexual, não existindo mais saída a não ser fechá-la & transformá-la em Cinema onde crianças & adolescentes sigam de novo as pegadas da Fantasia com muita bolinação no escuro".
E embora Cohn relembre isto num contexto específico no espaço-tempo, no caso 1996, pelo que tenho visto atualmente, 14 anos depois, parece mais uma professia poética que infelizmente se realizou. Mas se nos resta a poesia de Piva como a própria vida, temos esperança e nele, a inspiração e força para tornar a escola e a vida, melhores.
Algo diferente do artigo no jornal, digo que Roberto Piva é um amigo tanto quanto para sempre, um mestre.

sexta-feira, 5 de março de 2010

"Estranhos sinais de Saturno" de Roberto Piva

A poesia é matéria de difícil classificação ou mesmo, identificação, e isto como nos diz Roberto Piva que na antiguidade, quando os poetas foram "expulsos" por Platão de sua "República" se tornaram (como a própria poesia) "marginais". Contudo, a experiência poética é central na vida das pessoas, mesmo para aqueles que iletrados (embora poetas analfabetos existam e dos bons) e, insensíveis, nunca são e estão sempre impermeáveis às múltiplas expressões que estéticas e éticas, fazem brotar na própria sensibilidade, os versos e imagens da poesia.
A de Roberto Piva certamente suscita este arrebatamento, um desconcerto sinfônico, sincrético e esotérico de complexa arquitetura que dos versos, evoca e implica tudo, traz transtorno e gera perturbações nos encontros inusitados entre o sublime e o burlesco, o absurdo que num jogo e trama une o nada e o impossível com quase oxímoros, sempre em surpreendentes combinações numa miríade de sentidos e relações. De sua lavra, expressa a vasta a radiante cultural deste professor paulista de filosofia e ciências sociais de vida frugal e intensa, pleno conhecedor das literaturas, das tradições e do xamanismo que lhe imanta o verbo aqui sentido na leitura toda própria, pessoal, de parte de seus poemas num cd que acompanha este "Estranhos sinais de Saturno" (2008, Globo, 224 págs., R$ 39,00). É o terceiro (e final) volume da obra reunida pelo Prof° Alcir Pécora em mais que boa hora, embora certa impressão de que seja pouco tanto quanto "tarde demais", pois Piva é poeta margem demais para a marginalidade do centro literário, onde as cifras expulsam as palavras, embora a poesia, vá continuar sempre inestimável à ponto de dispensar espaços e temporalidades. Uma vez que o sua próprio é no inefável, no invisível, nesta perene condição da necessária vida impossível de ser dita ou, final e completamente, explicada.
Sinopse:
"'Estranhos sinais de Saturno', do poeta paulistano Roberto Piva, é o terceiro volume de suas obras completas, organizadas e apresentadas pelo professor da Unicamp Alcir Pécora. Dividido em quatro seções, contém a poesia de Piva produzida do início dos anos 1980 até hoje - traz, assim, o relançamento integral de Ciclones, de 1997; o lançamento do livro inédito que dá título ao volume; um terceiro grupo de 'manifestos' e, por fim, um CD contendo poemas lidos pelo seu autor."

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Nicolas Behr: Poesia Pau-Brasília

O poeta Nicolas Behr é um dos mais originais poetas do Distrito Federal e, do qual me lembrei por conta dos recentes fatos ligados ao questão política de Brasília, cidade de importância capital (literal) completará no próximo abril exatos 50 anos e, central em sua "poesília". Autor da "Poesia Pau-Brasília" possui diversas obras onde pontuam humor e ironia, além da expressão de sua sensibilidade ecológica através das plantas, flores e arranjos cultivados pelo autor. Certamente das maiores expressões literárias e poéticas de nossa capital federal onde reforço o coro da campanha "sou de Brasília, mas juro que sou inocente".
Acesse:

sábado, 27 de fevereiro de 2010

"Manifesto Silvestre"

"Dez escritores brasileiros assinaram esta semana no Rio o manifesto do Grupo Silvestre, com declarações como "Em literatura, entretenimento não é passatempo. É sedução pela palavra" e "Tudo é linguagem, mas a narrativa é a base da literatura. Uma história bem contada é o objetivo a perseguirmos." Entre os signatários, Lucia Bettencourt e Celina Portocarrero. O documento pode ser lido na íntegra no blog do caderno:

Fonte: O Globo - Prosa & Verso - No Prelo, pág. 5 em 27 de fevereiro de 2010.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Poesias sobre Quixote


Como é sempre costume em nossos encontros iniciar com a leitura de um poema, deixo aqui alguns versos do argentino Jorge Luís Borges (foto) sobre a obra que será discutida neste mês. Encontrei esses versos no site do boletim poesia.net. Espero que gostem:




SONHA ALONSO QUIJANO

Tradução: Josely Vianna Baptista

Desperta aquele homem de um indistinto
Sonho de alfanjes e de campo chão,
Toca de leve a barba com a mão
Duvidando se está ferido ou extinto.
Não irão persegui-lo os feiticeiros
Que juraram seu mal por sob a lua?
Nada. O frio apenas. Apenas sua
Amargura nos anos derradeiros.
Foi o fidalgo um sonho de Cervantes
E Dom Quixote um sonho do fidalgo.
O duplo sonho os confunde e algo
Está ocorrendo que ocorreu muito antes.
Quijano dorme e sonha. Uma batalha:
Os mares de Lepanto e a metralha.


SUEÑA ALONSO QUIJANO

El hombre se despierta de un incierto
Sueño de alfanjes y de campo llano
Y se toca la barba con la mano
Y se pregunta si está herido o muerto.
¿No lo perseguirán los hechiceros
que han jurado su mal bajo la luna?
Nada. Apenas el frío. Apenas una
Dolencia de sus años postrimeros.
El hidalgo fue un sueño de Cervantes
Y don Quijote un sueño del hidalgo.
El doble sueño los confunde y algo
está pasnado que pasó mucho antes.
Quijano duerme y sueña. Una batalla:
Los mares de Lepanto y la metralla.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Modo de Usar & Co.

O blog Modo de Usar & Co. é um dos espaços de expressão da poesia. Aliás ele é nosso "vizinho" no Blogspot, embora esteja ativo desde 2007, destacando-se por intensa quantidade de postagens. O conteúdo também é encontrado impresso em revista com o mesmo nome, editada pela Livraria Berinjela. Acesse:

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Affonso Romano de Sant´Anna

Poeta e escritor de mão cheia além de jornalista e professor, Affonso Romano de Sant´Anna possui site oficial na internet, finalmente se estabelecendo na rede como outros de seus colegas de ofício e letras.
Acesse o site oficial do escritor que viveu em Juiz de Fora e firmou-se como um de nossos melhores críticos literários e, sempre, poeta e escritor:

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Descoberta de João Negreiros


De forma a inaugurar a minha primeira vez como novata que sou neste espaço, trago impregnado no doce gosto da partilha, o poeta e dramaturgo português João Negreiros. Esta foi uma poesia descoberta por mim através de uma rede social muitíssimo conhecida mas acabara o poeta por preencher as minhas manhãs com as suas intensas e aguçadas declamações.

Galardoado, em 2009, com inúmeros Prémios entre os quais o Prémio Professora Therezinha Dutra Megale (São Paulo) e também no mesmo ano mas, já em terras lusas vencedor do Prémio Nuno Júdice , tento crescido o merecido reconhecimento em ambos os países. João Negreiros tem já á disposição do público duas obras de Poesia intituladas “ Luto Lento”( 2008) e também “O cheiro da sombra das flores” (2007). Sendo a sua obra já vasta no que diz respeito á dramaturgia. Bem recebido pela critica, João Negreiros , é dono de uma poesia que faz a diferença no contexto nacional pela sua singularidade. Uma lufada de ar fresco nas palavras de muitos. Assim, os seus poemas podem hoje ser lidos nos autocarros de Braga no âmbito do projecto “ Uma grande leitura para uma pequena viajem” .

Recorrendo ás palavras de Joaquim Pessoa , “Negreiros rasga, fere, incomoda, impacienta. (…)” creio que estes são motivos mais que suficientes para que nos deixemos ferir com o poeta.


"Babel e Sião", Camões

No último encontro do grupo, à falta de uma poesia previamente preparada (temos sempre o costume de ler uma no início das discussões...) acabei lendo de improviso - e lendo mau, reconheço - um poema de William Blake que estava mais à mão.

Depois, no sossego do lar, remexendo meus livros, topei com uma edição dos poemas líricos de Camões (capa ao lado) e, lendo, encontrei o poema Babel e Sião. Vou postar um trecho (ele é muito extenso, ocuparia quase que a página toda do blog...) aqui. Creio que esse poema tem mais e melhores relações com o tema do mês; o Eclesiastes. O poema fala do exílio dos judeus na Babilônia (com base no Salmo 137). Espero que gostem. Para ler na íntegra, sugiro o seguinte endereço: http://www.liriodovale.com/Portuguese/poesia/babel_siao.htm


Sôbolos rios que vão
Por Babilónia, me achei,
Onde sentado chorei
As lembranças de Sião
E quanto nela passei.

Ali, o rio corrente
De meus olhos foi manado;
E, tudo bem comparado,
Babilónia ao mal presente,
Sião ao tempo passado.

Ali, lembranças contentes
Na alma se representaram;
E minhas cousas ausentes
Se fizeram tão presentes,
Como se nunca passaram.

Ali, depois de acordado,
Co'o rosto banhado em água,
Deste sonho imaginado,
Vi que todo o bem passado,
Não é gosto, mas é mágoa.

E vi que todos os danos
Se causavam das mudanças
E as mudanças dos anos;
Onde vi quantos enganos
Faz o tempo às esperanças.

Ali vi o maior bem
Quão pouco espaço que dura;
O mal que depressa vem,
E quão triste estado tem
Quem se fia da ventura.

Vi aquilo que mais vale,
Que então se entende melhor,
Quanto mais perdido for;
Vi ao bem suceder mal
E, ao mal, muito pior.

E vi com muito trabalho
Comprar arrependimento.
Vi nenhum contentamento,
E vejo-me a mim, que espalho
Tristes palavras ao vento.



(...)