domingo, 25 de setembro de 2011
René Char (1907-1988)
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Once upon a midnight dreary...
Poe - The Raven
segunda-feira, 25 de julho de 2011
"The Journey of the Magi", lido por seu autor, T.S. Eliot
Thomas Stearns Eliot, mais conhecido como T.S. Eliot, dispensa apresentações. Nascido nos Estados Unidos em 1888, mas naturalizado inglês, o grande poeta foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1948. Além disso, seu poema mais conhecido, "The Waste Land" (1922), é considerado por muitos críticos como o mais perfeito poema do século XX. O objetivo dessa postagem, portanto, é disponibilizar o link abaixo que direciona para uma página na qual se pode ouvir o próprio poeta lendo seu poema "The Journey of the Magi" para um programa de rádio da BBC, durante a segunda grande guerra. Eliot, além de um grande poeta, é também - diferentemente de muitos outros grandes nomes - um excelente leitor de poemas.
The Journey of the Magi - T.S. Eliot
quarta-feira, 6 de julho de 2011
9ª FLIP
Começa hoje em Paraty a 9ª edição da FLIP, que homenageia o escritor Oswald de Andrade (foto acima), de quem reproduzo abaixo os poemas 3 de Maio e Escapulário[1]. Para inteirar-se do dia a dia do evento, acompanhe as notícias divulgadas em: http://www.flip.org.br/noticias_2011.php
3 DE MAIO
Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi
ESCAPULÁRIO
No Pão de Açúcar
De Cada Dia
Dai-nos Senhor
A Poesia
De Cada Dia
[1] Poemas retirados de: http://www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet171.htm
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Poetas recitando poesia
domingo, 15 de maio de 2011
Seamus Heaney
Agraciado com o prêmio Nobel em 1995, o poeta irlandês Seamus Heaney possui uma vastíssima obra poética e crítica na qual apenas uma pequena parcela chegou ao público brasileiro. No ano de 2000, a Companhia das Letras lançou uma antologia das composições poéticas de Heaney sob o título de "Poemas" (tradução e introdução de José Antonio Arantes), cujas notas explicativas e apêndice são realmente esclarecedores e instigantes. A poesia de Heaney ao mesmo tempo que trabalha com lirisimo as paragens rurais do interior irlandês e com o cotidiano dos trabalhadores dessa área, também tematiza os grandes dramas humanos e religiosos da Irlanda do Norte. O resultado, como afirma o próprio José Antonio Arantes, "são poemas enxutos, ao mesmo tempo toscos e sofisticados, que aliam o registro miúdo do dia-a-dia a poderosas incursões pela história, pela política, pela natureza ou pela mitologia, sem perderem jamais a atmosfera de proximidade com o mistério que caracteriza toda a grande poesia". Abaixo, a tradução de Arantes do poema "The Spoonbait" do livro "Haw Lantern".
A Isca
Assim nova similitude nos é dada
E dizemos: a alma é comparável
A uma isca que uma criança descobre
Sob a tampa corrediça de um porta-lápis,
Vislumbrada uma vez e imaginada a vida toda
À tona e livre e enrolando-se de parte alguma -
Uma estrela cadente voltando às trevas.
Escapa dele e o queima sem prévio aviso
Como a gota simples que o Rico implorou
Precipitando-se num grande abismo.
A seguir sai, o elmo polido de herói
Exposto a meia-nau sobre as águas agitadas.
Sai, alternativamente, luz de brinquedo
Puxada através dele rio acima, a prender nada.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
"Poemas de ausência", de Luciana Tonelli
se existia hora errada, era aquela
se existia palavra errada, foi dita
se existia lugar errado
nenhum outro mais que aquele
se existia a pessoa errada
era eu
[5]
a falta de lugar
ocupa todos os cantos
o não estar estando viva
é a causa do meu espanto
[6]
reclamei do vazio
ele me abandonou
cada metro do dia
encheu-se de ninharias
mais ou menos ocupantes
até que nas entrelinhas ele voltou
ele, o vazio, fiel companheiro
parceiro das linhas tortas
noites amarrotadas
e dias sonolentos
senhor das horas inteiras
culpado pelos piores momentos
o vazio é hoje o espaço que me sobra
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Salgado Maranhão e a cor da palavra
Para onde segue
esse rei convulso?
Para quem trabalha
esse deus de sal?
Que abismos velam
seus navegantes?
Por que não se gasta?
Por que não se cansa?
Que rei é esse
feito de humores?
Para quem despe
todo esse azul?
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Heinrich Heine – Influências do Romantismo Alemão no Brasil

Christian Johann Heinrich Heine (1797-1856) foi um importante filósofo e poeta romântico alemão, fortemente influenciado pelo filósofo Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), sendo conhecido como “o último dos românticos.” Nascido na Alemanha, optou por passar grande parte da vida adulta na França. Ele viveu em um tempo de grandes mudanças políticas e sociais: A Revolução Francesa e as Guerras Napoleônicas, o que também influenciou seu pensamento. Era grande defensor do ateísmo, tratando a religião e Deus com jocosidade.
Depois de Johann Christoph Friedrich von Schiller e, sobretudo, de Johann Wolfgang von Goethe, foi a figura de Heine que imperou na lírica de língua alemã. Era dotado ao mesmo tempo de uma ironia natural e de talento para a lírica mais pura, quase capaz de passar por popular ou folclórica. Um de seus mais famosos poemas é “Die Lorelai”, musicada por Friedrich Silcher em 1837, e que se tornou uma das mais famosas canções alemãs. Boa parte de sua poesia lírica, especialmente a sua obra de juventude, foi musicada por vários compositores notáveis como Robert Schumann, Franz Schubert, Felix Mendelssohn, Johannes Brahms, Hugo Wolf, Richard Wagner e, já no século XX, por Hans Werner Henze e Lord Berners.
Através de sua obra, Heine exerceu profunda influência no Brasil, chegando, inclusive, a escrever sobre o tema da escravidão no país. No poema O Navio Negreiro, do original alemão Das Sklavenschiff, de 1853/54, o escritor alemão retrata a condição dos prisioneiros de um navio negreiro aportado no Rio de Janeiro. O poema foi base de inspiração para o escritor brasileiro Castro Alves, em seu poema também intitulado de O Navio Negreiro.
Heine foi admirado por diversos escritores brasileiros, entre eles Machado de Assis. Além de Machado, muitos outros também traduziram o escritor alemão, como o seu contemporâneo Gonçalves Dias e também Raul Pompéia, Alphonsus de Guimaraens, Fagundes Varela e Manuel Bandeira.
Duas publicações começam a recolocar em circulação no Brasil a obra de Heinrich Heine: O Rabi de Bacherach (tradução de Marcus Mazzari; Hedra; 128 páginas; 14 reais) traz, além da obra incompleta de ficção que lhe dá título, três artigos contra o ódio racial que o autor escreveu em 1840, por ocasião de perseguições contra a comunidade judaica de Damasco (parte, então, do Império Otomano), com o apoio direto do cônsul francês. Já Navios Negreiros (tradução de Priscila Figueiredo e Luiz Repa; SM; 80 páginas; 30 reais), além do célebre poema de Castro Alves, estampa em nova tradução a balada de Heine que, provavelmente vertida para o francês, inspirou o texto abolicionista do bardo baiano.
Você pode encontrar aqui o poema “Das Sklavenschiff “e outros poemas de Heine (em alemão, inglês e francês)
http://www.heinrich-heine.net/sklaved.htm
Vem, linda peixeirinha,
Trégua aos anzóis e aos remos.
Senta-te aqui comigo,
Mãos dadas conversemos.
Inclina a cabecinha
E não temas assim:
Não te fias do oceano?
Pois fia-te de mim.
Minh’alma, como o oceano,
Tem tufões, correntezas,
E muitas lindas pérolas
Jazem nas profundezas.
Heinrich Heine
(tradução de Manuel Bandeira)
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
"Lisbonne", Sophia de Mello Breyner Andresen
Digo: "Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu próprio nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas -
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
- Digo para ver
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
"Minirrevista Literária Contando e Poetizando"
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Roberto Piva, recordações.
Quando alguém de nossa afeição ou simpatia parte, reforça de algum modo um vínculo que por mais tênue e discreto estabelecemos e, isto, quando de natureza poética, estética ou literária, parece ser ainda mais peculiar e vivo, como não seria menos se afetivo familiar.sexta-feira, 5 de março de 2010
"Estranhos sinais de Saturno" de Roberto Piva
A poesia é matéria de difícil classificação ou mesmo, identificação, e isto como nos diz Roberto Piva que na antiguidade, quando os poetas foram "expulsos" por Platão de sua "República" se tornaram (como a própria poesia) "marginais". Contudo, a experiência poética é central na vida das pessoas, mesmo para aqueles que iletrados (embora poetas analfabetos existam e dos bons) e, insensíveis, nunca são e estão sempre impermeáveis às múltiplas expressões que estéticas e éticas, fazem brotar na própria sensibilidade, os versos e imagens da poesia.Sinopse:
"'Estranhos sinais de Saturno', do poeta paulistano Roberto Piva, é o terceiro volume de suas obras completas, organizadas e apresentadas pelo professor da Unicamp Alcir Pécora. Dividido em quatro seções, contém a poesia de Piva produzida do início dos anos 1980 até hoje - traz, assim, o relançamento integral de Ciclones, de 1997; o lançamento do livro inédito que dá título ao volume; um terceiro grupo de 'manifestos' e, por fim, um CD contendo poemas lidos pelo seu autor."
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Nicolas Behr: Poesia Pau-Brasília
O poeta Nicolas Behr é um dos mais originais poetas do Distrito Federal e, do qual me lembrei por conta dos recentes fatos ligados ao questão política de Brasília, cidade de importância capital (literal) completará no próximo abril exatos 50 anos e, central em sua "poesília". Autor da "Poesia Pau-Brasília" possui diversas obras onde pontuam humor e ironia, além da expressão de sua sensibilidade ecológica através das plantas, flores e arranjos cultivados pelo autor. Certamente das maiores expressões literárias e poéticas de nossa capital federal onde reforço o coro da campanha "sou de Brasília, mas juro que sou inocente".sábado, 27 de fevereiro de 2010
"Manifesto Silvestre"
Fonte: O Globo - Prosa & Verso - No Prelo, pág. 5 em 27 de fevereiro de 2010.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Poesias sobre Quixote

SONHA ALONSO QUIJANO
Tradução: Josely Vianna Baptista
Desperta aquele homem de um indistinto
Sonho de alfanjes e de campo chão,
Toca de leve a barba com a mão
Duvidando se está ferido ou extinto.
Não irão persegui-lo os feiticeiros
Que juraram seu mal por sob a lua?
Nada. O frio apenas. Apenas sua
Amargura nos anos derradeiros.
Foi o fidalgo um sonho de Cervantes
E Dom Quixote um sonho do fidalgo.
O duplo sonho os confunde e algo
Está ocorrendo que ocorreu muito antes.
Quijano dorme e sonha. Uma batalha:
Os mares de Lepanto e a metralha.
SUEÑA ALONSO QUIJANO
El hombre se despierta de un incierto
Sueño de alfanjes y de campo llano
Y se toca la barba con la mano
Y se pregunta si está herido o muerto.
¿No lo perseguirán los hechiceros
que han jurado su mal bajo la luna?
Nada. Apenas el frío. Apenas una
Dolencia de sus años postrimeros.
El hidalgo fue un sueño de Cervantes
Y don Quijote un sueño del hidalgo.
El doble sueño los confunde y algo
está pasnado que pasó mucho antes.
Quijano duerme y sueña. Una batalla:
Los mares de Lepanto y la metralla.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Modo de Usar & Co.
O blog Modo de Usar & Co. é um dos espaços de expressão da poesia. Aliás ele é nosso "vizinho" no Blogspot, embora esteja ativo desde 2007, destacando-se por intensa quantidade de postagens. O conteúdo também é encontrado impresso em revista com o mesmo nome, editada pela Livraria Berinjela. Acesse:sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Affonso Romano de Sant´Anna
Poeta e escritor de mão cheia além de jornalista e professor, Affonso Romano de Sant´Anna possui site oficial na internet, finalmente se estabelecendo na rede como outros de seus colegas de ofício e letras.sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
A Descoberta de João Negreiros
De forma a inaugurar a minha primeira vez como novata que sou neste espaço, trago impregnado no doce gosto da partilha, o poeta e dramaturgo português João Negreiros. Esta foi uma poesia descoberta por mim através de uma rede social muitíssimo conhecida mas acabara o poeta por preencher as minhas manhãs com as suas intensas e aguçadas declamações.
Galardoado, em 2009, com inúmeros Prémios entre os quais o Prémio Professora Therezinha Dutra Megale (São Paulo) e também no mesmo ano mas, já em terras lusas vencedor do Prémio Nuno Júdice , tento crescido o merecido reconhecimento em ambos os países. João Negreiros tem já á disposição do público duas obras de Poesia intituladas “ Luto Lento”( 2008) e também “O cheiro da sombra das flores” (2007). Sendo a sua obra já vasta no que diz respeito á dramaturgia. Bem recebido pela critica, João Negreiros , é dono de uma poesia que faz a diferença no contexto nacional pela sua singularidade. Uma lufada de ar fresco nas palavras de muitos. Assim, os seus poemas podem hoje ser lidos nos autocarros de Braga no âmbito do projecto “ Uma grande leitura para uma pequena viajem” .
Recorrendo ás palavras de Joaquim Pessoa , “Negreiros rasga, fere, incomoda, impacienta. (…)” creio que estes são motivos mais que suficientes para que nos deixemos ferir com o poeta.
"Babel e Sião", Camões
No último encontro do grupo, à falta de uma poesia previamente preparada (temos sempre o costume de ler uma no início das discussões...) acabei lendo de improviso - e lendo mau, reconheço - um poema de William Blake que estava mais à mão.Depois, no sossego do lar, remexendo meus livros, topei com uma edição dos poemas líricos de Camões (capa ao lado) e, lendo, encontrei o poema Babel e Sião. Vou postar um trecho (ele é muito extenso, ocuparia quase que a página toda do blog...) aqui. Creio que esse poema tem mais e melhores relações com o tema do mês; o Eclesiastes. O poema fala do exílio dos judeus na Babilônia (com base no Salmo 137). Espero que gostem. Para ler na íntegra, sugiro o seguinte endereço: http://www.liriodovale.com/Portuguese/poesia/babel_siao.htm
Sôbolos rios que vão
Por Babilónia, me achei,
Onde sentado chorei
As lembranças de Sião
E quanto nela passei.
Ali, o rio corrente
De meus olhos foi manado;
E, tudo bem comparado,
Babilónia ao mal presente,
Sião ao tempo passado.
Ali, lembranças contentes
Na alma se representaram;
E minhas cousas ausentes
Se fizeram tão presentes,
Como se nunca passaram.
Ali, depois de acordado,
Co'o rosto banhado em água,
Deste sonho imaginado,
Vi que todo o bem passado,
Não é gosto, mas é mágoa.
E vi que todos os danos
Se causavam das mudanças
E as mudanças dos anos;
Onde vi quantos enganos
Faz o tempo às esperanças.
Ali vi o maior bem
Quão pouco espaço que dura;
O mal que depressa vem,
E quão triste estado tem
Quem se fia da ventura.
Vi aquilo que mais vale,
Que então se entende melhor,
Quanto mais perdido for;
Vi ao bem suceder mal
E, ao mal, muito pior.
E vi com muito trabalho
Comprar arrependimento.
Vi nenhum contentamento,
E vejo-me a mim, que espalho
Tristes palavras ao vento.
(...)







