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quarta-feira, 13 de abril de 2011

"Crítica e professia: a filosofia da religião em Dostoiéviski" de Luiz Felipe Pondé

Luiz Felipe Pondé é filósofo e professor da FAAP e da PUC-SP, atuando em áreas como a Filosofia e Teologia, senso um intelectual engajado nas questões culturais e vida brasileira, com intensa participação na mídia, e desenvolve nesta obra suas reflexões acerca de Dostoiéviski em "Crítica e professia: a filosofia da religião em Dostoiévski" (2003, editora 34, 288 págs, esgotado).
Sinopse:
"Para Luiz Felipe Pondé, não se pode apreender a fundo a obra de Dostoiévski sem a compreensão de seu pensamento religioso, já que 'sua escrita está fincada em sua postura religiosa'. Desse modo, este livro não é um estudo de crítica literária da obra dostoievskiana, mas sim um ensaio de crítica religiosa a partir das idéias desenvolvidas pelo romancista em sua obra. Após uma elucidativa introdução ao universo do Cristianismo Ortodoxo, o autor passa a tecer relações entre os aspectos estritamente filosófico-religiosos e sua realização no plano literário, procedendo a uma análise mais detida dos grandes romances do escritor, como 'Memórias do subsolo', 'Crime e castigo', 'Os demônios', 'O idiota' e 'Os irmãos Karamázov'. Lidando com temas como a liberdade, o amor, o bem e o mal, Deus e Diabo a partir da obra de um dos maiores gênios literários de todos os tempos, Pondé propõe uma reflexão original, construída no diálogo entre a literatura, a religião e a filosofia - e que caminha para uma severa crítica ao humanismo moderno."

segunda-feira, 8 de março de 2010

"Confissões" de Santo Agostinho

Se em "Confissões" (2009, Vozes, 367 págs., R$ 51,40) Agostinho de Hipona (atual Argélia) ou Santo Agostinho (354-430) registrou reflexivamente seus desvios, erros e pecados, talvez não imaginasse com isso inaugurar o próprio "gênero confessional" com que influenciaria muitos outros pensadores, autores e escolas do pensamento na tradição ao longo ds tempos. Agostinho como pensador da Igreja do então nascente Cristianismo que lutava para se firmar ante as muitas doutrinas antigas e contemporâneas suas e, que com ele concorriam, nisto, de algum modo sincretizando e inserindo na doutrina cristã as influências e práticas que, posteriormente seriam objeto de cizânia e concílios em acerbas disputas. Aqui porém, trata-se de uma obra inteiramente de cunho pessoal ainda que sirva à fé católica apostólica romana (e a história do Cristianismo) registrando o desenvolvimento da própria Igreja quanto instituição em seu amadurecimento e pensamento filosófico. São diversos os livros-capítulos de inigualável e inestimável reflexão como o X "O encontro de Deus" e XI "O homem e o tempo" na parte II da obra.
A edição brasileira mais conhecida é feita pela Vozes num único volume (traduzido por J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina) e, dividido em duas partes, sendo a primeira com os livros I a IX e a segunda de X a XIII, é também elogiosa a editada pela Fundação Calouste Gulbenkian de Portugal.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

"O evangelho segundo Jesus Cristo" de José Saramago

José Saramago em "O evangelho segundo Jesus Cristo" (Cia das Letras, 1991, 448 págs., R$ 60,00) com ele iniciaria sua crítica à religião através da literatura que então, se daria como uma de suas marcas estilísticas na temática. A que por certo desagradou a muitos em terras portuguesas e o seria em qualquer outra ortodoxia da fé e religião. A mesma que de tempos e tempos é balançada no confronto ou reflexão feita através da literatura que à parte a própria Bíblia, talvez fosse melhor compreendida se também entendida e interpretada como o que também o é, logo, uma obra literária que tão interpretada com monopólio de terceiros, aqui cede a autoria dos próprios autores, no caso, segundo Saramago.

Sinopse:

"Polêmico e magistral romance da vida de Jesus Cristo. Interessado menos na onipotência do divino que na frágil mas tenaz resistência do humano, a arte do escritor José Saramago dá corpo às preliminares e à culminância do drama da Paixão, presentificando-lhe as cores, cheiros, sons, movimentos, esmiuçando-lhe as ambigüidades e implicações em busca de significados recônditos por sob os ostensivos."

domingo, 10 de janeiro de 2010

"Guia literário da Bíblia" de Frank Kermode & Robert Alter (Orgs.)

Obra excelente por sua proposta e utilidade é o "Guia Literário da Bíblia" (Unesp, 1998, 726 págs, esgotado) organizado por Frank Kermode & Robert Edmond Alter. Reunindo especialistas que comentam cada um dos livros que compõe a Bíblia, e por isto, de valiosa serventia para estudos de toda e qualquer natureza relacionados a ela, quer seja o Antigo ou Novo Testamento.
Um livro oportuno neste encontro em que iremos debater e refletir à luz do Eclesiastes.

Sinopse:

"O leitor encontrará neste guia uma nova concepção da Bíblia como obra de grande força e autoridade literária, obra sobre a qual se pode perfeitamente acreditar que tenha podido moldar as mentes e vidas de homens e mulheres inteligentes por mais de dois milênios. É essa concepção da Bíblia que o presente volume procura promover."

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"A viagem de Théo" de Catherine Clément

A obra de Catherine Clément - "A viagem de Théo" - (1998, Cia as Letras, 632 págs., R$ 54,50) cumpre bem da relação mediadora que pode (e ocorre) entre a Literatura e a Religião, contudo, há de considerarmos que mesmo nos textos das religiões podemos encontrar excepcionais obras de literatura, embora a "autoria" creditada a Deus nos exija mais do que a crença dos simples leitores.

Sinopse:

"Por que tantas pessoas se aproximam de uma religião ou sentem vontade de ter uma vivência espiritual qualquer? Por que não somos todos ateus? Foram perguntas assim que levaram Catherine Clément a escrever este livro, um romance sobre os fundamentos das religiões mais praticadas no mundo - catolicismo, judaísmo, budismo, protestantismo, islamismo, etc. Com um conhecimento profundo do tema e um admirável equilíbrio intelectual, ela nos faz viajar na companhia de Théo e Marthe - ele, um adolescente que vive enfiado nos livros e sofre de uma doença grave; ela, uma mulher cosmopolita que esbanja vitalidade. Juntos eles vão aos principais centros sagrados do mundo e, enquanto visitam os templos e participam das festas rituais, oferecem-nos a certeza de que as religiões são uma das maiores aventuras que a humanidade já pôde sonhar."

domingo, 8 de novembro de 2009

"Caim" de José Saramago

José Saramago volta a tratar em sua obra de um tema bíblico, agora, sob vestes do personagem "Caim"(2009, Cia das Letras) do Antigo Testamento, distante do Jesus de seu "O Evangelho segundo Jesus Cristo" (1991, Cia das Letras). Com a usual verve irônica e crítica, refuta Deus através do próprio personagem título da obra, em temas como "justiça" e afirmações e questionamentos que decerto irão incomodar os maus crentes e agradar aos bons leitores.

Sinopse:

"Em 'Caim', José Saramago se volta aos primeiros livros da Bíblia, do Éden ao dilúvio, imprimindo ao Antigo Testamento a música e o humor que marcam sua obra. Num itinerário heterodoxo, Saramago percorre cidades decadentes e estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha, conforme o leitor acompanha uma guerra secular, e de certo modo involuntária, entre criador e criatura. No trajeto, o leitor revisitará episódios bíblicos conhecidos. Para atravessar esse caminho árido, um deus às turras com a própria administração colocará Caim, assassino do irmão Abel e primogênito de Adão e Eva, num altivo jegue, e caberá à dupla encontrar o rumo entre as armadilhas do tempo que insistem em atraí-los. A Caim, que leva a marca do senhor na testa e portanto está protegido das iniquidades do homem, resta aceitar o destino amargo e compactuar com o criador, a quem não reserva o melhor dos julgamentos."

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Os mortos e os livros

Neste "dia de finados" consagrado pela convenção do calendário e dos costumes aos mortos entre saudades e lembrança, nem sempre nos ocorre da estreita ligação dos mesmos ou do tema e fenômeno da morte com a literatura.
Relação esta muito antiga a considerarmos contextos de espaço-tempo tão distintos em que surgem como "O livro egípcio dos mortos" (aprox. 1580 a. C.) e "O livro tibetano dos mortos" (?), - este um tipo de guia de instruções. O fato é que a dor da saudade, o peso da lembrança, a punjança da memória ou das muitas "manifestações do além" seguem compondo o motrix de uma considerável produção literária ao longo da história. Parte dela como na própria Bíblia entre outros textos fundantes das grandes religiões. É certamente um dos grandes temas da Literatura e da Filosofia.
Há de se destacá-la nas obras de pensadores como Santo Agostinho (354-430) e São Tomás de Aquino (1225-1274) entre outros, como também o capítulo XX do tomo I da obra "Ensaios" de Michel de Montaigne (1533-1592) intitulado "De como filosofar é aprender a morrer", uma magistral reflexão sobre o tema.
A morte, fênomeno que confere paradoxalmente vida à vida e um sentido de perene significação e de plena vitalidade que como bem diz Gabriel García Márquez: "temos que viver para contá-la".

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Livro: entre o dogma e a liberdade

Decerto a relação entre a liberdade que permeia e perpassa a leitura dos livros e os leitores com a religião (seja esta qual for), é das mais tradicionalmente tensas e igualmente exploradas pela literatura e história. Nestas abordagens nem sempre imperam a concórdia e bom entendimento entre as verdades estabelecidas confirmadas pelos hermeneutas, apesar dos esforços dos apologistas e exegetas em todos os tempos. Contudo se paira o dogma que vige entre o inquestionável da palavra nas "Sagradas Escrituras" rechaçando toda e qualquer interpretação que lhe questione ou difira como há também, a presença dele nos cânones de toda e qualquer literatura que por fim, gera inusitada situação de semelhança de ortodoxia entre crentes e leitores.
De todo modo a afirmação de Montaigne "desconfio do homem que só lê e conhece um livro" continua a valer para ambos os casos onde só persiste a univocidade de uma leitura e/ou livro único, coisa típica de leitores limitados ou leituras tendenciosas...
Afinal não será que a leitura de um "As mil e uma noites" não contribui para uma melhor compreensão de um Al Corão? Que dizer então das muitas obras que se inspiram nos profetas do Antigo Testamento ou dos Apóstolos e mesmo da pessoa de Cristo nos Evangelhos? Acaso que será da tradição judaica sem o acervo que compõe a Torá e sua relação as tantas outras obras como o Talmude e o Zohar?
Além disto, acaso, o index librorvm proibitorvm imposto pela igreja medieval mais baniu ou estimulou a leitura das "obras proibidas"?
Talvez nada seja mais "sagrado" junto das Escrituras do que a liberdade dos leitores para, em qualquer livro, redescobrirem que Deus pode, como diz a sabedoria popular, "escrever certo por linhas tortas", como também em todos os gêneros, estilos, culturas, épocas, formas, meios, temas, áreas e possibilidades.
E que por fim não há dogma que justifique e liberdade que não confirme a divindade da palavra, assim como ser a própria literatura, esta também, uma forma de religião da qual a própria religião talvez, não sobreviva.

Na foto acima e direita: os personagens de Bernardo de Güi e William de Bakersville na adaptação da obra de Umberto Eco "O nome da rosa".

quinta-feira, 16 de abril de 2009

"Povos do Livro"
















É curioso como a maior parte da humanidade vive sob regimes culturais cujo a base, repousa em "livros sagrados" legados pelo Judaísmo na Torá, Cristianismo no Evangelho e pelo Islã no Al Corão. O termo "povos do livro" aliás, vem desta expressão cultural, onde o livro sagrado dos muçulmanos na visão dos mesmos, seria a forma acabada e conclusiva da verdade revelada por Deus outrora aos povos anteriores a Maomé.
Seja como for, importa destacar a relevância perene e imprescindível da forma-objeto do livro como receptáculo das Escrituras Sagradas das religiões monoteístas, embora todas as outras também encontrem no livro, ainda que sua forma varie conforme cultura em lugar e época.

E neste sentido de algum modo, toda a humanidade se inclui num dos "povos do livro", ainda que não seja participante ou fiel destas religiões ou mesmo, de nenhuma.